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Coisas do povo
Maurcio Mendes
Coluna - Maurcio Mendes
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TUDO MUITO BANAL
17 de agosto de 2009.

É impressionante a “cara de pau” de uma parcela da sociedade. Claro, que ela não invalida a outra parte que equilibra a balança. Ou seja, aquela que luta  por dias melhores, por construir um mundo mais coerente. Para comprovar a truculência daqueles, vamos  citar apenas duas de suas facetas negativas: a da mentira e a do cinismo. Dizem que no escurinho do cinema um casal assistia ao filme quando a mulher lascou uma sonora bofetada no homem. As luzes foram acesas. O sujeito  para se livrar do vexame, pensou rapidamente. Colocou o dedo em riste na direção da companheira e falou:

      ___“Isso é para você aprender a me respeitar!!!!”.

    Em seguida, após inverter a situação, saiu deixando a mulher sob os olhares indignados da platéia. Grande exemplo de astúcia!

      Noutro episódio, um professor de religião falava aos alunos: 

    ___“Hoje, vamos estudar o capítulo vinte e três  do Evangelho de São João. É o capítulo que trata da mentira e dos mentirosos. Qual de vocês já leu esse capítulo?”.

      Simultaneamente, todos levantaram a mão repetindo o tradicional “eeeuuuu”.

     ___“Pois vocês são todos uns mentirosos. O Evangelho de São João tem apenas vinte e um capítulos!!!!!!!!”. 

      Os alunos  ficaram sem saber onde meter a cara.

      E num grupo de amigos alguém visivelmente abatido, desabafou:

    ___“Este mundo está perdido!!! Ninguém respeita mais ninguém. As pessoas só pensam em si próprias e enganam uma as outras.  Nós estamos nos dias finais da Terra. De manhã fui às compras e, acreditem, me devolveram o troco com dinheiro falso! Em quem podemos acreditar, minha gente, me respondam?”.

     Nisso um se aproximou  oferecendo seu ombro amigo.

     ___“Não fique assim, hoje é domingo, dia de alegria. Olha, se você precisar de algum dinheiro, conte comigo. A propósito, eu nunca vi uma nota falsa em toda minha vida. Você poderia me mostrar?”. 

      O “lesado”, sem  qualquer pudor, respondeu:

      ___ “Eu não posso te mostrar porque já passei o dinheiro pra frente!”.

     É o fim da picada!

       Para fechar essa exposição desastrosa, uma mãe reclamava do filho que não se “adaptava” à arte de trabalhar. Bem que o rapaz tentou, entretanto, como dizia, “não rolou nenhuma química” entre ele e o trabalho.  Exausta de tanto cobrar do filho, a mãe tomou a iniciativa de por volta das onze horas tirar à força o preguiçoso da cama.

     ___“Seu vagabundo, vá procurar o que fazer! Seu irmão saiu cedo, às sete horas,  e Deus ajudou que ele achou uma carteira cheia de dinheiro!!!”.

     O rapaz sem muito pensar, contra-atacou:

     ___“É, mas quem perdeu levantou mais cedo que ele!?!”.

    E voltou para a cama  em busca do sono perdido.

    Esses casos, dos mentirosos e dos cínicos, estão espalhados  na rotina da sociedade, banalizados e encarados como algo normal. Às vezes até destacados pela ousadia e   pela truculência utilizadas.  Quanto ao cinismo,  a melhor definição  é  dada por  Edgar A. Shoaff: “O cínico é uma pessoa procurando um homem honesto com lanterna roubada”.

      E, no mais,  apesar da nossa inevitável convivência com tais “classes” de pessoas, o negócio é procurar fazer a nossa parte e lembrar que “nunca devemos levar a vida muito a sério, pois dela ninguém sairá vivo!”.  

 



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