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Editorial - Imigração
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Cemitério nos EUA recebe imigrantes 'esquecidos'
14 de setembro de 2012.

da redação

Um cemitério no Estado americano da Califórnia tem centenas de túmulos de imigrantes que não conseguiram completar vivos a travessia da fronteira entre o México e os Estados Unidos, que fica a apenas 15 quilômetros do local.

No cemitério de Holtville, metade dos quase 700 túmulos trazem apenas a inscrição "John Doe" ou "Jane Doe" - nome usado pelos americanos para designar pessoas que são enterradas sem ser identificadas.

Muitos dos corpos são encontrados por oficiais americanos que patrulham o vasto deserto binacional que separa o México dos Estados Unidos.

Os peritos americanos não são capazes de identificar os corpos, pois não há registros deles nos sistemas do país. Além disso, muitas famílias dos mortos sequer conseguem viajar aos Estados Unidos para identificá-los.

Acredita-se que grande parte destes corpos sejam de pessoas que viajavam ilegalmente em busca do "sonho americano".

"Não Esquecidos"

"Não Esquecidos"

O cemitério é custeado pelo Estado, que é obrigado por lei a dar um enterro a todos aqueles que não possam pagar por isso. São túmulos que ninguém visita.

"As famílias não têm dinheiro e nem sabem onde estão [os desaparecidos]. Por isso, nem mesmo um serviço religioso é feito", diz o coveiro Martín Sánchez.

Apesar de não existirem estatísticas oficiais, acredita-se que algo entre 180 e 280 pessoas morrem por ano tentando fazer a travessia entre o México e os Estados Unidos pela fronteira próxima a Holtville.

"A travessia está mais perigosa. Há mais agentes, a presença do narcotráfico aumentou a violência e também existem muitos que se aventuram por terrenos mais inóspitos, por acreditarem ser menos controlados", disse Enrique Morones, diretor do Ángeles de la Frontera, um grupo dedicado a ajudar imigrantes.

Os enterros em Holtville começaram nos anos 1990, após a construção de um muro na divisa do México com os Estados Unidos e o lançamento de uma operação chamada Gatekeeper ("guardião do portão"), do governo Bill Clinton, de fiscalização das fronteiras.

Desde 1993, estima-se que 3,8 mil pessoas morreram naquele trecho da fronteira. Outras entidades, como a Coalizão de Direitos Humanos de Tucson, afirmam que até seis mil pessoas perderam a vida.

Todos os meses, Morones traz dezenas de estudantes secundários para Holtville, para que eles possam ajudar a "manter viva a memória" dos imigrantes mortos. Eles colocam pequenas cruzes nos túmulos, com a epígrafe "No Olvidados" ("Não Esquecidos").

"Estas centenas de seres humanos ainda não descansam em paz. Nem um serviço digno, nem terra têm. Nem famílias que sabem que morreram. Isso é uma crise humana aqui mesmo, dentro dos Estados Unidos", diz Morones.

Questões financeiras diminuíram o uso do cemitério. Muitos dos corpos têm sido cremados, já que cada lote em Holtville custa cerca de US$ 1 mil (mais de R$ 2 mil) aos cofres públicos.

Coiotes

A travessia do deserto na fronteira é uma tarefa que se prova fatal para a maioria dos imigrantes. Na faixa de terra que se estende por 55 quilômetros, as temperaturas podem chegar a até 50 graus.

O deserto parece ser pouco controlado. A olho nu, só se percebe as barricadas que foram montadas para impedir o trânsito de veículos, e que seriam facilmente dribladas por alguém a pé.

Mas as aparências enganam. A região está repleta de câmeras de segurança, sensores de movimento e câmeras infravermelhas. Os patrulheiros dizem que é possível prender imigrantes ilegais em questão de minutos. São 1,2 mil oficiais fiscalizando o local.

Prisões já não chegam nem a ser noticiadas mais pela imprensa. Cerca de cem pessoas são presas por dia - totalizando 33 mil em 2011.

Mas o maior obstáculo aos imigrantes é a natureza. Acredita-se que no verão, ninguém sobrevive por mais de duas horas no deserto, morrendo de desidratação. Também existe na região um canal de apenas 75 metros de largura, mas com forte correnteza, onde um terço dos corpos são encontrados.

Os corpos mortos que chegam ao lado americano são de responsabilidade das autoridades forenses. Cerca de 40% dos casos são resolvidos com autópsia. Mas muitos não podem ser identificados devido ao estado deplorável dos corpos.

"Se morrem no deserto e os corpos não são encontrados rapidamente, a atividade animal deteriora os restos e fica impossível identificar estes imigrantes", diz à BBC o supervisor forense Thomas García.

"Os coiotes comem até mesmo os ossos."

Brazilian Times
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