Dezembro chegou, trazendo consigo o clima mais festivo do ano. É tempo de confraternizar, trocar presentes e celebrar. Mesmo aqueles que não se identificam com as festividades, em alguma medida, acabam envolvidos pela atmosfera natalina que toma conta das cidades, do comércio e das relações sociais.
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Coluna Debora Corsi: O PRAZO DE VALIDADE DA SOLIDARIEDADE
Dezembro chegou, trazendo consigo o clima mais festivo do ano. É tempo de confraternizar, trocar presentes e celebrar. Mesmo aqueles que não se identificam com as festividades, em alguma medida, acabam envolvidos pela atmosfera natalina que toma conta das cidades, do comércio e das relações sociais.
Nas empresas, as equipes se preparam para o tradicional amigo oculto, um convite quase irrecusável diante do entusiasmo coletivo e, muitas vezes, da insistência do gestor. Nas lojas, a decoração em tons de vermelho, verde e dourado domina os corredores, embalada por trilhas natalinas que se repetem a cada temporada. Nos supermercados, as promoções destacam itens clássicos para a ceia, e não é raro encontrar colaboradores que adotam o gorro do Papai Noel como acessório símbolo de celebração.
Prefeituras e centros urbanos investem parte do orçamento na iluminação das regiões centrais, repletas de luzes e enfeites que encantam quem circula pelas vias principais. Nas ruas, o movimento se torna mais afetivo: desconhecidos se cumprimentam com sorrisos e votos de felicidades, motoristas do transporte coletivo, muitas vezes ignorados durante o ano, agora recebem um olhar mais atento e palavras de gentileza.
Nas casas, pinheiros ornamentados disputam espaço com caixas de presente, espalhando a simbologia típica do mês. Para muitos, porém, essa vivência afetuosa tem prazo certo para acabar, quase como se dezembro provocasse um efeito emocional passageiro, uma sensibilidade temporária que se encerra após o dia 25. Surge então a pergunta inevitável: por que a empatia, o cuidado e o amor ao próximo não se mantêm vivos durante o ano inteiro?
Enquanto a maioria celebra os compromissos típicos da data, há quem caminhe na contramão da festa. São pais, mães, filhos e amigos vivendo o primeiro, segundo ou terceiro Natal sem alguém que ocupava um lugar insubstituível à mesa. São divorciados que ainda tentam se reencontrar após a dor da ruptura, moradores em situação de rua que observam, da calçada, sacolas e embrulhos circulando entre mãos apressadas. São crianças nos sinais enxergando brinquedos dentro de carros, segurados por pequenos que poderiam ser seus amigos, em uma realidade que parece distante e inalcançável.
É nesse cenário, enquanto dezembro sensibiliza os corações, que surge um convite à reflexão para o leitor do Brazilian Times. Pequenas ações podem ser potentes instrumentos de mudança e esperança. Separar roupas limpas e em bom estado e deixá-las reservadas no carro para entrega. Preparar um pacote simples com itens de higiene pessoal, como sabonete, escova de dente, pasta dental, desodorante, meia, toalha, pente e um hidratante. Observar mulheres e famílias em vulnerabilidade nas marquises, nas ruas, no trajeto para casa e oferecer não apenas objetos, mas cuidado e dignidade.
A criatividade e o gesto humano fazem diferença. Oferecer um panetone ao trabalhador que recolhe o lixo semanalmente. Convidar a vizinha que enfrentará a data em silêncio, sem companhia. Dirigir um cumprimento sincero àqueles que passaram os demais meses invisíveis aos nossos olhos.
Que dezembro inspire mais do que um período. Que as ações brotadas nos 30 dias mais iluminados do ano ecoem para além do calendário, concedendo novos significados, brilho e propósito aos 365 dias que virão em 2026.
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