De acordo com os registros, as imagens captadas pelas câmeras são integradas ao sistema da Flock Safety, empresa especializada em tecnologia de vigilância que fornece plataformas utilizadas por milhares de departamentos de polícia e agências de segurança pública em todo o país.
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Lowe’s e Home Depot usam câmeras com IA em estacionamentos e compartilham dados com rede acessada pela polícia, revelam documentos
Da redação
As redes varejistas Lowe’s e Home Depot instalaram centenas de câmeras com tecnologia de leitura automática de placas de veículos (ALPR, na sigla em inglês) em seus estacionamentos, cujos dados alimentam uma ampla rede de vigilância utilizada por forças de segurança nos Estados Unidos. A informação veio à tona após a divulgação de documentos obtidos por meio de pedidos de acesso a registros públicos, reacendendo o debate sobre privacidade, transparência e monitoramento de consumidores.
De acordo com os registros, as imagens captadas pelas câmeras são integradas ao sistema da Flock Safety, empresa especializada em tecnologia de vigilância que fornece plataformas utilizadas por milhares de departamentos de polícia e agências de segurança pública em todo o país. Por meio dessa rede, autoridades podem consultar dados de veículos registrados em áreas privadas, como estacionamentos de grandes lojas, sem que os motoristas necessariamente tenham conhecimento de que estão sendo monitorados.
As câmeras ALPR utilizam inteligência artificial para identificar placas, horários, locais e padrões de deslocamento, permitindo cruzamentos rápidos de informações. Embora varejistas argumentem que o objetivo principal seja prevenção de furtos, segurança de clientes e funcionários, especialistas em direitos civis alertam para o risco de vigilância em larga escala, com potencial uso além do combate a crimes graves.
Organizações de defesa da privacidade criticam a falta de sinalização clara informando os consumidores sobre a coleta e o possível compartilhamento desses dados com a polícia. Segundo esses grupos, a prática pode resultar em rastreamento indevido de pessoas, inclusive em investigações que não envolvem suspeitas diretas ou mandados judiciais.
A Flock Safety afirma que seus sistemas seguem as leis vigentes e que o acesso policial depende de acordos e políticas locais, incluindo prazos de retenção de dados. Ainda assim, legisladores e entidades civis em diversos estados discutem novas regras para limitar o uso, o compartilhamento e o tempo de armazenamento das informações coletadas por sistemas ALPR, especialmente quando instalados em espaços privados de grande circulação.
O caso evidencia uma tendência crescente de integração entre vigilância privada e poder público, levantando questionamentos sobre até que ponto a tecnologia pode avançar sem comprometer direitos fundamentais. Enquanto isso, consumidores seguem frequentando grandes redes varejistas muitas vezes sem saber que seus veículos podem estar sendo registrados e inseridos em bases de dados acessíveis às autoridades.
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