No artigo anterior, eu disse que para ultrapassar o
nível de
comunicação boca-ouvido deve-se convidar o cérebro a
entrar no
processo.
Quando, em um restaurante, você pedir ao garçom que lhe
traga
água mineral com gás, peça-lhe também que repita o seu
pedido.
Ao repetir, ele memoriza o pedido pelo tempo necessário
para
trazer exatamente o que você pediu. Isso se chama
backtracking.
O bactracking funciona para muitas coisas. A
telefonista da sua
empresa, por exemplo, nunca mais vai anotar números de
telefone
errado se você orientá-la para que os repita antes de
anotar.
Cérebro-Cérebro
Aqui, as coisas começam a acontecer. A pessoa que fala
e a que
ouve estão em sintonia. Se nenhum sucesso profissional
era
possível no nível boca-ouvido, neste eles são sempre
uma
possibilidade, desde que você saiba atuar.
Saber atuar é saber colocar a outra pessoa no processo,
fazendo
com que o cérebro dela responda na mesma sintonia que o
seu.
Existem três técnicas básicas para conduzir a
comunicação do nível
boca-ouvido para o nível cérebro-cérebro: chamar a
pessoa pelo
nome, apertar a mão dela com a mesma intensidade que
ela aperta
a sua, e fazer-lhe perguntas abertas.
Chamar a pessoa pelo nome
Está provado que o nosso nome provoca uma resposta
imediata
em nosso cérebro. Quando se diz o nome de uma pessoa
que está
em coma, observa-se uma imediata resposta em algum de
seus
sinais vitais. Portanto, se quiser que uma pessoa
participe ativa e
favoravelmente da comunicação, trate-a sempre pelo
nome. Se você
tem dificuldade em memorizar nomes, faça o seguinte:
não deixe
de ler o próximo artigo, onde esse assunto será
tratado.
· Quando for apresentado a alguém, escute o nome da
pessoa e não apenas o ouça.
· Durante a conversação, repita o nome da pessoa, pelo
menos, três vezes.
Existe uma forma prática de mostrar que essa repetição
funciona,
mas, por escrito, não tem o mesmo impacto. Aprenda como
se faz
e, depois, faça a experiência com alguém, pessoalmente:
Peça a uma pessoa que repita três vezes a palavra ema.
Ela vai
dizer: Ema. Ema. Ema. Em seguida, pergunte-lhe: Qual é
o nome
da clara do ovo? Com certeza, ela vai lhe responder: —
Gema!
Ao repetir Ema três vezes, a pessoa criou a memória da
palavra.
E de Ema para Gema...
Você pode usar essa técnica de memorização sempre que
quiser
obter um “sim” como resposta. É simples: antes de fazer
a pergunta
que você quer que seja respondida com um sim, pergunte
três
coisas que, necessariamente, serão respondidas com um
sim. Depois
que a pessoa tiver adquirido a memória do “sim”, você
coloca a
questão principal e receberá um “sim” como resposta.
· Faça associações com o nome da pessoa.
O cérebro aprende por meio de associações. Quanto mais
você
sabe, mais fácil se torna aprender coisas novas. Não se
impressione
com uma pessoa que fale oito idiomas. Se ela já falava
sete, para
falar um oitavo o esforço dela foi dez vezes menor do
que o de
quem sabe apenas um idioma e quer aprender um segundo.
A
existência de maior quantidade de material para
estabelecer
associações cria essas facilidades.
Continuaremos tratando do nível cérebro-cérebro no
próximo
artigo.