A brasileira Grazielli Chiosque, hoje cidadã norte-americana, denuncia um impasse entre agências de imigração dos Estados Unidos que mantém sua esposa, Xiomara Suárez, de 28 anos, presa há meses em um centro de detenção do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) em Adelanto, Califórnia, mesmo sendo casada com uma cidadã dos EUA e elegível ao processo de ajuste de status.
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Brasileira denuncia impasse entre ICE e USCIS que mantém esposa detida na Califórnia apesar de elegibilidade para status legal
A brasileira Grazielli Chiosque, hoje cidadã norte-americana, denuncia um impasse entre agências de imigração dos Estados Unidos que mantém sua esposa, Xiomara Suárez, de 28 anos, presa há meses em um centro de detenção do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) em Adelanto, Califórnia, mesmo sendo casada com uma cidadã dos EUA e elegível ao processo de ajuste de status.
O caso expõe falhas de coordenação entre o ICE (Immigration and Customs Enforcement), o USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração) e o Judiciário de imigração, resultando em uma situação que advogados e ativistas classificam como um vácuo jurídico, no qual a pessoa detida permanece presa sem avanço processual.
Xiomara Suárez, natural de Lima, no Peru, vive nos Estados Unidos desde 2022, quando entrou no país por meio de “autorização humanitário”, concedido em razão de sua orientação sexual. Segundo Grazi, a esposa não possui histórico criminal, nunca perdeu check-ins com o ICE, não tem ordem de deportação e estava seguindo normalmente os trâmites imigratórios.
A detenção ocorreu durante uma entrevista de rotina no escritório do ICE em Los Angeles, cidade onde Xiomara reside. Grazi estava na Pensilvânia, onde trabalha para o governo federal, quando recebeu a notícia.
O casal se casou legalmente em fevereiro de 2025 e está junto há pouco mais de um ano. Em 3 de dezembro, o Departamento de Serviços de Cidadania e Imigração (USCIS, sigla em inglês) agendou a entrevista do processo de ajuste de status de Xiomara. Grazi compareceu à entrevista, já que a esposa estava detida, mas recebeu uma resposta inesperada.
De acordo com o USCIS, o processo não poderia ser concluído enquanto Xiomara permanecesse sob custódia do ICE. Ao mesmo tempo, o ICE se recusou a libertá-la ou a avançar no caso. A situação se agravou quando o juiz de imigração declarou não ter jurisdição para decidir sobre o green card.
Na prática, formou-se um impasse institucional: o USCIS afirma que não pode concluir o processo porque a imigrante está detida; o ICE se recusa a liberá-la; e o juiz diz não ter competência para intervir.
“O resultado é simples e cruel: ela é elegível para o green card, mas está presa há meses porque ninguém assume responsabilidade”, afirma Grazi.
Condições no centro de detenção de Adelanto
Segundo relatos de Xiomara à esposa, as condições no centro de detenção de Adelanto são precárias. O local abriga atualmente mais de 100 mulheres, com superlotação após a chegada recente de cerca de 30 novas detentas.
Ela relata presença de mofo nas paredes e até na comida, filas constantes para uso de telefone e banheiro, além de frio intenso, sem aquecimento adequado. Cada detida tem direito a apenas um moletom com capuz, e a compra de outra peça custa US$ 43.
Direito à fiança e dificuldade financeira
Por ser casada com uma cidadã norte-americana, Xiomara tem direito a solicitar fiança imigratória. No entanto, os valores são definidos pelo ICE e costumam variar entre US$ 5 mil e US$ 10 mil, podendo ser ainda mais altos.
Grazi afirma que não possui recursos para arcar com esse custo. Recentemente, uma decisão de um juiz federal voltou a permitir a concessão de fiança em casos como o de Xiomara, o que reacendeu a esperança da família.
Para tentar libertar a esposa, Grazi iniciou uma campanha de arrecadação no GoFundMe: https://gofund.me/b731ed58a
Impacto emocional e denúncia pública
Além das questões legais, Grazi destaca o impacto psicológico da detenção, especialmente por se tratar de uma mulher LGBTQ+ em custódia imigratória, onde preocupações com segurança e saúde mental são constantes.
“O que eu espero é tirá-la de lá e dar continuidade ao green card dela. Enquanto o governo fica apontando o dedo, dizendo que a responsabilidade é de outro órgão, minha esposa continua presa”, desabafa.
O caso chama atenção para problemas estruturais no sistema migratório americano, sobretudo quando envolve casais do mesmo sexo, pedidos de ajuste de status e a falta de coordenação entre as autoridades responsáveis.
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