Porquê em pleno século XXI com os
avanços da ciência e da tecnologia, informações
vazando por todos os lados e aumento da
expectativa de vida, o homem segue
enveredado na insensibilidade e na violência?
O texto a seguir nos diz algo.
“ Uma tarde um neto conversava com
seu avô sobre os acontecimentos atuais,
quando, de repente, perguntou: Quantos anos
o senhor tem, avô? E o avô respondeu:
___”Bem,, deixa eu pensar um
momento... Nasci antes da televisão, das
vacinas contra a pólio, das comidas
congeladas, das fotocopiadoras, das lentes de
contato e da pílula anticoncepcional. Não
existiam os radares, os cartões de crédito, os
raios laser, nem os patins on-line. Não tinham
inventado o ar condicionado, a lavadora, as
secadoras (as roupas secavam ao vento) e os
frigoríficos quase ninguém tinha. O homem
não tinha chegado à lua.”Gay” era uma palavra
inglesa que significava uma pessoa contente,
alegre e divertida, não homossexual. Das
lésbicas, nunca tínhamos ouvido falar e os
rapazes não usavam piercings.
Nasci antes do computador, das
duplas carreiras universitárias e das terapias
de grupo. Até completar 25 anos, chamava a
cada homem de “senhor” e a cada mulher de
“senhorita” ou de “senhora”. Nos meus
tempos a virgindade não produzia câncer.
Ensinaram-me a diferenciar o bem do mal, a
sermos responsáveis pelos nossos atos.
Acreditávamos que “comida rápida” era o que
a gente comia quando estávamos com pressa.
Ter um bom relacionamento, queria dizer darse
bem com os primos e com os amigos.
Tempo compartilhado, significava que a
família compartilhava as férias junta. Não se
conheciam telefones sem fio e muito menos
os celulares. Nunca tínhamos ouvido falar de
música estereofônica, rádios FM, fitas
cassetes, CDs, DVDs, máquinas de escrever
elétricas, calculadoras (nem as mecânicas
quanto mais as portáteis). “Notebook” era
um livreto de anotações.
Aos relógios dávamos corda dia a
dia. Não existia nada digital, nem os relógios,
nem os indicadores com números luminosos
dos marcadores de jogos, nem as máquinas.
Falando de máquinas, não existiam as
cafeteiras elétricas, os fornos microondas,
nem os rádios-relógio-despertador. Para não
falarmos dos videocassetes ou de máquinas
de filmar de vídeo. As fotos não eram
instantâneas, nem coloridas. Eram em preto
e branco e a sua revelação demorava mais de
três dias. As de cores não existiam e quando
apareceram, suas revelações eram muito caras
e demoradas. Se nos artigos lêssemos “Made
in Japan”, não se considerava de má qualidade
e não existia “Made in Korea”, nem “Made
in
falava de “Pizza Hut” ou “McDonald’s”, nem
de café instantâneo. Havia casas onde se
comprava coisas por 5 e 10 centavos. Os
sorvetes, as passagens de ônibus e os
refrigerantes, tudo custava 10 centavos. No
meu tempo, “erva” era algo que se cortava e
não se fumava. “Hardware” era ferramenta e
“software” não existia. Fomos a última
geração que acreditou que uma senhora
precisava de marido para ter um filho. Agora
me diga, quantos anos acha que tenho?
___”Hiii... vovô... mais de 200 anos!”
– disse o neto.
___”Não, querido. Somente 58!”.
A geração dos anos 50, chamada de a
“geração dos anos de ouro”, só conhecia a lua
através dos seresteiros e dos poetas. Naquela
época, uma flor penetrava profundamente
na alma das pessoas que, sem arrancá-la,
vislumbrava toda sua essência e plenitude.
Vieram então os anos 70, da “geração dos
anos de chumbo”, e os anos 80, da “geração
Coca-Cola”. Entretanto, segundo alguns
críticos, a partir daí tivemos a “geração Coca-
Cola Zero”. E vão além - “o zero representa o
nada, completa ausência de unidades, valores,
emoção, gravidade... O zero é o vazio”.
Mostrando assim que a cabeça das pessoas
sofreu uma mudança brusca. Sobre aquela
flor dos anos 50, explicam que na atualidade
ela seria cortada do pé e depois contemplada
através de centenas de laudos laboratoriais.
Ou seja, uma demonstração da tecnocracia
engolindo a sensibilidade. Desse jeito as
pessoas teriam esfriado nos
relacionamentos, o crime se banalizado e
mesmo com todo amparo da ciência, a vida
não teria atingido a qualidade esperada. E
se o homem não reativar sua força interior,
os valores mais nobres e a fé, sem dispensar
os importantes serviços da ciência, jamais
poderá equilibrar este sistema cada vez mais
perdido e cambeta.