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Revista Brazilian Times # 84
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Relatos de agentes do ICE indo de “porta a porta” nos Estados Unidos gera medo em comunidades

Até o momento, não há evidências de uma operação nacional sistemática do ICE indo de casa em casa em todo o país.


O fortalecimento das ações do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) em 2026 tem provocado apreensão entre comunidades imigrantes e reacendido o debate sobre a possibilidade de operações “porta a porta” em território norte-americano. Embora não exista confirmação oficial de uma campanha nacional desse tipo, o aumento da presença de agentes federais em áreas residenciais específicas tem alimentado temores e gerado reações políticas e judiciais.

Nas últimas semanas, o governo federal autorizou o envio de milhares de agentes de imigração para determinadas regiões, com destaque para o estado de Minnesota, especialmente a área metropolitana de Minneapolis. A intensificação ocorreu em meio a protestos e a um ambiente de forte tensão após a morte de uma mulher durante uma ação envolvendo um agente do ICE, episódio que ampliou o escrutínio público sobre as práticas da agência.

Autoridades federais afirmam que as operações têm caráter direcionado, com foco em pessoas que possuem ordens finais de deportação ou histórico criminal, e não em abordagens aleatórias. Ainda assim, relatos de agentes circulando por bairros residenciais, visitando prédios e batendo à porta de residências específicas reforçaram a percepção de que o ICE estaria adotando métodos mais agressivos.

Governadores e procuradores-gerais de estados como Minnesota e Illinois reagiram judicialmente, ingressando com ações para limitar a atuação ampliada de agentes federais. Os estados alegam possíveis violações constitucionais, uso excessivo de força e falta de coordenação com autoridades locais, além de impacto direto sobre comunidades vulneráveis.

Especialistas em imigração destacam que, do ponto de vista legal, o ICE não pode entrar em residências privadas sem um mandado judicial assinado por um juiz, a menos que haja consentimento do morador. Mandados administrativos emitidos pela própria agência não autorizam a entrada forçada em domicílios, um ponto frequentemente desconhecido por parte da população imigrante.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) sustenta que a ampliação das operações faz parte de uma revisão das políticas imigratórias e de uma estratégia de reforço da aplicação das leis de imigração. Já organizações de direitos civis alertam que o clima de medo pode levar a abusos, desinformação e afastamento de imigrantes de serviços essenciais, como escolas e hospitais.

Até o momento, não há evidências de uma operação nacional sistemática do ICE indo de casa em casa em todo o país. O que se observa são ações concentradas em localidades específicas, com grande visibilidade e impacto social. O tema segue no centro de disputas judiciais e políticas, enquanto comunidades imigrantes permanecem em estado de alerta diante da possibilidade de novas incursões federais.

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