Publicidade

Publicidade

edição ma

Edição MA 4388

Última Edição #4388

Edição MA 4388

BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
Última Edição #86

Newark-NJ: “Por favor, cuidem do meu filho”, implora mãe brasileira detida em operação da ICE no Ironbound

A imigrante brasileira Camila Neves Klink passou os feriados nos últimos quatro anos na casa de sua melhor amiga, que também é madrinha de seu filho de 1 ano. Mas ela não esteve presente na mesa de Ação de Graças este ano. Em vez disso, Neves Klink estava dentro do Delaney Hall, o centro de detenção de imigrantes em Newark, comendo atum enlatado e sopa que lhe foram doados por seus entes queridos.

A brasileira Camila Neves Klink, que nos últimos quatro anos passou os feriados na casa de sua melhor amiga — também madrinha de seu filho de 1 ano — não pôde ocupar seu lugar à mesa neste Dia de Ação de Graças. Em vez disso, passou a data no centro de detenção Delaney Hall, em Newark, alimentando-se de atum enlatado e sopa enviada por familiares.

Neves Klink está entre os 13 trabalhadores do Ocean Seafood Depot, em Newark, detidos por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na manhã de 19 de novembro. Cerca de 20 agentes federais, encapuzados e vestidos com coletes à prova de balas, invadiram o centro de distribuição no bairro Ironbound — a segunda ação do tipo no mesmo local apenas neste ano. A operação ocorreu em cumprimento a um mandado de busca e apreensão relacionado a uma investigação criminal, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS).

A melhor amiga de Neves Klink, que pediu para não ser identificada, contou ao TAPinto Newark que recebeu às 9h19 um áudio desesperado da brasileira: “A imigração está aqui. Vou ser detida. Por favor, cuidem do meu filho.”
“Eu comecei a chorar. Depois disso, ela não conseguiu mais enviar nada”, relatou.

Temendo viajar, a amiga inicialmente hesitou em buscar Ethan, o bebê de um ano, mas conseguiu alinhar com o pai da criança os cuidados imediatos. Depois, levou Ethan para sua casa, onde ele passou o feriado prolongado.

Segundo ela, Neves Klink está emocionalmente abalada: “Ela só chora e pergunta quem está cuidando do filho. Repete que não pode ser deportada.” A amiga contou que a brasileira liga duas ou três vezes por dia e também pediu ajuda para conseguir advogado e comida, já que, segundo relatos, a alimentação no Delaney Hall é de má qualidade: “Ela só conseguiu tomar banho dois dias depois de ser fichada.”

Organizações comunitárias, como o Movimiento Cosecha e o grupo Novo Trabalho, passaram a apoiar familiares dos trabalhadores detidos. O foco principal tem sido orientação jurídica e auxílio para que os parentes consigam acessar advogados e os sistemas de comunicação do centro de detenção.

Haydi Torres, do Movimiento Cosecha, afirma que muitos detidos permanecem em completo desespero: “Eles não sabem que perguntas fazer, como colocar crédito no telefone ou acessar o refeitório. Tentamos guiá-los, mas os recursos jurídicos são extremamente limitados.”

Torres destacou ainda que várias mulheres detidas aceitaram assinar ordens de deportação ou saída voluntária após a audiência inicial, devido às condições precárias do Delaney Hall. Segundo ela, o local está superlotado — ultrapassando sua capacidade de mil pessoas — e enfrenta atrasos constantes em refeições e visitas.
“As famílias ficam horas no frio esperando para visitar seus entes queridos. E mesmo assim, muitas vezes voltam sem serem atendidas”, disse.

A ativista relatou que alguns dos 13 detidos foram liberados após processamento em Newark por terem adiamento de julgamento (deferred action), o que suspende temporariamente uma deportação. Porém, ela não tem registro de novas liberações e acredita que as transferências para outros centros devem ocorrer nas próximas semanas.
“É angustiante. As pessoas simplesmente ‘somem’ no sistema, e só sabemos onde estão quando conseguem ligar”, explicou.

Para Neves Klink, optar pela deportação não é uma possibilidade, já que seu filho pequeno depende dela.
“Ela veio legalmente para os EUA, nunca teve problemas com a Justiça, paga impostos e é uma pessoa íntegra”, afirmou a amiga, que criou uma campanha no GoFundMe para tentar contratar um advogado particular, já que a demanda por assistência jurídica gratuita é muito alta.

Torres teme que novas ações do ICE continuem acontecendo em Nova Jersey:
“Só este ano, mais de 150 trabalhadores foram presos em armazéns ou locais de trabalho. A tendência é que essas operações se intensifiquem — e isso apavora toda a comunidade”, alertou.

📱 Baixe o app Brazilian Times — Grátis

Publicidade

Brazilian Times
Brazilian Times
Grátis · Google Play
BAIXAR
×