Apesar de não
ser partidária da
ladainha “A
crise só piora a cada dia.
Vem mais por aí.”, chamo a atenção
para o que acontece com muitos de nós
que estamos inseridos neste processo
massificador de informações sobre a
crise financeira mundial. Acabamos
acumulando sofrimentos a partir
dessas evocações constantes. E
acumulamos sofrimentos porque
ficamos ansiosos.
Jesus já
perguntara a seus
discípulos se os pensamentos destes
poderiam acrescentar algum dia em
suas vidas. Manter-se em estado de
desejos e ansiedades permanentes pode
ser a origem de sofrimentos constantes,
já ensinou-nos Buda. Mas o que fazer
diante de tantas notícias pessimistas,
especialmente com relação a empregos
e desativação de postos de trabalho.
Nosso trabalho é nossa fonte de
sustento.
Precisamos
saber o que estamos
buscando a fim de que possamos ficar
imunes à ansiedade gerada pela
divulgação constante da crise mundial.
Ela está aí, é fato! Como passaremos
por ela é que será definido, a priori,
pelo padrão do nosso pensamento, pois
o sofrimento varia de acordo com
nosso grau de resistência, nosso grau
de insistência em pensamentos
ansiosos, como também, de acordo
com o nosso exercício em fazer
escolhas conscientes.
Nem sempre
sabemos por que
fazemos determinadas escolhas.
Muitas vezes parece que somos
levados de um lado para outro na vida
por ações “da própria vida”. É como
se estivéssemos ausentes de nossa
própria existência. Estar presentes
significaria estar atento às escolhas
possíveis e respeitar, entender e não
nos abalarmos pelas não-possíveis,
conforme demonstra o texto a seguir,
de autor desconhecido intitulado
ESCOLHAS.
Se eu pudesse escolher seria feliz
por, pelo menos, oito horas por dia.
Todos os dias. Reservaria o tempo
restante para viver as pequenas
agruras naturais. Mas seriam leves.
Porque haveria a certeza de que a cada
dia eu teria a minha cota de felicidade.
Se eu pudesse escolher reservaria
algumas horas, todos os dias, para
fazer só o que pudesse fazer os outros
felizes. Dedicação total.
Se eu pudesse escolher, pararia
qualquer coisa que estivesse fazendo
às cinco horas da tarde e me sentaria
para assistir ao pôr do sol. Escolheria
lugares especiais. Procuraria não me
repetir muito. O horário do pôr do sol
seria algo assim, sagrado. O meu
horário para observar a Deus.
Se eu pudesse escolher, viveria entre
o mar e as montanhas. No meio do
caminho.
Nem muito longe de um, nem muito
longe do outro. Plantaria flores, teria
vasos na janela, muitos livros na
cabeceira da cama e à noite, depois do
trabalho - sim, porque se eu pudesse
escolher trabalharia sempre, produziria
sempre - eu me sentaria para
contemplar o céu, as estrelas, a noite.
Se eu pudesse escolher, sorriria
sempre. Mas choraria também, às vezes,
para não esquecer o que a lágrima
significa. Viver só de sorrisos não é uma
boa opção.
Se eu pudesse escolher, faria uma
declaração de amor todos os dias. Só
para sentir aquele sabor de ridículo que
nos enche a alma e que é imprescindível
á felicidade.
Se eu pudesse escolher, plantaria
sementes e “perderia” horas vendo-as
germinar e lamentaria por aquelas que
não conseguissem se transformar em
flor.
Se eu pudesse escolher, viveria a
vida de uma forma mais leve, menos
dolorosa, mais intensa, menos
angustiante. Nem sempre temos como
opções as escolhas que faríamos se
pudéssemos escolher. Mas há escolhas
que nos são oferecidas sempre. A de
provocarmos sorrisos, de abraçarmos,
de dizermos que amamos para quem
amamos mesmo que eles não entendam
o que é amor.
A possibilidade de transformarmos
dentro de nós o cenário e aprendermos
que, como não temos muitas escolhas,
precisamos viver quinze minutos de
felicidade com tanta intensidade que
eles possam ser transformados em
horas, dias, meses, no tempo que
escolheríamos. Se pudéssemos
escolher...
A crise que
consome o planeta é a
grande armadilha do mundo
globalizado: não foi articulada por cada
um de nós, mas somos espectadores
passivos deste acontecimento.
Entretanto, podemos escolher, a partir de
nosso processo de conscientização,
como vamos atravessar esse momento
de desconforto que se manifestou
assustador, mas que pode se transformar
em criatividade, honestidade, respeito e
dignidade para com a humanidade. Aí
depende de cada um de nós.
Feliz 2009 para todos.