Ainda assim, a administração manteve o tom desafiador.
Publicidade
Publicidade
Califórnia vira símbolo de resistência, mas não lidera prisões da ICE sob governo Trump
Apesar de ser palco de protestos intensos e operações de alto impacto, a Califórnia não lidera o ranking de prisões de imigrantes pelo Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) no segundo mandato do presidente Donald Trump. Dados analisados pelo Los Angeles Times, obtidos por meio do Deportation Data Project após uma ação judicial baseada na Lei de Liberdade de Informação (FOIA), mostram que, entre 20 de janeiro e 26 de junho, Texas e Flórida superaram amplamente o estado.
Neste período, o Texas registrou 26.341 prisões — quase um quarto do total nacional —, seguido pela Flórida, com 12.982. A Califórnia, mesmo após operações maciças e presença reforçada de agentes federais, contabilizou 8.460 prisões. Em junho, quando equipes mascaradas do ICE realizaram batidas em Los Angeles, foram feitas 3.391 prisões no estado — mais que na Flórida, mas ainda metade do volume texano.
Considerando a população, a Califórnia cai para a 27ª posição, com 217 prisões por milhão de habitantes, contra 864 por milhão no Texas e números superiores em estados como Arkansas, Utah e Louisiana. Especialistas apontam que a menor taxa está relacionada à limitada cooperação com autoridades federais — reflexo do status de “jurisdição santuário” e de políticas que restringem a entrega de imigrantes às autoridades de imigração apenas em casos de crimes graves.
Nos estados republicanos, a parceria com a ICE é mais intensa. No Texas, 55% das prisões ocorreram via Criminal Alien Program, que identifica imigrantes indocumentados em presídios e cadeias; na Flórida, 46%. Na Califórnia, esse índice foi de apenas 7%. Em estados conservadores como Alabama e Indiana, a taxa ultrapassa 70%.
Apesar dos números absolutos menores, a Califórnia apresentou um salto significativo. Em fevereiro, ocupava a 30ª posição em prisões por milhão de habitantes; em junho, já era a 10ª. No estado, 60% das prisões ocorreram na Grande Los Angeles, com um aumento de 372% entre janeiro e junho — segundo maior do país, atrás apenas de Nova York.
A escalada se deu mesmo diante de resistência organizada. Grupos como a Unión del Barrio mobilizaram patrulhas comunitárias diárias, cercando agentes e alertando moradores sobre operações. Essa pressão, aliada à decisão de um juiz federal que, em 11 de julho, restringiu patrulhas baseadas em critérios como raça ou idioma, reduziu temporariamente as prisões na região. A decisão foi mantida pelo 9º Tribunal de Apelações, mas o governo Trump recorreu à Suprema Corte.
Ainda assim, a administração manteve o tom desafiador. Oficiais como Tom Homan, conselheiro de fiscalização de fronteiras, e Gregory Bovino, chefe do setor da Patrulha de Fronteira na Califórnia, afirmaram que as cidades santuário “terão mais agentes nas ruas” e prometeram intensificar ações em locais de trabalho.
Para analistas, a Califórnia tornou-se não apenas alvo de operações, mas um campo de teste político. “Se o objetivo fosse apenas aumentar deportações, há lugares onde isso poderia ser feito de forma mais rápida e eficiente”, disse Ariel Ruiz Soto, do Migration Policy Institute. “Mas aqui, a disputa é também simbólica — e por isso custa mais, em todos os sentidos.”
Publicidade




