Segundo nota oficial da ICE, Ge foi visto pela equipe do centro de detenção pendurado pelo pescoço em uma sala de chuveiro (“shower room”) por volta das 5h21. Os funcionários imediatamente o soltaram, tentaram ressuscitá-lo com RCP e acionaram os serviços de emergência, mas ele foi declarado morto às 6h03 pelo legista de Clearfield County. A causa da morte, segundo a ICE, está “sob investigação”.
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Morte de imigrante chinês sob custódia da ICE em circunstâncias controversas na Pensilvânia continua sem respostas
Da redação
Clearfield County, Pensilvânia — Um imigrante chinês de 32 anos, Chaofeng Ge, foi encontrado morto na manhã de 5 de agosto no Moshannon Valley Processing Center, na Pensilvânia, sob custódia do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês). A família, ativistas e advogados exigem uma investigação completa, após surgirem alegações graves sobre a forma como ele foi encontrado.
Segundo nota oficial da ICE, Ge foi visto pela equipe do centro de detenção pendurado pelo pescoço em uma sala de chuveiro (“shower room”) por volta das 5h21. Os funcionários imediatamente o soltaram, tentaram ressuscitá-lo com RCP e acionaram os serviços de emergência, mas ele foi declarado morto às 6h03 pelo legista de Clearfield County. A causa da morte, segundo a ICE, está “sob investigação”.
A controvérsia tomou corpo quando a família de Ge, por meio de seu advogado David Rankin, afirmou que o laudo da autópsia revela algo diferente da versão oficial. Segundo Rankin, Ge foi encontrado com as mãos e os pés amarrados para trás, em uma posição conhecida como hog-tie, além de uma ligadura no pescoço feita com lençóis.
O irmão de Ge, Yangeng Ge, entrou com uma ação judicial exigindo que o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a ICE divulguem todos os registros relativos ao caso, inclusive gravações, relatórios internos e relatórios médicos.
Segundo a família, Ge teria passado por isolamento na prisão ICE porque “ninguém falava mandarim” no local, e seus pedidos por atendimento de saúde mental teriam sido ignorados.
A versão da ICE e das autoridades
De acordo com a ICE, Ge estava sob custódia há apenas cinco dias, aguardando uma audiência do Escritório Executivo para Revisão de Imigração (EOIR, na sigla inglesa).
A agência afirma ter seguido seus protocolos: notificou o Escritório de Responsabilidade Profissional da ICE, a Inspetoria-Geral do DHS e até a Embaixada da China sobre o ocorrido.
Além disso, a ICE reforça que presta “cuidados médicos abrangentes desde a chegada dos detidos” e que emergências são atendidas 24 horas.
Segundo o exame de necropsia do legista do condado, a morte foi oficialmente registrada como suicídio por enforcamento.
Críticas de ativistas e defensores de imigrantes
Grupos de direitos de imigrantes criticam fortemente as condições no Moshannon Valley Processing Center. Segundo ativistas, a instalação — operada pela GEO Group, empresa privada de administração prisional — tem histórico de denúncias sobre superlotação, negligência médica, isolamento prolongado e falta de supervisão.
A família de Ge retorna essas críticas, afirmando que ele não recebeu assistência adequada para lidar com seu estado psicológico, especialmente considerando a barreira linguística e a natureza abrupta de sua detenção.
O que está em jogo
A ação judicial movida por Yangeng Ge (irmão) busca um mandato judicial para forçar DHS e ICE a entregar documentos detalhados sobre o que aconteceu, incluindo a autópsia completa, relatórios internos e gravações.
A controvérsia alimenta um debate mais amplo sobre a transparência e responsabilidade nas prisões privadas de imigração, especialmente quando envolvem mortes sob custódia.
Ativistas pedem fechamento ou reforma da instalação de Moshannon, exigindo monitoramento mais rigoroso e melhores condições de saúde mental para detidos.
A morte de Chaofeng Ge levantou sérias questões sobre a forma como a ICE administra a custódia de imigrantes, especialmente nas instalações privadas. A divergência entre a versão oficial da agência e as alegações da família intensifica uma demanda por respostas claras e por responsabilização. Com a ação judicial em curso, vigilância pública e transparência serão cruciais para que se evite que outros casos similares fiquem sem explicações.
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