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Revista Brazilian Times # 83
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Brasileiro é abordado pelo ICE ao sair de casa em Massachusetts e passa 26 dias preso

O brasileiro Celso Silva, que reside em Lynn (Massachusetts) foi detido por agentes do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE) durante uma abordagem em via pública, a poucos metros de sua residência, e permaneceu 26 dias preso em centros de detenção federais, passando por Massachusetts, Nova York e Louisiana, até conseguir a liberdade mediante pagamento de fiança.

O brasileiro Celso Silva, que reside em Lynn (Massachusetts) foi detido por agentes do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE) durante uma abordagem em via pública, a poucos metros de sua residência, e permaneceu 26 dias preso em centros de detenção federais, passando por Massachusetts, Nova York e Louisiana, até conseguir a liberdade mediante pagamento de fiança.

Era o início de uma manhã aparentemente comum quando Celso Silva entrou em sua van para ir ao trabalho. Após dirigir poucos metros, ele parou atrás de uma Dodge Ram branca, próxima a uma esquina, a menos de 100 metros de sua casa. Inicialmente, pensou que o motorista à frente estivesse distraído, já que o veículo não se movia. Pouco depois, no entanto, a situação mudou rapidamente.

Um homem surgiu pelo lado esquerdo do carro, outro pelo lado direito e, em seguida, um terceiro se aproximou segurando uma ferramenta. Os três se identificaram e passaram a interrogá-lo. Luzes começaram a piscar no veículo à frente e, naquele momento, Celso percebeu que estava sendo abordado por agentes do ICE.

Questionado se era cidadão norte-americano, Celso informou que estava em processo de obtenção do Green Card, por meio de um pedido de asilo humanitário, além de possuir carteira de motorista válida e autorização de trabalho. Mesmo assim, segundo ele, os agentes afirmaram que isso “não importava” e que ele seria levado sob custódia.

“Parecia que o chão tinha desaparecido. Tudo o que eu construí passou diante dos meus olhos”, relatou. Celso afirmou que pediu para ligar para a esposa e para o advogado, mas teve o pedido negado.

Um dos agentes estacionou a van de Celso na lateral da rua, recolheu as chaves e deixou o veículo abandonado. Ele foi algemado e colocado em um carro com outros imigrantes. O grupo foi levado ao estacionamento do Departamento de Polícia de Peabody, onde permaneceu por cerca de quatro horas dentro do veículo, algemado.

Em seguida, Celso foi transferido para o Centro de Detenção de Burlington (Massachusetts), onde passou pelo processo de registro. No mesmo dia, os detidos foram levados em 17 vans até um aeroporto na cidade. Durante o voo, todos estavam algemados nas mãos, nos pés e com uma corrente presa à altura da barriga.

O destino foi a Buffalo Federal Detention Facility, em Batavia, no estado de Nova York. No local, Celso foi colocado em uma cela com 42 imigrantes, embora a capacidade fosse para apenas 15 pessoas. Havia apenas um espaço para necessidades fisiológicas. “Foi horrível”, resumiu.

Ainda no mesmo dia, houve nova transferência em um avião lotado. O barulho da aeronave somado ao som das correntes aumentou o abalo emocional. No centro de detenção, Celso conheceu outros brasileiros presos por questões imigratórias.

Pai de um filho autista, ele relatou que passou grande parte do tempo pensando na criança e em como a esposa lidaria sozinha com a situação. “Isso abala demais o nosso lado emocional”, afirmou.

Nos primeiros três dias, Celso ficou em uma cela sem contato com a família ou advogado, usando a mesma roupa com que havia sido detido. Disse que passou o período em oração, pedindo forças e tentando preservar a saúde mental. Posteriormente, foi transferido para uma área maior, com espaço aberto e quadra.

Ele permaneceu 10 dias em Buffalo e depois foi transferido para o Jackson Parish Correctional Center, na Louisiana, onde conheceu histórias semelhantes de outros imigrantes.

A audiência ocorreu dentro do próprio centro de detenção e durou cerca de 15 minutos. O promotor alegou que o sponsor não teria condições de custear Celso. A defesa argumentou que ele não possui antecedentes criminais nem no Brasil nem nos Estados Unidos e apresentou documentação complementar.

Após analisar o caso, a juíza decidiu conceder liberdade mediante fiança de US$ 10 mil. A esposa de Celso conseguiu arrecadar parte do valor por meio de campanhas e com apoio de membros da igreja que frequentam. O boleto, que poderia levar até três dias para ser emitido, ficou pronto no dia seguinte e foi pago imediatamente.

Apesar de ser uma sexta-feira, o que poderia atrasar os trâmites, Celso manteve a confiança de que sairia rapidamente. Durante uma chamada para visita, foi informado de que já estava livre, o que gerou emoção e choro entre os detentos.

Antes de deixar o local, ele orou pedindo proteção para os que permaneciam presos.

Após sair do presídio, Celso passou a noite em um hotel, sem conseguir dormir, tomado por sentimentos mistos de alívio, emoção e exaustão. No dia seguinte, retornou a Boston e reencontrou a família. O primeiro gesto em liberdade foi um abraço emocionado no filho, encerrando um período que ele define como um dos mais difíceis de sua vida. (Fonte: Nossa Radio USA)

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