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Revista Brazilian Times # 86
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Coluna Cataldi: O que você tem coragem de sentir?

Essa pergunta não cabe em uma conversa trivial, tampouco é um convite para respostas fáceis. Em um mundo que nos empurra para a anestesia, seja pelo excesso de informação, pela pressa do desempenho ou pela rotina programada para nos distrair, sentir profundamente tornou-se quase um ato de rebeldia.

Essa pergunta não cabe em uma conversa trivial, tampouco é um convite para respostas fáceis. Em um mundo que nos empurra para a anestesia, seja pelo excesso de informação, pela pressa do desempenho ou pela rotina programada para nos distrair, sentir profundamente tornou-se quase um ato de rebeldia.

Coragem não é apenas enfrentar riscos externos, mas sobretudo enfrentar o desconforto interno. Quem ousa sentir de verdade entra em territórios instáveis: a vulnerabilidade que expõe, o amor que desmonta, a perda que marca, a alegria que transborda e o desejo que impulsiona . O paradoxo é que fugimos justamente do que mais nos constitui. Evitamos a tristeza para não cair, o medo para não paralisar, a euforia para não nos perder. E nesse esforço de autopreservação, nos tornamos especialistas em sobreviver, mas amadores em viver.

A neurociência nos mostra que emoções não são acessórios, mas motores da existência. A dopamina impulsiona a ação, a ocitocina cria laços, a serotonina regula o humor, o cortisol alerta para o perigo. Se os hormônios são a química do sentir, nós somos o laboratório vivo. Mas o que fazemos diante disso? Muitas vezes, administramos nossas emoções como se fossem planilhas: controlando, editando, suprimindo, filtrando. Como se sentir fosse fraqueza, quando na verdade é potência.

Ter coragem de sentir é aceitar que a vida é feita de extremos e ser capaz de atravessá-los sem se esconder. É encarar o luto sem terceirizar, celebrar o êxtase sem culpa, admitir a raiva sem vergonha, acolher a ternura sem medo de parecer pequeno. É se permitir ser humano em uma época que insiste em nos tornar algoritmos previsíveis.

No fundo, talvez a verdadeira coragem não esteja em erguer defesas, mas em baixá-las. Não em blindar o coração, mas em deixá-lo exposto. Porque só sente quem está vivo, e só quem está vivo pode transformar…se

E você? De tudo o que já conquistou, correu, venceu, perdeu, acumulou e gozou… o que, de fato, você tem coragem de sentir? Me conta…

Claudia Cataldi

Jornalista, M.Sc.em Ciência Política e Relações Internacionais,

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