Um imigrante mexicano foi morto e pelo menos 200 pessoas foram presas durante uma operação de agentes federais dos Estados Unidos em fazendas do sul da Califórnia, realizada na quinta-feira (10). A ação, que envolveu veículos militares, helicóptero e agentes fortemente armados, ocorreu nas comunidades de Santa Bárbara e Camarillo, próximas à fronteira com o México.
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Imigrante morre e 200 são presos em megaoperação contra trabalhadores rurais na Califórnia
Da redação
Um imigrante mexicano foi morto e pelo menos 200 pessoas foram presas durante uma operação de agentes federais dos Estados Unidos em fazendas do sul da Califórnia, realizada na quinta-feira (10). A ação, que envolveu veículos militares, helicóptero e agentes fortemente armados, ocorreu nas comunidades de Santa Bárbara e Camarillo, próximas à fronteira com o México.
A vítima fatal foi identificada como Jaime Alanis, trabalhador rural que há dez anos colhia tomates na região. Ele morreu após sofrer graves lesões durante a operação, incluindo fratura no crânio e rompimento de uma artéria. Segundo relatos da família, Alanis ligou para a esposa no México durante a operação e informou que estava escondido com outros colegas de trabalho. Pouco depois, foi levado ao hospital, onde não resistiu aos ferimentos. As autoridades afirmam que ele teria caído de um telhado, mas familiares contestam a versão.
A operação foi conduzida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), sob ordens do presidente Donald Trump. Durante a ação em Camarillo, manifestantes que demonstravam solidariedade aos trabalhadores foram reprimidos com cassetetes, balas de borracha e bombas químicas, incluindo gás lacrimogêneo. Dezenas de pessoas ficaram feridas e quatro cidadãos americanos também foram presos.
Imagens divulgadas por redes de TV mostraram a violência da operação: homens e mulheres sendo contidos com as mãos amarradas, agentes com roupas militares e máscaras de gás, e crianças fugindo em meio às bombas.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, condenou duramente a ação e divulgou um vídeo mostrando crianças chorando após a prisão de suas mães. “Trump me chama de ‘Newscum’, mas ele é quem representa a verdadeira escória”, declarou o governador.
O deputado federal Salud Carbajal também criticou a operação, afirmando que agentes federais estavam “intencionalmente criando medo e ansiedade”. Ele denunciou ainda que, por ser democrata, teve o acesso ao local negado.
A fazenda Glass House Farms, onde parte da ação aconteceu, confirmou que todos os mandados de busca foram cumpridos. A empresa, que cultiva tomates, pepinos e cannabis com licença legal, possui documentos em dia e é conhecida por apoiar financeiramente o Partido Democrata.
Na sexta-feira (11), dezenas de pessoas se aglomeravam na entrada da fazenda de Camarillo para buscar informações sobre parentes presos e recuperar veículos deixados no local. Muitos ainda não sabiam para onde os detidos foram levados.
O caso ganhou novos contornos de tensão com a notícia da prisão de um paisagista hondurenho que foi perseguido até um centro cirúrgico. A equipe médica exigiu um mandado judicial e identificação dos agentes antes de permitir a prisão, destacando os conflitos legais em torno da atuação federal.
O governo Trump, que já havia enviado a Guarda Nacional para reforçar as ações, anunciou o envio de uma nova caravana de agentes armados e montados a um parque em Los Angeles, ampliando o temor nas comunidades imigrantes da Califórnia.
Organizações de direitos civis e lideranças políticas prometem levar o caso à Justiça e denunciar internacionalmente as violações cometidas durante a operação.




