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Revista Brazilian Times # 86
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ICE deporta adolescentes e crianças em batidas de imigração. Aqui estão suas histórias

Em 29 de maio, uma cadeira ficou vazia na sala da quarta série em uma escola de Torrance, Califórnia. Martir Garcia Lara, o aluno ausente, não compareceu às aulas. Naquele mesmo dia, a cerca de 30 quilômetros dali, ele e seu pai foram detidos por agentes da Imigração dos EUA (ICE) durante uma audiência de imigração em Los Angeles. Ambos foram levados a um centro de detenção no Texas e, depois, deportados para Honduras.

Em 29 de maio, uma cadeira ficou vazia na sala da quarta série em uma escola de Torrance, Califórnia. Martir Garcia Lara, o aluno ausente, não compareceu às aulas. Naquele mesmo dia, a cerca de 30 quilômetros dali, ele e seu pai foram detidos por agentes da Imigração dos EUA (ICE) durante uma audiência de imigração em Los Angeles. Ambos foram levados a um centro de detenção no Texas e, depois, deportados para Honduras.

Martir foi um dos pelo menos cinco jovens deportados com seus pais desde o início do segundo mandato de Donald Trump. Ele deixou para trás amigos, a escola e um irmão que continua vivendo nos EUA.

“Seu desaparecimento impactou não apenas a escola, mas também a comunidade. Muitos torciam por seu retorno seguro”, afirmou Sara Myers, porta-voz do distrito escolar de Torrance, ao USA TODAY.

Segundo o Departamento de Segurança Interna, o pai de Martir entrou ilegalmente nos EUA em 2021 com o filho e teve a deportação ordenada por um juiz em 2022. Todos os recursos legais se esgotaram, disse a porta-voz Trisha McLaughlin.

“Eu estava com medo de vir para cá”, disse Martir à rede ABC7, em espanhol, já em Honduras. “Quero ver meus amigos de novo. Todos estão lá. Sinto muita falta deles.”

A administração Trump intensificou as ações do ICE. Dados da agência mostram que as detenções diárias dobraram. O Congresso aprovou um projeto de lei que aumentou em US$ 75 bilhões o financiamento da agência.

Embora a Casa Branca diga que não visa diretamente crianças, diversas organizações e testemunhos apontam que muitas foram deportadas junto aos pais ou sozinhas.

Da Califórnia a Maryland, de Detroit à Louisiana: histórias de dor

Em Silver Spring, Maryland, uma estudante do ensino médio foi deportada para a Guatemala. O caso gerou protestos de colegas, que organizaram uma passeata escolar. “Estamos com o coração partido”, escreveu o grupo de alunos que liderou o ato.

Em Detroit, Maykol Bogoya-Duarte, estudante prestes a se formar, foi detido por não ter carteira de motorista. Ele havia entrado nos EUA em 2022 e estava a apenas 3,5 créditos de se formar quando foi deportado para a Colômbia. Sua professora, Kristen Schoettle, disse estar devastada. “Era um aluno brilhante. Foi mandado embora antes de terminar o ensino médio.”

Em Massachusetts, Marcelo Gomes da Silva, 18 anos, foi preso a caminho de um treino de vôlei. Estudante do ensino médio em Milford, ele passou seis dias detido e aguarda resposta a um pedido de asilo. Sua ausência gerou medo entre outros estudantes e famílias.

Deportações relâmpago e sem aviso

A ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) denunciou que uma mãe e seus dois filhos — cidadãos americanos — foram deportados para Honduras após comparecerem a uma audiência em New Orleans. A filha de 7 anos e o filho de 4 anos, com câncer, nasceram nos EUA. A mãe, sem antecedentes criminais, não teve tempo de buscar alternativa para os filhos.

Outro caso semelhante envolveu uma mãe e sua filha de 11 anos, também cidadã americana. Ambas foram deportadas 72 horas após uma audiência de imigração em abril.

“Esperava me formar com meus amigos”

Nory Sontay Ramos, 17 anos, honor student em Los Angeles, foi deportada com a mãe para a Guatemala no dia 4 de julho, depois de comparecerem a uma audiência. “Eu queria me formar com meus amigos, participar das corridas de atletismo com eles”, disse à NBC 4.

Clima de medo nas escolas

Com o aumento das ações do ICE, muitas escolas estão distribuindo “cartões de direitos” e orientando pais a nomear responsáveis legais para os filhos em caso de detenção.

Em Detroit, o diretor da escola de Maykol diz que considera aumentar o ensino de inglês e conscientizar os alunos sobre seus direitos.

“Temos que ser francos sobre os perigos que os não-cidadãos enfrentam hoje no país”, afirmou.

Apesar de Martir não voltar para sua escola em Torrance, a comoção gerada por sua ausência reforçou, segundo Myers, “a crença do distrito no poder do espírito humano”.

Créditos:

Por Kayla Jimenez, Ben Adler (USA TODAY), com colaboração de Max Reinhart (The Detroit News)
Reportagem original de Kayla Jimenez para o USA TODAY, com colaboração de Ben Adler (USA TODAY) e Max Reinhart (The Detroit News).
Tradução e adaptação: [Brazilian Times]

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