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Equilbrio Interior
Regina Kostta
Coluna - Regina Kostta
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GERAÇÃO CANGURU
14 de outubro de 2008.

O mundo começa nos sonhos! Sonhamos com a falta: com o que nos falta.

Não necessariamente um iate, uma mansão, o poder ou a fama. Sonhamos aquilo

da ordem do desejo, muitas vezes imediato, necessário ou prazeroso. Na ausência

da falta, com quê sonharemos?

Sonhar faz parte do costume: acostumamo-nos a sonhar – idealizar nossos

desejos – com a bicicleta, o autorama, o videogame, o celular, mas também com

a profissão, o formar uma família, construir um lar... Êpa! Como é que é? Um lar?

Como assim, lar? Não preciso construir um, pois já o tenho. Preciso é aproveitar

a vida, curtir, badalar, conhecer lugares, estar com os amigos. Isso sim é sonhar!

Diante dessa narrativa de um pós-adolescente tardio de trinta e poucos

anos que ainda vivia como se tivesse quinze, na casa dos pais e às expensas

deles, nossa curiosidade não nos permitiu calar. Então “invadimos literalmente

sua árvore genealógica”.

_Mas você não sente falta de ter o seu canto, construir seu espaço.

_Não, aqui tenho tudo! Casa, comida, liberdade, minha roupa sempre pronta,

tudo limpo e arrumado e minha mulher sempre cheirosa. Minha mãe cuida de

tudo.

_Ah, mas vocês então contribuem com as despesas, não é?

_Bem, pensamos em passar a fazer isso quando terminarmos de pagar o

carro, os cartões de crédito e a viagem que fizemos. Mas, por enquanto, não dá.

Não dá pra ficar duro e perder os finais de semana trancados em casa. Somos

jovens. Temos que curtir a vida

_Mas como seus pais vêem essa situação de custo zero?

_A mamãe prefere que fiquemos aqui, onde temos conforto e tranqüilidade

para pensar no futuro. Às vezes ela reclama que deixamos as coisas bagunçadas,

esse blá-blá-blá de mãe, você sabe como é. Já meu pai não fala mais nada,

porque, afinal de contas, eles podem desfrutar da nossa companhia.

Apesar da aparente harmonia familiar, esse tipo de situação aponta para

uma dependência psíquica entre pais e filhos. O filho, mesmo adulto, não contribui

em nada nas despesas, na limpeza ou na administração da casa. A mãe não

reclama da situação, e até alimenta, pois assim não precisa enfrentar a solidão e

as questões do “ninho vazio”. Casos assim são muito comuns hoje em dia,

chegando até ao cúmulo de pais tiranizados pelos filhos adultos e improdutivos.

Culpa de quem?

Esse tipo de funcionamento familiar vai dando origem à “geração canguru”,

onde pai e/ou mãe não querem que seus filhos cresçam e que aprendam a viver

sozinhos, responsabilizando-se por suas vidas, seus atos, suas despesas e

pela família que construírem. Na justificativa de que os estão ajudando, que eles

precisam de sua ajuda para terem um futuro melhor, sentem-se amparados por

esses filhos (mesmo quando a relação mostra-se tumultuada). Não

percebem que estão impedindo o processo natural de

amadurecimento em troca de presença e reconhecimento. Por

outro lado, os pais podem agir dessa forma para compensar

erros de criação, principalmente o excesso de

permissividade durante a infância e adolescência.

O interessante é que, muitas são as famílias que tratam

seus filhos pequenos e adolescentes como adultos.

Depois, quando estes já cresceram, passam a tratálos

como crianças, investindo na dependência,

no favorecimento, na formação de casais que

vão gerar filhos mantendo-se dependentes

financeira e emocionalmente dos pais.

Essa nova geração já traz “incorporada”

a característica e, dificilmente

conseguirá modificar seu padrão e

tornarem-se pessoas responsáveis

e independentes.

Uma ótima semana para

todos.



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