Ao mesmo tempo, defensores dos direitos dos imigrantes criticam a abordagem punitiva, defendendo reformas que distingam claramente entre crimes graves e situações derivadas apenas da condição migratória irregular.
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Número de brasileiros classificados como “criminosos perigosos” sobe para 91 em lista do Departamento de Segurança Interna dos EUA
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) divulgou que 91 brasileiros integram a lista de “piores dos piores” criminosos estrangeiros detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), em meio a uma intensificação das ações federais contra imigrantes indocumentados no país.
A lista, que inclui apenas pessoas consideradas pelos EUA como ameaças à segurança pública, é parte de uma série de operações lideradas pela administração do presidente Donald Trump, com o objetivo declarado de priorizar deportações de estrangeiros com histórico criminal.
Autoridades do DHS afirmam que, sob a liderança da secretária Kristi Noem, o governo tem cumprido a promessa de campanha de Trump de acelerar a remoção de imigrantes considerados mais perigosos, incluindo indivíduos acusados ou condenados por crimes graves — de homicídio a abuso sexual de menores. O órgão federal vem divulgando periodicamente fotos e perfis desses “criminosos perigosos” em seu portal oficial, com a intenção de demonstrar progresso na aplicação da lei de imigração.
O anúncio ocorre em um contexto de forte pressão sobre as fronteiras e políticas migratórias americanas, que têm resultado em recordes de deportações e detenção de imigrantes sem documentação. Em 2025, os Estados Unidos deportaram um número histórico de brasileiros — mais de 3 mil retornaram ao Brasil em voos fretados coordenados pelas autoridades americanas — também um recorde em relação aos anos anteriores.
Especialistas em migração e direitos humanos alertam, no entanto, que muitos indivíduos detidos pelo ICE não possuem condenações criminais, recebendo essa classificação por estarem no país sem visto válido ou por infrações migratórias, o que é tratado nos EUA como violação civil, não criminal.
Dados recentes mostram que imigrantes sem histórico de crime constituem uma parcela significativa da população detida pelo ICE, desafiando a narrativa oficial de que as ações visam apenas “criminosos perigosos”.
A política migratória dos EUA, reforçada desde a retomada do governo Trump, também tem impacto diplomático: o Departamento de Estado suspendeu a emissão de vistos de imigração para cidadãos brasileiros enquanto revisa critérios de elegibilidade e uso de benefícios públicos, ampliando incertezas para milhares de famílias brasileiras com processos em andamento.
O tema tem gerado intenso debate entre autoridades brasileiras e americanas, especialmente diante do aumento nas deportações e do esforço do governo federal brasileiro de acompanhar o retorno de cidadãos expulsos do território norte‑americano. Ao mesmo tempo, defensores dos direitos dos imigrantes criticam a abordagem punitiva, defendendo reformas que distingam claramente entre crimes graves e situações derivadas apenas da condição migratória irregular.
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