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Última Edição #4384

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 85
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O Mentor dos Futuros Cineastas Brasileiros

Você já saiu do cinema pensando no quão sensacional seria trabalhar naquela indústria? Quão excitante seria trocar de lugar com um famoso diretor como Steven Spielberg, e ver suas criações assistidas por audiências de todo o mundo? 

Você já saiu do cinema pensando no quão sensacional seria trabalhar naquela indústria? Quão excitante seria trocar de lugar com um famoso diretor como Steven Spielberg, e ver suas criações assistidas por audiências de todo o mundo?

Aposto que se isso ocorreu, minutos depois você riu, balançou a cabeça e pensou, “Sonho bobo. Isso nunca vai acontecer comigo.”

Prepare-se. Um projeto fabuloso acabou de criar esta oportunidade.

No passado, tornar-se um diretor de cinema era realmente um privilégio para poucos. Mas esta semana, aqui em Nova Iorque, entrevistei o homem que está mudando esta mentalidade restritiva: o premiado cineasta euro-americano Karl Bardosh. Para os que não acreditam em seguir seus sonhos e cumprir sua missão de vida, apesar das dificuldades, aqui está uma inspiração.

Nascido na Hungria, em pleno regime comunista, Karl Bardosh nunca se deixou intimidar por restrições. Criado por uma família de surdos, aos 3 anos de idade ele era fluente em linguagem de sinais e leitura de lábios. Sua tia era fotógrafa profissional e possuía um prestigioso estúdio na cidade de Budapeste, empregando vários fotógrafos. O pequeno Karl, recebia as instruções da tia surda e dirigia os clientes dela durante as sessões fotográficas. Esta dinâmica durante sua infância, desenvolveu duas habilidades: imensa facilidade de expressão verbal e corporal, e um apurado senso de estética. Aos doze anos, Karl se tornou um ator infantil, participou de vários filmes e aos dezessete anos, criou um curta metragem fazendo uma metáfora sobre o holocausto. O filme, exibido em cadeia nacional na Hungria, foi um escândalo que lhe rendeu críticas e prêmios. Ainda na adolescência, o menino-prodígio tornou-se dançarino profissional e arqueiro do time olímpico de seu país. Após um acidente que lhe quebrou o braço, ele foi eliminado do time. Quando perguntei como lidou com a frustração, ele disse: “Focando em filmes. A mente fica tão envolvida no processo de contar uma história na tela que tudo se ameniza.”

 Antes de terminar a faculdade, Karl já tinha encontrado um emprego na escola de televisão local. Influenciado pelo teórico de cinema Bela Balazs, Karl se deu conta do seu propósito de vida: espalhar a linguagem cinematográfica como forma de expressão. Ou seja, fazer dos filmes uma “linguagem” e uma disciplina obrigatória em todas as escolas, criando uma democratização da mídia. Karl Bardosh não conseguiu fazer isso na Hungria comunista e, correndo altos riscos, escapou a cortina de ferro.

Após passar quase um ano na Itália, ele veio para os Estados Unidos, onde seu pai vivia. Formou-se em diretor de cinema no American Film Institute, em Hollywood. O famoso diretor John Cassavetes definiu os curtas de Karl Bartosh como obras poéticas e entre seus favoritos na categoria, e o convidou para trabalhar como assistente de direção no filme “A Woman Under the Influence”, indicado para os Oscars de melhor diretor e atriz.

Em seguida, Karl Bardosh mudou-se para Nova Iorque, e em mais de 30 anos, trabalhou com filmes, televisão e tornou-se também mentor numa das escola de cinema mais importante dos Estados Unidos. A NYU Tisch School of the Arts.

“A idéia de criar cinema com telefones celulares surgiu quando resolvi fazer um filme sobre o cineasta brasileiro-americano Arnon Dantas, que vivia entre Miami e Rio de Janeiro.”  Karl Bardosh filmou no Brasil, usando a SONY X-1000. A mesma câmera digital de mão usada no movimento Dogme-95, onde cineastas tentaram transformar o cinema numa experiência criativa, eliminando os artifícios das produções formais.

Um de seus colegas, Gabor Kindl, ajudando nessa produção, sugeriu que eles criassem um festival de curta metragens usando apenas câmeras portáteis. Eles começaram a organizar este festival de volta à Hungria democrática de 2004, e como diretor de arte do evento, Karl Bardosh disse, “Que tal incluirmos obras filmadas com câmeras de telefones celulares?”

Este festival internacional foi o primeiro globalizado na Europa a introduzir curtas filmados em telefones celulares como categoria. Logo após, Karl começou a promover a idéia pelo mundo. O primeiro festival de curtas exclusivamente filmados com celulares ocorreu na Índia, no Dr. Sandeep Marwah’s Asian Academy of Film and Television, em 2007, e então em Sydney, Austrália em 2011—o ano da criação do Iphone.

Os avanços tecnológicos e a altíssima qualidade das câmeras dos smartfones garantiram o sucesso do projeto. Outros festivais internacionais que incluem a categoria “cinema no celular” ocorrem atualmente na China, Republica Dominicana, Russia e Londres. A Rainha da Nigéria promove um festival anual com curta metragens sobre obras humanitárias. O prêmio principal leva o nome do diretor, The Karl Bardosh Humanitarian Cell Phone Cinema Award.

Em sua missão de tornar o cinema uma profissão acessível para todos, o diretor Karl Bardosh abraçou também a função de educador, o que o faz lembrar de seu primeiro papel como ator infantil, no filme “Por Favor, Professor.” Antes de entrar em sua sala de aula na faculdade NYU, lotada de alunos ansiosos para ouví-lo, o diretor me disse, “Nunca em minha juventude, me imaginei no papel de professor, mas foi algo que se tornou parte da minha missão e que adoro fazer.” Os dois programas criados e ensinados por ele na faculdade NYU —“Cinema no Celular” e “Cinema sem Desculpas”— cimentam seu legado de democratização do cinema. Estes ensinam desde a arte e edição de uma obra completamente filmada no celular, até os detalhes de produzir com um micro-orçamento, viabilizando as produções com dicas maravilhosas de onde conseguir recursos e incentivos econômicos ou gratuitos.

A febre de filmes gravados no celular ficou tão popularizada que o curso do professor foi eleito número 1 entre os dezessete cursos mais inovadores em todos os Estados Unidos, pela Campuswire, em 2019-2020. E se você quer ter uma idéia de como se pode elevar a qualidade desses projeto, assista o filme Distúrbio (Unsane) do famoso diretor de Hollywood Steven Soderbergh. A obra gravada inteiramente num Iphone, faturou mais de 14 milhões de dólares em bilheteria.

O visionário diretor, em parceria com patrocinadores Americanos como a Blue Page Press e a You Talk I Write Cinema, realizaram em outubro passado, o primeiro Festival Brasileiro de Cinema Celular, em Nova Iorque. Este, ofereceu um workshop para ensinar novos diretores brasileiros a contar histórias, através das lentes de uma câmera. Ao fim do programa, os curtas foram avaliados por um júri internacional, trazendo a vitória, em Nova Iorque, para Gislaine Murgia, com a comovente história de como ela venceu a obesidade; e meses depois, em Cannes, para Angelita de Paula, com seu filme sobre mulheres refugiadas na África. 

Sem dúvida, Karl Bardosh já mudou a vida, e ampliou os horizontes de duas novas diretoras brasileiras, e este ano, ele repete a dose. Se você é brasileiro e tem uma história a contar, inscreva-se no site do festival (TheLizaAndrewsShow.com/festival ). Quem sabe, em alguns anos, o Oscar de melhor diretor será seu?

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