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Revista Brazilian Times # 83
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Brasileiro detido pelo ICE no Maine é transferido para três centros em três estados diferentes

Segundo a esposa, Alessia Gaspar da Silva, Marcos trabalhava como empreiteiro geral no estado do Maine e estava em uma videochamada com ela no momento em que foi abordado por agentes federais. Ele havia acabado de dar carona a um colega de trabalho da Guatemala, que não fala inglês, quando o veículo foi parado.

Uma semana após ser detido por agentes do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), o brasileiro Marcos Gaspar da Silva, solicitante de asilo, continua sendo transferido entre diferentes centros de detenção no país, sem informações claras sobre seu paradeiro e em condições que sua família classifica como degradantes.

O caso ocorreu em Portland (Maine), no dia 20 de janeiro, e tem causado apreensão entre brasileiros que vivem no país.

Segundo a esposa, Alessia Gaspar da Silva, Marcos trabalhava como empreiteiro geral no estado do Maine e estava em uma videochamada com ela no momento em que foi abordado por agentes federais. Ele havia acabado de dar carona a um colega de trabalho da Guatemala, que não fala inglês, quando o veículo foi parado.

De acordo com Alessia, os agentes não se identificaram inicialmente e afirmaram que procuravam apenas “um criminoso perigoso com mandados de prisão em aberto”. Marcos questionou se havia algum mandado contra ele ou contra o colega, e a resposta foi negativa. Ainda assim, após perguntarem se os dois estavam legalmente no país e Marcos explicar que seu pedido de asilo ainda estava em análise, ambos foram retirados do carro e presos.

Alessia relata que o momento da prisão foi traumático. Durante a chamada de vídeo, Marcos pediu para avisar onde seria levado ou ao menos manter o telefone com ele. “Ele só conseguiu dizer ‘eu te amo’. Em seguida, a mão de um agente do ICE apareceu na tela e desligou a chamada”, contou.

Desde então, Alessia e o advogado de imigração da família tentam localizá-lo por meio do Online Detainer Locator System, sistema oficial do ICE. No entanto, Marcos tem sido transferido repetidamente, e seu número chega a desaparecer do sistema, dificultando qualquer acompanhamento.

Em apenas uma semana, a família conseguiu confirmar que ele passou por centros de detenção em Massachusetts, Louisiana e Arizona. Em muitas ocasiões, segundo Alessia, Marcos sequer sabe para onde está sendo levado.

Nos contatos esporádicos que consegue fazer por telefone, Marcos descreve condições precárias nos centros de detenção. Ele afirma que não recebeu troca de roupas, enfrenta frio e falta de higiene básica. “Eles não têm roupas limpas, não há condições adequadas para banho. Em alguns lugares, os detidos precisam carregar baldes de água para se lavar”, relatou Alessia.

Em uma ligação feita do Arizona, Marcos contou estar em uma unidade com apenas 20 camas para cerca de 50 homens, além de banheiros insuficientes. Ele também relatou que a comida servida é de qualidade tão ruim que alguns detidos passam mal após comer.

Outro ponto de preocupação é o acesso limitado à defesa. Alessia afirma que o marido ainda não conseguiu falar com o advogado, e que as ligações telefônicas para a família são raras e imprevisíveis.

 

Pressão para deportação voluntária

Segundo Alessia, Marcos vem sendo informado de que poderia melhorar sua situação rapidamente caso aceitasse a deportação voluntária. No entanto, ela diz que o marido decidiu permanecer e seguir com o processo de asilo. “Ele me disse que é forte o suficiente para aguentar e que vai continuar lutando”, afirmou.

Para Alessia, a situação expõe uma contradição nos valores defendidos pelos Estados Unidos. “Seríamos indignados se isso acontecesse com americanos em outro país. E agora estamos fazendo exatamente aquilo que sempre criticamos”, desabafou.

O caso de Marcos reacende o alerta para brasileiros em processo de imigração nos Estados Unidos, especialmente solicitantes de asilo. Advogados de imigração lembram que detenções podem ocorrer mesmo quando não há mandados de prisão, e que transferências frequentes dificultam o acesso à defesa legal e ao contato com a família.

A família segue buscando informações oficiais sobre o paradeiro de Marcos e pede transparência das autoridades enquanto o processo segue em andamento.

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