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Revista Brazilian Times # 86
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Brasileira, mãe de sobrinho da Secretária de Imprensa de Trump, diz que governo espalhou “mentiras nojentas” sobre ela

Enquanto o caso avança nos tribunais, a divergência pública entre a versão oficial e os registros apresentados por Bruna e sua família deve manter o episódio no centro do debate nacional sobre imigração, transparência e uso político de narrativas oficiais.


A brasileira Bruna Ferreira, mãe do sobrinho da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rebateu publicamente a versão divulgada pelo governo sobre sua prisão pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Em entrevista exclusiva ao The Washington Post, Ferreira afirmou que o governo está espalhando “mentiras nojentas” a seu respeito e que manteve, por anos, uma relação próxima com a família Leavitt.

Bruna, detida desde 12 de novembro em Louisiana, contou que foi presa enquanto buscava o filho — hoje sob guarda do pai, irmão de Leavitt. Segundo ela, a Casa Branca tem apresentado uma narrativa distorcida, descrevendo-a como “criminosa recorrente” e “mãe ausente” que não teria contato com a família há anos.

“Pedi para Karoline ser madrinha da minha única irmã. Eu confiava nela. Não consigo imaginar porque estão criando essa história”, declarou Bruna durante a entrevista por vídeo.

A versão oficial divulgada pelo governo sustenta que Bruna permaneceu por décadas nos Estados Unidos após vencer o prazo de permanência em seu visto de turista e teria histórico de conduta violenta. Contudo, de acordo com o The Washington Post, documentos judiciais, registros escolares e fotografias de família contradizem a alegação de que ela estivesse afastada da vida do filho ou da família Leavitt.

Fontes próximas ao caso afirmam que a brasileira compartilhava responsabilidades parentais e participava ativamente da rotina do menino. O jornal também indica que o suposto incidente de “battery” mencionado por autoridades ocorreu quando Bruna era menor de idade e não resultou em condenação.

A detenção atraiu atenção nacional por envolver uma parente próxima de uma das principais porta-vozes do governo Donald Trump, cuja política imigratória é marcada por endurecimento e operações em larga escala. Especialistas apontam que o caso expõe tensões entre narrativa política e fatos documentais.

A defesa de Bruna sustenta que a prisão foi excessiva e que o governo tenta enquadrá-la como caso-modelo na atual campanha federal de deportações. “Ela não tem histórico criminal e sempre esteve presente na vida do filho”, afirmou o advogado, que acusa a Casa Branca de manipular informações.

Decisão judicial e próximos passos

Uma juíza de imigração determinou a libertação de Bruna mediante fiança de US$ 1.500 e monitoramento eletrônico. Mesmo com a decisão favorável, o processo de remoção continua em andamento, e ela ainda pode enfrentar deportação.

Enquanto o caso avança nos tribunais, a divergência pública entre a versão oficial e os registros apresentados por Bruna e sua família deve manter o episódio no centro do debate nacional sobre imigração, transparência e uso político de narrativas oficiais.

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