Por Elizabeth Simões
O programa de rádio
Conexão Brasil, veiculado na rádio WSRO 650 AM, foi suspenso do ar na
quinta-feira (26) e poderá ter a programação encerrada na emissora. A penalidade
ocorreu depois de uma reclamação à diretoria, formalizada por um anunciante da
rádio que teria escutado acusações contra seus serviços, e que foram feitas, ao
vivo, pelos ouvintes do Conexão Brasil.
O show comandado pelo
radialista Ilton Lisboa toda quarta e quinta-feira da semana, por quase dois
anos, ganhou audiência trazendo convidados que abordaram temas sobre imigração,
segurança pública, defesa do consumidor e assistência social. Entre os programas
de maior repercussão, no ano passado, Bruce M. Foucart, chefe do Immigration
and Customs Enforcement (ICE) e Paula Granier, relações públicas deste órgão,
provocaram recorde de chamadas telefônicas numa coletiva aberta com os ouvintes
da rádio.
Ilton Lisboa ainda
detém a concessão do horário para voltar a produzir o show, mas informou que
pretende interromper a programação, “Fui impedido de entrar no ar, fique triste
com a atitude deles (refere-se a diretoria da rádio), ninguém falou comigo,
apenas recebi um recado de um amigo dizendo que eu não poderia apresentar o programa
na quinta-feira. Esse veto súbito foi um desrespeito com os meus convidados e
ouvintes, além disso, não tive oportunidade de contar a minha versão antes de
ser punido”, ele desabafou.
O radialista ainda
justificou, “Pediram que eu mudasse a maneira de fazer o Conexão Brasil e eu
não aceitei. O programa foi criado para dar voz ao povo e não vou mudar a forma
de conduzir o show. Os convidados e eu temos que ter plena liberdade para falar.
Estão tirando do povo esse privilégio, a comunidade perdeu um canal de denúncia,
orientação e dialogo”, disse Lisboa.
Os gestores da rádio
agendaram uma reunião para essa semana com Lisboa, tendo o intuito de propor um
acordo que viabilizasse a continuidade do show. Porém, no sábado, por telefone,
Lisboa confidenciou a sua decisão, “O Conexão Brasil é feito de opiniões e não
poderá ser tolhido, ele terminará”, reforçou.
Sobre a denúncia que
teria provocado o conflito, Lisboa esclareceu, “Um ouvinte me surpreendeu com a
acusação de propaganda enganosa de uma clínica dentária, eu ouvi e sugeri falar
com ele por celular após o término do show. Em seguida, todas as linhas começaram
a tocar juntas e outros clientes insatisfeitos continuaram a protestar, não tinha
como ignorar ou mudar de assunto, mas eu não difamei a imagem da empresa chamando
de enganadora ou ladrona, nem mesmo incitei nenhuma campanha contra ela. Meu
único objetivo era o de orientar as pessoas a como buscarem seus direitos”, disse
Lisboa.
O proprietário da WSRO
(AM), Alex Langer comentou o episódio, “A WSRO é uma rádio comunitária e está
segmentada no campo religioso. Nós não somos um canal de apuração jornalística
ou de teor investigativo, por isso as denúncias deixam uma atmosfera difícil de
conduzir, pois requerem um tratamento adequado para recepcionar e tratar a
informação com responsabilidade. Elas podem envolver nomes e a credibilidade de
empresas privadas em denúncias anônimas que possam faltar fundamentos e
veracidade.
A rádio também não
pode assumir o papel dos órgãos de proteção ao consumidor encarregados dessa
missão”, disse Langer.
Langer afirmou que tem
interesse na continuidade do Conexão Brasil e que simpatiza com o trabalho
executado por Lisboa. Ele acrescentou que espera obter uma conciliação na
reunião marcada.
Na próxima
quinta-feira (5), Lisboa havia convidado Mark Leonard, chefe de polícia da
cidade de Marlboro-MA. A pauta iria abordar temas como violência, trânsito e tratamento
aos indocumentados.
Enquanto Lisboa está
prestes a oficializar a sua saída na rádio, ele antecipa a sua despedida aos
ouvintes: “Não sou líder comunitário, não sou padre nem pastor. Não vendo nada
para ninguém e não sou candidato à nada. Só queria colaborar com o acesso à
cidadania dos brasileiros, mas o mérito desse trabalho nem foi meu - Ele foi
dos especialistas e das autoridades que compareceram ao Conexão Brasil e
ajudaram a orientar a todos”, concluiu Liboa.