A idéia que outrora habitava o pensamento dos jovens de
que
“Somos jovens, temos muito tempo pela frente.”, parece
não ter
mais vez nesses tempos em que o imediatismo é
prioritário em quase
tudo na vida. Mas seria só isso o que movimenta certos
jovens na
direção da supressão da liberdade de seus ex-amores e
na submissão
tanto de seu corpo como de sua mente a sua vontade
doentia? Acredito
que não!
Tantas são as questões que pairam em nossas mentes
sempre que
nos deparamos com noticiários tão chocantes sobre
crimes e mais
crimes que assolam nosso país, principalmente quando
esses crimes
estão ocorrendo “em nome do amor”, os chamados crimes
passionais.
Quantas Eloás, quantas Moniques, vêm sendo vítimas de
sentimentos agressivos, possessivos e dominadores, ou
um
sentimento platônico? É muito difícil precisar qual
motivação está
envolvida nestes casos e se tais indivíduos recorrem a
esses delitos
para se auto-afirmarem após serem rejeitados.
Noticiário! Estamos
no noticiário nacional! Seriam essas algumas expressões
de agressoresassassinos,
cruéis, quando estão torturando física e
psicologicamente
suas vítimas?
Parece que os criminosos passionais são movidos por
sentimentos
de posse pelo ser amado, por baixa auto-estima e
sentimentos de
rejeição. Tais sentimentos os deixam cada vez mais
dependentes de
suas vítimas. Surge, então, a necessidade de dominá-las
pelo medo e
pela força. Porém, isso não explica como lidarão com a
própria perda
da liberdade posteriormente, nem porque não conseguem
medir as
conseqüências de tais atos antes de os cometerem.
Em recente artigo, a Drª. Maria Isabel Alves,
professora de
Psicologia, cita algumas atitudes que favorecem a
transformação de
nossos jovens em “verdadeiros monstros”, além de criar
diversos
questionamentos a respeito dos motivos que movimentam
tais jovens
nesse sentido. Índole, influência da mídia, situação
social de
violência...? Destaco a questão sobre a permissividade
da sociedade:
_Por que nos tornamos tão permissíveis nas últimas
décadas?
Ela também questiona: “_ O que faz alguém achar que
pode comprar
armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer
reféns, assustar e
desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100
horas e atirar
em duas pessoas inocentes?”
É inacreditável a justificativa do rapaz que acabou
levando à morte
a jovem Eloá: “Ela não quis falar comigo!” Então, em
nome de um
sentimento de amor (muito duvidoso por sinal), aos 22
anos ele
simplesmente não aceitou um NÂO como resposta, pois sua
vontade
e sua capacidade de subjugar a vontade alheia falaram
mais alto.
Nessa história de final trágico, revelações
surpreendentes – como
a descoberta de que o pai da adolescente de 15 anos era
foragido de
outro estado por ligações com grupos de extermínio –
além de ações
questionáveis da polícia e dos responsáveis pelas duas
menores
envolvidas no episódio, fica a pergunta: Quem e quantos
serão os
responsáveis?
De certo, este rapaz não teve em momentos anteriores
desse namoro
de três anos, encerrado pouco antes da tragédia, o
pulso forte de uma
família que conseguisse colocar um freio numa situação
de uma menina
de 12 anos namorando um rapaz de 19, pois NÃO é uma
palavra que
parece sem valor algum nas relações entre pais e filhos
atualmente. A
ordem entre os jovens talvez seja: ‘DESAFIAR SEMPRE’,
independente das conseqüências.
Mais uma vez destaco as palavras da Drª. Maria Isabel
‘Vejo que
cada vez mais os pais e professores morrem de medo de
dizer não às
crianças.’. Em minha experiência profissional é comum
encontrar
crianças mandando nos pais, exigindo, gritando e
respondendo a eles
como se adultos fossem, sem um mínimo de respeito ou
limites. E
muitos pais dizendo que não podem com seus filhos, que
eles são
hiperativos e blábláblá.
Na verdade, estamos carecendo de um aprendizado
significativo:
COMO EDUCAR NOSSOS FILHOS? Se essa geração de jovens
pais
continuar sem ‘querer traumatizar o filho impondo
limites’,
certamente assistiremos muitos mais jovens recebendo o
limite das
grades da cadeia, enquanto outros, os limites do
caixão.
Uma semana para reflexão a todos.