A GHF respondeu às acusações dizendo que elas são “completamente falsas” e que o autor das denúncias foi demitido por má conduta.
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Crise humanitária em Gaza mobiliza críticas e denúncias internacionais
Após pressões crescentes da comunidade internacional, Israel anunciou medidas em meio à grave situação humanitária em Gaza. Na última sexta-feira, Alemanha, França e Reino Unido divulgaram uma nota conjunta pedindo o fim imediato das restrições à entrada de ajuda humanitária no território palestino.
Os países europeus classificaram a situação como uma “catástrofe humanitária” e exigiram o encerramento das hostilidades, ressaltando que Israel deve respeitar o direito humanitário internacional. “Impedir a chegada de ajuda essencial à população civil é algo inaceitável”, afirmaram.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, também se pronunciou com indignação. Em discurso durante a assembleia da Anistia Internacional, lamentou a falta de ação da comunidade internacional: “É difícil explicar o grau de indiferença e omissão que temos testemunhado — há ausência de compaixão, de verdade e de humanidade”.
Segundo Guterres, mais de mil palestinos morreram desde o fim de maio ao tentar obter alimentos. Essas mortes ocorreram após a Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Estados Unidos e Israel, iniciar a distribuição de suprimentos como alternativa à assistência coordenada pela ONU.
Um ex-agente de segurança dos EUA que trabalhou com a GHF entre maio e junho deste ano fez sérias acusações em entrevista à BBC. Anthony Aguilar declarou ter presenciado crimes de guerra cometidos pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) e por contratados americanos, que, segundo ele, usaram munições reais, artilharia pesada e tanques contra civis nos pontos de distribuição de alimentos.
“Em toda a minha carreira militar, jamais vi tamanha brutalidade e uso desnecessário e indiscriminado de força contra civis como presenciei em Gaza”, afirmou Aguilar, veterano do exército americano.
A GHF respondeu às acusações dizendo que elas são “completamente falsas” e que o autor das denúncias foi demitido por má conduta.
Enquanto isso, o futuro das negociações por um novo cessar-fogo e pela libertação de reféns permanece incerto. Tanto os EUA quanto Israel retiraram suas equipes de mediação do Catar. O presidente americano, Donald Trump, acusou o Hamas de não demonstrar vontade de negociar: “Acho que eles querem morrer”, declarou.
O Hamas, por sua vez, expressou surpresa com as declarações dos EUA. Um líder do grupo disse à BBC que, até o momento, os mediadores garantiram que as conversas seguem em curso e que representantes israelenses devem voltar a Doha na próxima semana.
A guerra em Gaza teve início após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 pessoas sequestradas. Desde então, mais de 59 mil palestinos perderam a vida, segundo o Ministério da Saúde local, administrado pelo Hamas. A infraestrutura do território está devastada, com mais de 90% das casas danificadas ou destruídas e uma população amplamente deslocada diversas vezes desde o início do conflito.




