“O governo falhou ao considerar os impactos que essa taxa trará a comunidades em todo o país”, afirmam os autores do processo. O caso está previsto para ser julgado em janeiro de 2026.
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Taxa de US$ 100 mil imposta por Trump ameaça programas de visto H-1B em todo o país
Programas de visto H-1B em diversas partes dos Estados Unidos podem estar sob risco após o governo do presidente Donald J. Trump instituir uma nova taxa de US$ 100 mil para empregadores que apresentarem novas solicitações.
A medida, assinada em 19 de setembro, determina o pagamento único da taxa como parte de um esforço da administração para restringir o uso do visto H-1B, destinado a profissionais estrangeiros altamente qualificados, com pelo menos diploma de bacharelado.
De acordo com dados do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), algumas das empresas que mais contratam trabalhadores por meio do programa são Amazon, Apple e Meta.
Mas, segundo Anna Gorisch, fundadora e sócia-gerente do escritório Kendall Immigration Law, o impacto pode ser sentido também em hospitais e centros de pesquisa, que dependem amplamente desses profissionais. “Meu receio é que essa taxa acabe afetando o acesso aos cuidados médicos”, afirmou.
O programa H-1B tem um limite anual de 65 mil vistos, com outros 20 mil reservados a trabalhadores com diplomas avançados. Esse limite, no entanto, não se aplica à maioria das instituições hospitalares, de ensino e pesquisa, o que lhes permite contratar conforme suas necessidades.
“Quando falamos de universidades estaduais, estamos lidando com orçamentos limitados. Essa taxa representa um gasto enorme para instituições médicas acadêmicas”, acrescentou Gorisch.
No ano fiscal de 2025, o USCIS aprovou 383 vistos H-1B para funcionários da Universidade de Michigan e 366 para a Mayo Clinic.
A preocupação também se estende a programas de incentivo ao empreendedorismo criados por estados como Massachusetts, que desde 2014 utilizam a isenção de limite do H-1B para atrair talentos estrangeiros. O Global Entrepreneur in Residence, lançado nas universidades UMass Boston e UMass Lowell, permitiu que empreendedores imigrantes trabalhassem em meio período enquanto desenvolviam seus negócios.
O programa, financiado pela Massachusetts Technology Collaborative, posteriormente se expandiu para Colorado, Michigan e Alasca. “Educar um grande número de estudantes estrangeiros e depois enviá-los de volta é um enorme desperdício”, afirmou Julie Chen, reitora da UMass Lowell.
Gorisch alerta que a nova taxa de US$ 100 mil pode colocar em risco programas desse tipo, especialmente em regiões médicas desassistidas. “Conversei recentemente com um cardiologista indiano que é o único profissional da área em um raio de 480 quilômetros”, disse.
Em 3 de outubro, sindicatos de trabalhadores da saúde e agências de recrutamento entraram com uma ação judicial contra o governo Trump, alegando que a nova cobrança prejudica hospitais, igrejas, escolas, pequenas empresas e organizações sem fins lucrativos.
“O governo falhou ao considerar os impactos que essa taxa trará a comunidades em todo o país”, afirmam os autores do processo. O caso está previsto para ser julgado em janeiro de 2026.
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