Brazilian Times

Publicado em 11 / 03 / 2012

Devair Lucas escapa da deportação

Em uma entrevista polêmica, ele garante que continuará denunciando seus inimigos

O mineiro Devair Lucas que ficou 36 dias preso em uma cadeia federal no Condado de Plymouth, em Massachusetts, festejou na sexta-feira (09), a sua liberdade e mais ainda: com a prisão, ele obteve direito de aplicar para a cidadania dos Estados Unidos. Em uma entrevista polêmica e ao mesmo tempo festiva, ele relatou os momentos que passou na cadeia e quais os seus próximos passos.

Devair ficou conhecido na comunidade brasileira depois que ganhou asilo político neste país, sob a alegação de estar sofrendo perseguições e ameaças de morte no Brasil. Ele também iniciou um movimento para denunciar irregularidades que acontecem em algumas igrejas  nos Estados Unidos vinculadas à políticos e empresários no Brasil.

Assim que conseguiu sua liberdade e o direito de se tornar um cidadão norte-americano, a primeira coisa que Devair procurou fazer foi tentar agradecer o apoio que recebeu enquanto este preso. “Ainda falta agradecer muitas pessoas, pois recebi centenas de e-mails, ligações telefônicas e mensagens de voz me dando incentivando e orando por mim”, fala.

BRAZILIAN TIMES – Qual o verdadeiro motivo que te levou à cadeia?

DEVAIR LUCAS – Existia uma ordem de prisão contra mim expedida pela Justiça do Texas, devido eu não ter comparecido à uma audiência judicial de imigração. Eu desconhecia este mandato de prisão, ainda mais por ter usado nome falso para entrar no país.

 

BRAZILIAN TIMES – Se você usou nome falso, como conseguiu o seu Green Card?

DEVAIR LUCAS – Quando iniciou meu processo solicitando o asilo, eu avisei aos oficiais da imigração que cuidavam do meu caso que usei nome falso para sair do Brasil e não ser perseguido. Nunca escondi isso deles, por isso consegui minha liberdade e este direito de me tornar um cidadão. As autoridades perceberam o erro que cometeram ao me prender e por isso me colocaram em liberdade.

 

BRAZILIAN TIMES – Como foram os 36 dias que você esteve preso?

DEVAIR LUCAS – Quanto ao relacionamento com os presos não tenho nada que reclamar. Todos são amigos e te ajudam na medida do possível. Os guardas também me trataram muito bem. Mas um médico, que não me lembro do nome, mas tinha traços orientais e era rude demais e parecia ser anti-imigrante.

 

BRAZILIAN TIMES – O que te leva a dizer isso?

DEVAIR LUCAS – Eu disse que sofria alguns problemas de saúde e precisa de atendimento médico. Ele não me consultou e por duas vezes desmaiei na cela. Uma vez disse estar com sede, ele e outra pessoa me mandaram beber água da privada.

 

BRAZILIAN TIMES – Isso aconteceu somente com você, ou mais pessoas passam pelo mesmo descaso?

DEVAIR LUCAS – Praticamente todos os presos sofrem com o descaso deste médico. Existe um brasileiro que aguarda sua deportação que pode morrer a qualquer momento. Ele sofre de asma e ninguém lhe fornece a bombinha. Além dele outros brasileiros passam necessidades nesta prisão. Outros dois, também mineiros, passam fome, pois lá quem quiser se alimentar bem deve pagar por isso.

 

BRAZILIAN TIMES – Como assim, pagar para comer? Eles não fornecem almoço e janta normalmente?

DEVAIR LUCAS – Eles nos dão um pão com salame, ou pão com salsicha. Nada mais. Se quisermos outro tipo de alimento, temos que comprar na cantina por um valor exorbitante. Um exemplo é um pacotinho de Nissim Miojo que custa quase US$1. Por isso vou levantar mais esta bandeira.

 

BRAZILIAN TIMES – Que bandeira?

DEVAIR LUCAS – Vou procurar entidades que defendem os direitos dos imigrantes, autoridades políticas e até mesmo nosso consulado para analisar esta questão da comida e dos cuidados que os presos recebem. Não é justo uma pessoa sofrer tanto sem ter cometido crime algum (Nos EUA não é crime viver ilegalmente).

 

BRAZILIAN TIMES - Você recebeu alguma ajuda enquanto esteve preso?

DEVAIR LUCAS – Sim. Até queria agradecer o Consulado do Brasil em Boston, na pessoa de sua vice-cônsul , Maria do Socorro. Ela não apenas acompanhou o meu caso aqui nos Estados Unidos, quanto no Brasil, dando apoio aos meus familiares. Hoje estarei indo visita-la para agradecer pessoalmente.

 

BRAZILIAN TIMES – Mas voltando à sua prisão, algumas pessoas afirmaram que foi motivada por perseguição promovida pelas pessoas que você denunciou em seu livro e no site. Você acredita nisso?

DEVAIR LUCAS – De maneira alguma. Minha prisão, como eu já relatei, foi por causa desta ordem de prisão por não ter comparecido à uma audiência. Mas uma coisa eu garanto. Vou continuar meu trabalho denunciando as irregularidades que eu tenho conhecimento e provas. Inclusive o uso de algumas igrejas para a lavagem de dinheiro, apoiadas por políticos no Brasil.

 

BRAZILIAN TIMES – Existia a possibilidade de você ser deportado. Isso não lhe causava medo, haja vista que você denunciou muitas pessoas importantes no Brasil?

DEVAIR LUCAS – Eu confiava em Deus e tinha plena certeza de que Ele estaria do meu lado e evitaria que eu fosse deportado. Mas sabia que existia a possibilidade da Justiça cometer um erro e isso me deixava com um pouco de medo, pois as pessoas que denunciei têm uma lista de crimes muito grande. Qualquer pessoa teme pela vida.

 

BRAZILIAN TIMES – Esta campanha de denunciar estas pessoas não lhe traz muitos inimigos?

DEVAIR LUCAS – Sim, mas garanto que meu número de amigos é bem maior. O que eu não posso é me calar diante do que está errado. A minha vida inteira zelei por fazer a coisa certa e existe dentro de mim um espírito aguerrido que me coloca a lutar contra tudo que está errado.

 

BRAZILIAN TIMES – A sua maior conquista em 2012 foi a liberdade?

DEVAIR LUCAS – Estar livre depois de 36 dias de angústia e sofrimento é uma conquista enorme, mas esta prisão me presentou com algo melhor, que é o direito de aplicar para a cidadania. Com isso poderia legalizar meus pais e meus filhos. Deus sempre soube o que fez em minha vida e asseguro que não há provação maior do que o homem possa suportar.

 

BRAZILIAN TIMES – Além do Consulado, você teve outro tipo de apoio?

DEVAIR LUCAS – Meus amigos, pastores, empresários, ativistas. Todos me visitaram para dar o seu apoio e se colocar a disposição no que fosse preciso. Quero ter oportunidade de agradecer a todos eles pessoalmente. Sei que são muitos, mas cada carinho que recebi na prisão significa muito em minha vida.

 

BRAZILIAN TIMES – O que podemos esperar do Devair após esta prisão?

DEVAIR LUCAS - Continuarei o mesmo de sempre, lutando contra as irregularidades e denunciando em meu site todas as provas. No final do ano vou lançar a segunda edição do meu livro, desta vez apontando a corrupção, mandos e desmandos em igrejas nos Estados Unidos e apresentando provas de que algumas fazem parte deum forte esquema de lavagem de dinheiro. Quem quiser saber mais sobre o assunto é só entrar no site www.horadaverdade.com