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Revista Brazilian Times # 84
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China e Rússia não “assumiram” a ONU após recuo dos EUA, mas ampliam influência em áreas estratégicas

A ONU é um organismo multilateral, formado por 193 Estados-membros, e não pode ser controlada unilateralmente por nenhum país.

Da redação

A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar o país de 31 agências vinculadas às Nações Unidas, além de outros organismos internacionais, provocou interpretações de que China e Rússia teriam assumido o controle da ONU. Especialistas, no entanto, afirmam que essa leitura é imprecisa e não reflete o funcionamento real da organização.

A ONU é um organismo multilateral, formado por 193 Estados-membros, e não pode ser controlada unilateralmente por nenhum país. Suas decisões são tomadas por meio de votações na Assembleia Geral, negociações diplomáticas e, no caso de temas de paz e segurança, pelo Conselho de Segurança — onde Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido possuem assento permanente e poder de veto.

Embora a retirada americana reduza sua presença e influência em diversas agências, a estrutura central da ONU permanece intacta. A sede em Nova York segue operando normalmente, assim como os principais órgãos deliberativos. A saída dos EUA de determinados fóruns não transfere automaticamente poder formal a outros países.

O que ocorre, segundo analistas em relações internacionais, é uma redistribuição de influência política e diplomática. Com os Estados Unidos abrindo espaço em áreas como clima, desenvolvimento, direitos humanos e cooperação internacional, países como China — que já investe fortemente em diplomacia multilateral — tendem a ampliar sua atuação e liderança em algumas dessas agendas. A Rússia, por sua vez, mantém peso relevante sobretudo em temas de segurança internacional, onde já exerce influência por meio do Conselho de Segurança.

Esse movimento, no entanto, não equivale a uma “tomada” da ONU. A organização continua operando com base em consensos, alianças variáveis e interesses divergentes entre dezenas de países. Mesmo potências globais precisam negociar apoio para avançar pautas específicas, especialmente na Assembleia Geral.

Diplomatas ouvidos por veículos internacionais alertam que o maior impacto da decisão americana é simbólico e estratégico: ao reduzir sua participação no sistema multilateral, os Estados Unidos abrem mão de liderar debates globais que historicamente ajudaram a moldar desde o pós-Segunda Guerra Mundial. Esse vácuo tende a ser ocupado gradualmente por outros atores, sem que isso signifique controle absoluto.

O cenário atual reforça uma tendência de multipolaridade, em que diferentes países exercem influência em áreas distintas, em vez de um único poder dominante. A ONU, nesse contexto, continua sendo um espaço de disputa diplomática, e não um organismo sob comando de uma única nação.

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