Brazilian Times

Publicado em 17 / 03 / 2012

Espanhol barrado no Rio afirma ter sofrido retaliação

Espanhol barrado no Rio afirma ter sofrido retaliação

Mandado de volta uma hora após chegar ao Brasil, o arquiteto espanhol Pablo de Soto, 34, disse suspeitar de retaliação ao caso da brasileira.Soto foi barrado na quarta no aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio, por não ter visto de estudante para um doutorado da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).Voltou no mesmo avião que o levou ao Rio.

"Achei indignante esse caso [da brasileira]. Me solidarizo com os brasileiros desrespeitados em Madri e nos postos de imigração da Europa e milito contra isso, mas não acho que a solução seja usar as pessoas como moeda de troca", disse ele ontem, em Madrid, após 32 horas de voo.

"O Brasil podia reproduzir outras políticas da Europa e não essa nossa de controle de imigração, que é execrável."

O arquiteto, que já havia estado duas vezes no Brasil para pesquisas e conferências, alegou não saber que, desta vez, precisava de visto.

"Ninguém me informou nem eu busquei me informar. Evidentemente que se soubesse teria feito o visto daqui."

Soto contou ter sido parado pelo controle de imigração ao apresentar seu doutorado como motivo de entrada.

O policial -que tinha seu passaporte espanhol em mãos, mas não mencionou sua nacionalidade em nenhum momento- chamou um superior que, diz Soto, chegou a ligar para a UFRJ, mas recusou o certificado de matrícula que o arquiteto apresentou.

"Desde o início ele me dizia: você vai voltar para casa hoje."

Embora barrado, Soto já tramita em Madri o visto de estudante para voltar ao Brasil e cursar o doutorado.

Em duas semanas, o Brasil começa a aplicar formalmente aos espanhóis que entrarem no Brasil as mesmas exigências de Madri a brasileiros.

Para barrá-lo, os agentes federais tomaram como base a decreto 86.715, de 1981, que trata da situação jurídica do estrangeiro no Brasil. O artigo 51 diz que o estrangeiro pode ser impedido de entrar por falta de documentação.

A coordenação do curso de doutorado da Escola de Comunicação da UFRJ, em que ele está matriculado, informou que a seleção dos alunos é feita por critérios acadêmicos.

"A UFRJ não tem função de polícia", afirma Ivana Bentes, coordenadora do curso.