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Revista Brazilian Times # 83
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Dois brasileiros estão entre os mais de 100 imigrantes detidos em Massachusetts

“Isso torna nossas prisões muito mais perigosas e difíceis”, afirmou Wesling, acrescentando que, para ele, a maioria das pessoas comuns “não quer criminosos morando ao lado”.


A mais recente operação do Departamento de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), chamada “Patriot 2.0”, já resultou em mais de 100 prisões de imigrantes indocumentados em Massachusetts desde o dia 05. Entre os detidos, estão pelo menos dois brasileiros acusados de permanecerem ilegalmente no país e com histórico de envolvimento em crimes.

No sábado (06), por volta das 10:15 am, agentes detiveram Ageu de Almeida Freitas, de 42 anos, na cidade de Everett, após ele tentar resistir à prisão. O brasileiro, segundo o ICE, é um entrou legalmente nos EUA, mas ultrapassou o período permitido por seu visto. Ele também responde por uma acusação pendente de violação de ordem de proteção contra abuso, além de já ter enfrentado acusações anteriores — depois arquivadas — por violar ordens de restrição e destruir propriedade.

Durante a ação, a mulher de Freitas, que se identificou como sua esposa, implorou aos agentes: “Não façam isso! Tenho um bebê… O que vou fazer?”

Outro brasileiro de 31 anos foi detido na cidade de Framingham, também no sábado. De acordo com o ICE, ele entrou ilegalmente nos Estados Unidos e foi alvo de acusações locais de agressão e violência doméstica contra um membro da família.

Ambos os casos foram destacados pelas autoridades federais como exemplos dos riscos que, segundo elas, são ampliados pelas políticas de “cidade santuário” adotadas em diversas regiões do estado, incluindo Boston.

Foco em imigrantes com histórico criminal

Segundo David Wesling, diretor adjunto do ICE em Boston, a prioridade da operação são os imigrantes indocumentados com passagens criminais. “Nossos agentes não vão parar até localizar cada imigrante criminoso em Massachusetts”, afirmou. “Não temos um número-alvo além de ‘todos’.”

Além dos brasileiros, outros detidos durante o fim de semana incluem:

Um cidadão de Cabo Verde, de 39 anos, preso em Brockton por permanecer ilegalmente no país após ser acusado de agressão com arma perigosa.

Diversos outros imigrantes foram detidos em cidades como Lowell, Fall River, Springfield, Revere e Chelsea.

Somente na manhã do dia 06, cerca de 20 prisões haviam sido realizadas. Desde o início da operação, o número de detenções já ultrapassava 100, conforme informaram os agentes.

A ação envolve agentes de diversos estados — incluindo Texas, Califórnia e Washington — e conta com apoio de outras agências federais, como o Departamento de Justiça, DEA e ATF.

Polêmicas e resistência local

A operação ocorre em meio a um novo confronto entre o governo federal e a prefeitura de Boston. No dia 04, a administração Trump entrou com uma ação judicial contra a cidade, a prefeita Michelle Wu, o Departamento de Polícia de Boston e outras autoridades locais. O objetivo é derrubar o Boston Trust Act, legislação que proíbe a cooperação da polícia local com o ICE em prisões civis de imigrantes.

Wu classificou o processo como um “ataque inconstitucional” e garantiu que Boston “não vai recuar” em suas políticas de proteção a imigrantes.

Wesling, no entanto, critica a resistência política. “Essas leis permitem que pessoas com histórico violento voltem às ruas e tenham a oportunidade de reincidir”, disse.

Monitoramento comunitário e dificuldades operacionais

No início da operação em Chelsea, os agentes foram surpreendidos por alertas nas redes sociais avisando sobre a presença do ICE na região. Vídeos postados no TikTok e mensagens em grupos do Facebook, como os da organização Latinos Unidos en Massachusetts, ajudaram a alertar a comunidade.

“Isso torna nossas prisões muito mais perigosas e difíceis”, afirmou Wesling, acrescentando que, para ele, a maioria das pessoas comuns “não quer criminosos morando ao lado”.

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