Ao assistirmos
documentários sobre a evolução do Homem sobre a Terra, anos e anos para
desenvolvermos habilidades que nos garantiriam sobrevivência, acasalamento,
conquistas e deparamo-nos com o momento em que o Homem ‘descobre’ a linguagem:
Sim, somos animais lingüísticos! Somos como tantos outros que mamamos ao
nascer, mas aprendemos a falar. E como essa característica única entre as
espécies animais deste planeta nos custou para ser desenvolvida! Entre um
monossílabo e outro surgiu mamãe, papai, quero, vamos, bicicleta e até
paralelepípedo (palavrinha que era o terror das antigas escolas primárias).
O animal humano foi se aperfeiçoando
em ser versátil. Ao longo dos tempos foi-se diferenciando dos demais animais
justamente por essa característica: ser versátil, ser capaz de aprender e
transmitir ensinamentos para os descendentes. Até aí, nada demais! Porém, ser
capaz de pensar e traduzir esse ato em palavras fazendo-se entender através delas,
isso sim é incrível! Pode parecer banalidade, pois hoje nos comunicamos com o
mundo inteiro através de simples (no sentido de pequeníssimos) aparelhinhos –
os famosos celulares. Mas nem sempre foi assim!
Para chegarmos a esse nível de
comunicação, foi necessário criar códigos lingüísticos (letras, fonemas,
sílabas, palavras...), catalogá-los, juntá-los formando frases, parágrafos,
textos, e daí, revistas, jornais, etc. Levamos muito tempo para aprender a ler
e escrever, e agora, surgem novas formas de se dizer determinadas coisas com
“palavras e termos” digamos, estranhos?
Há pouco tempo recebi um e-mail
mostrando o CARIOQUÊS (nova forma de comunicação entre os jovens no Rio de
Janeiro – os cariocas) e, por incrível que pareça, até acentuaram a palavra.
Selecionei alguns trechos para compartilhar com vocês, lembrando que, como as
palavras não aceitam fronteiras, a linguagem usada em um lugar, caindo na
‘rede’ passa logo, logo a ser usada por uma legião de adeptos. Vejamos os
exemplos:
Carioca não diz sim,
fala já é; Não diz não entende, diz se liga; Não entra, invade; Não pede, impõe;
não reclama, protesta; Não mente, manda um caô; Não fala oi, diz COÉ?
Carioca não fala
vai (no sentido de ir embora), fala mete o pé ou vaza; Não pede desculpas, diz foi
mal; Obrigado, que nada! Diz, valeu; Lembram-se quando o povo passeava? Pois é,
agora dá rolé; Ouvir música? Bobagem, agora é batidão. E quando atender uma
ligação telefônica, nada de alô, e sim, “fala aê!”.
Na sala de aula
o professor pede uma idéia sobre um assunto e a galera logo grita: Manda uma
real! Ao mesmo tempo, “MEU” já virou “MANÉ”, “MANO” virou “MERMÃO”, e chateado
virou “BOLADO”. Também pudera! Quando se vai a algum lugar agora é: “Vou lá
naquela parada.”, inclusive na escola.
Assim, carioca
não conversa, desenrola; Não sai escondido, dá um perdido; Não pede ‘por favor’,
fala ‘na moral’... Não aparece, ele ‘bota a cara’! Não diz ‘tá certo’, fala ‘tá
tranquilo’ ou ‘tá dominado’!
Deixa comigo
virou “é nóis”, ou “tamo junto” ou ‘tudo nosso’. E não me perguntem o que
aconteceu, porque agora a pergunta é: “Qual foi?”, seguida ou não de MANÉ. E,
se vocês não concordarem, nem adianta mandar um “COÉÉÉÉÉE PARCERO?”, porque
isso aí significa “OI, tudo bem?”
É melhor parar
por aqui! Imaginem o trabalho que nosso cérebro começa a ter para decifrar esse
“dialeto”, que não pertence somente aos cariocas, é claro! O que diremos,
então, sobre a Reforma Ortográfica? Além disso, daqui a pouco, ninguém mais
poderá dizer que não consegue aprender outros idiomas. Porém, é bom lembrar,
que construímos nossos ideais a partir da linguagem, ou seja, do nosso
pensamento, e se este for confuso, onde poderemos chegar?
Uma ótima semana para todos. “Fui”!
Afinal de contas, também sou carioca.