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Coisas do povo
Maurcio Mendes
Coluna - Maurcio Mendes
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O CORRUPTÔMETRO
11 de setembro de 2008.

        É lamentável ver o nosso querido Brasil atolado na criminalidade. Matar, roubar, fraudar e impunidade dos poderosos, são alguns dos pratos preferidos dos bandidos. Estrufâncio, recém-chegados aos Estados Unidos com seus irmãos menores, Desintério e Busefônia,, assim retratou  o  difícil momento brasileiro:

       “ Bicho, aquilo lá parece o “Zorra Total”. Rico, poooode!!!! Pobre, não poooode!!! Bandidos gritando abertamente: “tô pagaaando!!!”. Quem pede punição é advertido: “Não mexe com quem está quieto!”.  E se insistir, “óóóó, play!!!”. O Brasil  vive uma  autêntica comédia.  Se quiser ser assaltado, basta caminhar pelas ruas e, de quebra, poderá ser contemplado com uma bala  perdida”.

           De metralhadora  em punho,  o homem continuava atirando.

             “E o “Centro Cirúrgico” da polícia? São tantas operações de dar inveja a qualquer hospital bem equipado. Quantos não  acompanharam a “Operação Soltiagrana ou Solteagarra”, sei lá,  que  rachou a Polícia Federal? Pois é, além de encobrir escândalos anteriores mostrou que os poderosos não podem ser expostos de pijama, não  devem ser algemados e, muito menos, presos. Enquanto isso, os pobres são arrancados de casa de cueca na mão, levam uns bons tapas no pé da orelha e, aos trambolhões, enfiados no camburão. Sem dó ou piedade, permanecem nas prisões desumanas até aprenderem a não ser pobres.

         Mas o Brasil também tem coisas boas, como a “Lei Seca”  contra os que “molham o bico” e vão dirigir.  Um conhecido meu, barrado na blitz, de tão  alcoolizado explodiu o bafômetro.  Como alegação disse que acabara de “desembarcar no aeroporto de Viracopos, por isso estava naquele estado”.  No B.O. (Boletim de Ocorrência) foi registrado: tanto o bebum  quanto seu carro eram movidos a álcool. A lei não pode dar molezas, tem de ser assim, doe a quem doer!”.

         Estrufâncio, depois de lembrar que antigamente as brigas por grampos eram coisas de  mulheres, retornou aos crimes do colarinho branco.

            “ Nós  temos de acabar com o mito das pizzas no “andar superior”!  Para isso basta criarmos o “corruptômetro” –  aparelho capaz de detectar políticos corruptos. Os “fisgados” na parafernália cumpririam o seguinte castigo: “ após a construção de muros bem altos em torno de Brasília, de onde vem a maioria das pilantragens, jogaríamos lá dentro todos esses políticos corruptos. O salário deles  não passaria de R$ 415,00 mensais e, como locomoção, o transporte coletivo. Caso  adoeçam, não haveria problema, o SUS estaria à disposição deles!”. Bicho, somente  desse jeito  poderemos salvar o país!”. E, no mais, deixo aquela  frase de um “anglo-brasileiro” que diz: “God bless the Queen and if have time save the Brazil from those thieves. If possible".

         Mas,  Estrufâncio, não  estava sozinho na “empreitada”.  Outro cidadão insatisfeito explicou a origem dos “privilégios” dos poderosos.

               “A justiça brasileira é baseada no Direito Romano que só “enxergava” a nobreza.  O burguês para ver julgadas suas pendengas, teria de contratar um nobre que as assumiriam como se fossem suas.  Para  esta pessoa deram o nome de advogado. No Brasil a cada dia isso fica mais evidente. Alguém já viu um “pé-rapado” ter habeas corpus?  Ou algum juiz julgar na madrugada o habeas corpus  de um cidadão comum? Aliás, o “Super Habeas Corpus”  é o grande herói dos ricos, libertando-os imediatamente da prisão. Eu pergunto: qual  será nossa  esperança se não  nos unirmos e procurarmos votar melhor?”.

      Por mais que os “cabeções” expliquem o inexplicável, sempre haverá um bolo entalado  na garganta do povo - os poderosos nunca pagam por suas falcatruas. Os políticos prometem uma justiça “justa”, porém, nada tem funcionado. Se realmente eles querem transformar o Brasil numa grande nação, que comecem a fazer os reparos de cima para baixo, senão os demais segmentos da sociedade continuarão comprometidos.

      Iludir um povo acuado pela criminalidade com demagogias baratas, é o mesmo que fechar os olhos para o desespero daqueles que já não agüentam mais.  



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