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Equilbrio Interior
Regina Kostta
Coluna - Regina Kostta
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PALAVRAS CRUZADAS
14 de setembro de 2009.
 

Ao assistirmos documentários sobre a evolução do Homem sobre a Terra, anos e anos para desenvolvermos habilidades que nos garantiriam sobrevivência, acasalamento, conquistas e deparamo-nos com o momento em que o Homem ‘descobre’ a linguagem: Sim, somos animais lingüísticos! Somos como tantos outros que mamamos ao nascer, mas aprendemos a falar. E como essa característica única entre as espécies animais deste planeta nos custou para ser desenvolvida! Entre um monossílabo e outro surgiu mamãe, papai, quero, vamos, bicicleta e até paralelepípedo (palavrinha que era o terror das antigas escolas primárias).

 

            O animal humano foi se aperfeiçoando em ser versátil. Ao longo dos tempos foi-se diferenciando dos demais animais justamente por essa característica: ser versátil, ser capaz de aprender e transmitir ensinamentos para os descendentes. Até aí, nada demais! Porém, ser capaz de pensar e traduzir esse ato em palavras fazendo-se entender através delas, isso sim é incrível! Pode parecer banalidade, pois hoje nos comunicamos com o mundo inteiro através de simples (no sentido de pequeníssimos) aparelhinhos – os famosos celulares. Mas nem sempre foi assim!

 

            Para chegarmos a esse nível de comunicação, foi necessário criar códigos lingüísticos (letras, fonemas, sílabas, palavras...), catalogá-los, juntá-los formando frases, parágrafos, textos, e daí, revistas, jornais, etc. Levamos muito tempo para aprender a ler e escrever, e agora, surgem novas formas de se dizer determinadas coisas com “palavras e termos” digamos, estranhos?

 

            Há pouco tempo recebi um e-mail mostrando o CARIOQUÊS (nova forma de comunicação entre os jovens no Rio de Janeiro – os cariocas) e, por incrível que pareça, até acentuaram a palavra. Selecionei alguns trechos para compartilhar com vocês, lembrando que, como as palavras não aceitam fronteiras, a linguagem usada em um lugar, caindo na ‘rede’ passa logo, logo a ser usada por uma legião de adeptos. Vejamos os exemplos:

 

Carioca não diz sim, fala já é; Não diz não entende, diz se liga; Não entra, invade; Não pede, impõe; não reclama, protesta; Não mente, manda um caô; Não fala oi, diz COÉ?

 

Carioca não fala vai (no sentido de ir embora), fala mete o pé ou vaza; Não pede desculpas, diz foi mal; Obrigado, que nada! Diz, valeu; Lembram-se quando o povo passeava? Pois é, agora dá rolé; Ouvir música? Bobagem, agora é batidão. E quando atender uma ligação telefônica, nada de alô, e sim, “fala aê!”.

 

Na sala de aula o professor pede uma idéia sobre um assunto e a galera logo grita: Manda uma real! Ao mesmo tempo, “MEU” já virou “MANÉ”, “MANO” virou “MERMÃO”, e chateado virou “BOLADO”. Também pudera! Quando se vai a algum lugar agora é: “Vou lá naquela parada.”, inclusive na escola.

 

Assim, carioca não conversa, desenrola; Não sai escondido, dá um perdido; Não pede ‘por favor’, fala ‘na moral’... Não aparece, ele ‘bota a cara’! Não diz ‘tá certo’, fala ‘tá tranquilo’ ou ‘tá dominado’!

 

Deixa comigo virou “é nóis”, ou “tamo junto” ou ‘tudo nosso’. E não me perguntem o que aconteceu, porque agora a pergunta é: “Qual foi?”, seguida ou não de MANÉ. E, se vocês não concordarem, nem adianta mandar um “COÉÉÉÉÉE PARCERO?”, porque isso aí significa “OI, tudo bem?”

 

É melhor parar por aqui! Imaginem o trabalho que nosso cérebro começa a ter para decifrar esse “dialeto”, que não pertence somente aos cariocas, é claro! O que diremos, então, sobre a Reforma Ortográfica? Além disso, daqui a pouco, ninguém mais poderá dizer que não consegue aprender outros idiomas. Porém, é bom lembrar, que construímos nossos ideais a partir da linguagem, ou seja, do nosso pensamento, e se este for confuso, onde poderemos chegar?

 

            Uma ótima semana para todos. “Fui”! Afinal de contas, também sou carioca.

 



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