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Equilbrio Interior
Regina Kostta
Coluna - Regina Kostta
AUMENTAR FONTE
A GRANDE ARMADILHA DO MUNDO GLOBALIZADO
03 de fevereiro de 2009.

Apesar de não ser partidária da

ladainha “A crise só piora a cada dia.

Vem mais por aí.”, chamo a atenção

para o que acontece com muitos de nós

que estamos inseridos neste processo

massificador de informações sobre a

crise financeira mundial. Acabamos

acumulando sofrimentos a partir

dessas evocações constantes. E

acumulamos sofrimentos porque

ficamos ansiosos.

Jesus já perguntara a seus

discípulos se os pensamentos destes

poderiam acrescentar algum dia em

suas vidas. Manter-se em estado de

desejos e ansiedades permanentes pode

ser a origem de sofrimentos constantes,

já ensinou-nos Buda. Mas o que fazer

diante de tantas notícias pessimistas,

especialmente com relação a empregos

e desativação de postos de trabalho.

Nosso trabalho é nossa fonte de

sustento.

Precisamos saber o que estamos

buscando a fim de que possamos ficar

imunes à ansiedade gerada pela

divulgação constante da crise mundial.

Ela está aí, é fato! Como passaremos

por ela é que será definido, a priori,

pelo padrão do nosso pensamento, pois

o sofrimento varia de acordo com

nosso grau de resistência, nosso grau

de insistência em pensamentos

ansiosos, como também, de acordo

com o nosso exercício em fazer

escolhas conscientes.

Nem sempre sabemos por que

fazemos determinadas escolhas.

Muitas vezes parece que somos

levados de um lado para outro na vida

por ações “da própria vida”. É como

se estivéssemos ausentes de nossa

própria existência. Estar presentes

significaria estar atento às escolhas

possíveis e respeitar, entender e não

nos abalarmos pelas não-possíveis,

conforme demonstra o texto a seguir,

de autor desconhecido intitulado

ESCOLHAS.

Se eu pudesse escolher seria feliz

por, pelo menos, oito horas por dia.

Todos os dias. Reservaria o tempo

restante para viver as pequenas

agruras naturais. Mas seriam leves.

Porque haveria a certeza de que a cada

dia eu teria a minha cota de felicidade.

Se eu pudesse escolher reservaria

algumas horas, todos os dias, para

fazer só o que pudesse fazer os outros

felizes. Dedicação total.

Se eu pudesse escolher, pararia

qualquer coisa que estivesse fazendo

às cinco horas da tarde e me sentaria

para assistir ao pôr do sol. Escolheria

lugares especiais. Procuraria não me

repetir muito. O horário do pôr do sol

seria algo assim, sagrado. O meu

horário para observar a Deus.

Se eu pudesse escolher, viveria entre

o mar e as montanhas. No meio do

caminho.

Nem muito longe de um, nem muito

longe do outro. Plantaria flores, teria

vasos na janela, muitos livros na

cabeceira da cama e à noite, depois do

trabalho - sim, porque se eu pudesse

escolher trabalharia sempre, produziria

sempre - eu me sentaria para

contemplar o céu, as estrelas, a noite.

Se eu pudesse escolher, sorriria

sempre. Mas choraria também, às vezes,

para não esquecer o que a lágrima

significa. Viver só de sorrisos não é uma

boa opção.

Se eu pudesse escolher, faria uma

declaração de amor todos os dias. Só

para sentir aquele sabor de ridículo que

nos enche a alma e que é imprescindível

á felicidade.

Se eu pudesse escolher, plantaria

sementes e “perderia” horas vendo-as

germinar e lamentaria por aquelas que

não conseguissem se transformar em

flor.

Se eu pudesse escolher, viveria a

vida de uma forma mais leve, menos

dolorosa, mais intensa, menos

angustiante. Nem sempre temos como

opções as escolhas que faríamos se

pudéssemos escolher. Mas há escolhas

que nos são oferecidas sempre. A de

provocarmos sorrisos, de abraçarmos,

de dizermos que amamos para quem

amamos mesmo que eles não entendam

o que é amor.

A possibilidade de transformarmos

dentro de nós o cenário e aprendermos

que, como não temos muitas escolhas,

precisamos viver quinze minutos de

felicidade com tanta intensidade que

eles possam ser transformados em

horas, dias, meses, no tempo que

escolheríamos. Se pudéssemos

escolher...

A crise que consome o planeta é a

grande armadilha do mundo

globalizado: não foi articulada por cada

um de nós, mas somos espectadores

passivos deste acontecimento.

Entretanto, podemos escolher, a partir de

nosso processo de conscientização,

como vamos atravessar esse momento

de desconforto que se manifestou

assustador, mas que pode se transformar

em criatividade, honestidade, respeito e

dignidade para com a humanidade. Aí

depende de cada um de nós.

Feliz 2009 para todos.



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