60 mil esperam por cirurgias no SUS de Belo Horizonte
19 de outubro de 2009.

Cerca de 60 mil pessoas aguardam por cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Belo Horizonte. Desse total, 40% saem de outras cidades de Minas Gerais. A espera é longa e pode durar anos. 

Mikaelly tem bronquite alérgica. Ela respira pela boca e dorme mal. Os sintomas começaram nos primeiros meses de vida. Aos 2 anos, veio a pior crise. “A minha impressão é de que ela estava morta, porque ela não estava respirando. Só depois que eu peguei no pulso dela que senti que ela estava bem”, disse a mãe, Mirtes Pereira Aquino.


Na primeira consulta, foi diagnosticada que a menina precisaria de uma cirurgia para melhorar a respiração. A partir daí, começaram as idas e vindas a hospitais e postos de saúde da capital.


A secretaria informou que a menina vai passar por uma nova avaliação médica ainda este mês. Só depois disso será marcada a data da cirurgia. “Depende do SUS. Pagamos imposto de tudo e, na hora que precisamos de algo, não conseguimos”, afirma a mãe.


Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 60 mil pessoas já passaram pela avaliação médica e agora aguardam na fila de espera por uma cirurgia pelo SUS em Belo Horizonte. A prefeitura reconhece que atualmente não tem condições de atender a toda esta demanda. Eles alegam estar priorizando os casos mais graves.

 

O secretário Marcelo Teixeira disse que 40% dos casos cirúrgicos do SUS na capital mineira são de pacientes que saem do interior.

 

O vendedor Protázio Ribeiro Silva mora em Contagem (MG). Ele fraturou um ligamento no joelho direito no ano passado. O caso dele é considerado grave, com necessidade urgente de cirurgia, segundo o laudo médico. Já passou um ano e, até agora, a operação não foi marcada.

“A gente se sente humilhado. Não temos condições de pagar um plano de saúde. Ficamos esperando e eles ficam enrolando. Cada dia nos mandam para um lugar. É uma falta de respeito”, disse Silva.

 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o pedido de cirurgia dele vai ser encaminhado para Belo Horizonte em novembro. 

A meta da prefeitura é acabar com as filas em até três anos.

(G1)