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Lair Ribeiro
Lair Ribeiro
Coluna - Lair Ribeiro
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Influência versus Manipulação
21 de setembro de 2001.

Quando manipula, você

conduz a negociação para o jogo

do ganha-perde. Você entra

preparado para ganhar, custe o

que custar. Naturalmente, para

isso, o outro precisa perder.

É lamentável constatar que

esse tipo de jogo seja, ainda, o

mais praticado em todo tipo de

negociação.

Estamos sempre negociando

Mesmo sem ter uma atividade

profissional ligada ao setor de

negócios, estamos negociando o

tempo todo, nas mais variadas

situações. O processo é tão natural

que, na maioria das vezes, sequer

o percebemos, pois se trata de uma

habilidade inerente ao ser

humano. Negociamos na família,

no trabalho, com nossos amigos,

quando vamos comprar algo, etc.

Enfim, sempre que queremos

obter alguma coisa de alguém,

estabelecemos um processo de

negociação.

Pessoas que manipulam

costumam se julgar muito

espertas. Dentro da sua percepção

de que no mundo não há o

suficiente para todos, elas tentam

obter o máximo que podem. Mas

se esquecem, ou talvez nem

saibam, de que, a longo prazo, o

feitiço pode se voltar contra o

feiticeiro.

Já, quando exerce influência,

você mostra que está interessado

em negociar de forma

cooperativa, identificando os reais

interesses envolvidos no processo.

É preciso, então, trazer à tona as

necessidades, objetivos e anseios

dos envolvidos para que o

resultado da negociação

proporcione benefícios mútuos.

Negociação e comunicação

Uma boa comunicação é

fundamental para uma negociação

bem-sucedida.

A comunicação se processa em

três níveis:

·Boca-ouvido: Um fala e o

outro ouve, mas não escuta e,

portanto, nada acontece.

·Cérebro-cérebro: Os

interlocutores pensam sobre o que

falam e o que ouvem, logo, a

comunicação se torna efetiva e as

coisas começam a acontecer.

· Coração-coração: A

empatia se estabelece e os milagres

da comunicação acontecem.

Esses níveis da comunicação se

relacionam de forma

interdependente e cumulativa: o

nível 1 é condição básica para se

chegar ao nível 2, que, por sua vez,

cria as condições para se atingir o

nível 3, e todos se mantêm durante

todo o processo. Naturalmente, as

melhores negociações acontecem

quando desenvolvidas no nível 3 de

comunicação: coração-coração.

Com quem negociar

É muito importante certificar-se

de estar falando com quem tenha

poder de decisão para assumir os

termos de uma negociação. Quando

você fala com a pessoa errada, está

perdendo tempo e, em muitos casos,

precisará fazer mais concessões

para a outra parte.

Imagine-se fechando uma

venda, depois de ter negociado e

feito todas as concessões possíveis

para que as suas necessidades e as do

cliente fossem atendidas. Quando

tudo parece satisfatório para ambos,

seu interlocutor diz que passará a

proposta ao chefe dele, que entrará

em contato com você para a decisão

final. Só que, quando a pessoa entra

em contato, ela não quer apenas bater

o martelo sobre o que foi discutido

antes: ela quer obter condições

melhores que as anteriores, seja por

interesse comercial ou apenas para

mostrar que negocia melhor do que

o funcionário dela.

É por causa de negociações com

a pessoa errada que cerca de 20%

das negociações iniciadas não se

concretizam.

Então, se não puder evitar que

parte da negociação passe por um

intermediário, não faça todas as

concessões inicialmente: reserve

algumas para o segundo tempo do

jogo.



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