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Coisas do povo
Maurcio Mendes
Coluna - Maurcio Mendes
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ECOS DO PROGRESSO
21 de novembro de 2008.

Porquê em pleno século XXI com os

avanços da ciência e da tecnologia, informações

vazando por todos os lados e aumento da

expectativa de vida, o homem segue

enveredado na insensibilidade e na violência?

O texto a seguir nos diz algo.

“ Uma tarde um neto conversava com

seu avô sobre os acontecimentos atuais,

quando, de repente, perguntou: Quantos anos

o senhor tem, avô? E o avô respondeu:

___”Bem,, deixa eu pensar um

momento... Nasci antes da televisão, das

vacinas contra a pólio, das comidas

congeladas, das fotocopiadoras, das lentes de

contato e da pílula anticoncepcional. Não

existiam os radares, os cartões de crédito, os

raios laser, nem os patins on-line. Não tinham

inventado o ar condicionado, a lavadora, as

secadoras (as roupas secavam ao vento) e os

frigoríficos quase ninguém tinha. O homem

não tinha chegado à lua.”Gay” era uma palavra

inglesa que significava uma pessoa contente,

alegre e divertida, não homossexual. Das

lésbicas, nunca tínhamos ouvido falar e os

rapazes não usavam piercings.

Nasci antes do computador, das

duplas carreiras universitárias e das terapias

de grupo. Até completar 25 anos, chamava a

cada homem de “senhor” e a cada mulher de

“senhorita” ou de “senhora”. Nos meus

tempos a virgindade não produzia câncer.

Ensinaram-me a diferenciar o bem do mal, a

sermos responsáveis pelos nossos atos.

Acreditávamos que “comida rápida” era o que

a gente comia quando estávamos com pressa.

Ter um bom relacionamento, queria dizer darse

bem com os primos e com os amigos.

Tempo compartilhado, significava que a

família compartilhava as férias junta. Não se

conheciam telefones sem fio e muito menos

os celulares. Nunca tínhamos ouvido falar de

música estereofônica, rádios FM, fitas

cassetes, CDs, DVDs, máquinas de escrever

elétricas, calculadoras (nem as mecânicas

quanto mais as portáteis). “Notebook” era

um livreto de anotações.

Aos relógios dávamos corda dia a

dia. Não existia nada digital, nem os relógios,

nem os indicadores com números luminosos

dos marcadores de jogos, nem as máquinas.

Falando de máquinas, não existiam as

cafeteiras elétricas, os fornos microondas,

nem os rádios-relógio-despertador. Para não

falarmos dos videocassetes ou de máquinas

de filmar de vídeo. As fotos não eram

instantâneas, nem coloridas. Eram em preto

e branco e a sua revelação demorava mais de

três dias. As de cores não existiam e quando

apareceram, suas revelações eram muito caras

e demoradas. Se nos artigos lêssemos “Made

in Japan”, não se considerava de má qualidade

e não existia “Made in Korea”, nem “Made

in Taiwan”, nem “Made in China”. Não se

falava de “Pizza Hut” ou “McDonald’s”, nem

de café instantâneo. Havia casas onde se

comprava coisas por 5 e 10 centavos. Os

sorvetes, as passagens de ônibus e os

refrigerantes, tudo custava 10 centavos. No

meu tempo, “erva” era algo que se cortava e

não se fumava. “Hardware” era ferramenta e

“software” não existia. Fomos a última

geração que acreditou que uma senhora

precisava de marido para ter um filho. Agora

me diga, quantos anos acha que tenho?

___”Hiii... vovô... mais de 200 anos!”

– disse o neto.

___”Não, querido. Somente 58!”.

A geração dos anos 50, chamada de a

“geração dos anos de ouro”, só conhecia a lua

através dos seresteiros e dos poetas. Naquela

época, uma flor penetrava profundamente

na alma das pessoas que, sem arrancá-la,

vislumbrava toda sua essência e plenitude.

Vieram então os anos 70, da “geração dos

anos de chumbo”, e os anos 80, da “geração

Coca-Cola”. Entretanto, segundo alguns

críticos, a partir daí tivemos a “geração Coca-

Cola Zero”. E vão além - “o zero representa o

nada, completa ausência de unidades, valores,

emoção, gravidade... O zero é o vazio”.

Mostrando assim que a cabeça das pessoas

sofreu uma mudança brusca. Sobre aquela

flor dos anos 50, explicam que na atualidade

ela seria cortada do pé e depois contemplada

através de centenas de laudos laboratoriais.

Ou seja, uma demonstração da tecnocracia

engolindo a sensibilidade. Desse jeito as

pessoas teriam esfriado nos

relacionamentos, o crime se banalizado e

mesmo com todo amparo da ciência, a vida

não teria atingido a qualidade esperada. E

se o homem não reativar sua força interior,

os valores mais nobres e a fé, sem dispensar

os importantes serviços da ciência, jamais

poderá equilibrar este sistema cada vez mais

perdido e cambeta.



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