É impressionante a “cara de pau” de uma parcela da sociedade. Claro, que ela não invalida a outra parte que equilibra a balança. Ou seja, aquela que luta por dias melhores, por construir um mundo mais coerente. Para comprovar a truculência daqueles, vamos citar apenas duas de suas facetas negativas: a da mentira e a do cinismo. Dizem que no escurinho do cinema um casal assistia ao filme quando a mulher lascou uma sonora bofetada no homem. As luzes foram acesas. O sujeito para se livrar do vexame, pensou rapidamente. Colocou o dedo em riste na direção da companheira e falou:
___“Isso é para você aprender a me respeitar!!!!”.
Em seguida, após inverter a situação, saiu deixando a mulher sob os olhares indignados da platéia. Grande exemplo de astúcia!
Noutro episódio, um professor de religião falava aos alunos:
___“Hoje, vamos estudar o capítulo vinte e três do Evangelho de São João. É o capítulo que trata da mentira e dos mentirosos. Qual de vocês já leu esse capítulo?”.
Simultaneamente, todos levantaram a mão repetindo o tradicional “eeeuuuu”.
___“Pois vocês são todos uns mentirosos. O Evangelho de São João tem apenas vinte e um capítulos!!!!!!!!”.
Os alunos ficaram sem saber onde meter a cara.
E num grupo de amigos alguém visivelmente abatido, desabafou:
___“Este mundo está perdido!!! Ninguém respeita mais ninguém. As pessoas só pensam em si próprias e enganam uma as outras. Nós estamos nos dias finais da Terra. De manhã fui às compras e, acreditem, me devolveram o troco com dinheiro falso! Em quem podemos acreditar, minha gente, me respondam?”.
Nisso um se aproximou oferecendo seu ombro amigo.
___“Não fique assim, hoje é domingo, dia de alegria. Olha, se você precisar de algum dinheiro, conte comigo. A propósito, eu nunca vi uma nota falsa em toda minha vida. Você poderia me mostrar?”.
O “lesado”, sem qualquer pudor, respondeu:
___ “Eu não posso te mostrar porque já passei o dinheiro pra frente!”.
É o fim da picada!
Para fechar essa exposição desastrosa, uma mãe reclamava do filho que não se “adaptava” à arte de trabalhar. Bem que o rapaz tentou, entretanto, como dizia, “não rolou nenhuma química” entre ele e o trabalho. Exausta de tanto cobrar do filho, a mãe tomou a iniciativa de por volta das onze horas tirar à força o preguiçoso da cama.
___“Seu vagabundo, vá procurar o que fazer! Seu irmão saiu cedo, às sete horas, e Deus ajudou que ele achou uma carteira cheia de dinheiro!!!”.
O rapaz sem muito pensar, contra-atacou:
___“É, mas quem perdeu levantou mais cedo que ele!?!”.
E voltou para a cama em busca do sono perdido.
Esses casos, dos mentirosos e dos cínicos, estão espalhados na rotina da sociedade, banalizados e encarados como algo normal. Às vezes até destacados pela ousadia e pela truculência utilizadas. Quanto ao cinismo, a melhor definição é dada por Edgar A. Shoaff: “O cínico é uma pessoa procurando um homem honesto com lanterna roubada”.
E, no mais, apesar da nossa inevitável convivência com tais “classes” de pessoas, o negócio é procurar fazer a nossa parte e lembrar que “nunca devemos levar a vida muito a sério, pois dela ninguém sairá vivo!”.