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Edição MA 4392

Última Edição #4392

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Coluna Arilda Costa

Murilo Prado Badaró é um escritor brasileiro que mistura história e ficção em seus romances. Com livros como “A Revelação” e “Bastidores de 1964”, ele explora temas da história do Brasil, trazendo fatos e personagens que ajudam a entender o passado do país.

Murilo Prado Badaró é um escritor brasileiro que mistura história e ficção em seus romances. Com livros como “A Revelação” e “Bastidores de 1964”, ele explora temas da história do Brasil, trazendo fatos e personagens que ajudam a entender o passado do país.

Nesta entrevista, Badaró compartilha insights sobre sua trajetória como escritor e suas visões sobre literatura e política no Brasil.

– O que o inspirou a escrever “A Revelação”? Qual foi o ponto de partida para essa história?

Meu pai foi presidente da AML (Academia Mineira de Letras) e lá tive oportunidade de conviver com grandes políticos e escritores mineiros. Um dia, sentado e sempre ouvinte das conversas, presenciei meu pai, Itamar Franco, Francelino Pereira, Ibraim Abi Ackel e Hidemburgo Pereira Diniz conversando sobre política desde os anos 30. Ali começa minha verve que se associa à ideia de qual teria sido o destino do Brasil se, na época, Getúlio Vargas tivesse aderido ao Eixo e não aos aliados. Além disso, sou de uma família de políticos desde a proclamação da República em 1889. Faço uma observação aqui: são políticos de outra geração e não o que estamos tendo atualmente, com todo respeito aos bons políticos de hoje. Meu avô chegou a ser Ministro de Vargas e sempre havia ouvido histórias reais desta época.

– Como você equilibra a ficção e a realidade histórica em seus livros, como em “Bastidores de 1964”?

Nos meus livros, conto muitos fatos inéditos e pouco conhecidos, e faço questão disso. Claro, todos com fontes e depoimentos de pessoas que viveram alguns destes fatos. Livros de histórias existem vários, mas quando colocamos um pouco de ficção e romance, vamos navegando na história sem ter aquela coisa enfadonha para muitos, que é a história nua e crua. Os personagens fictícios são a minoria, se confundem e são todos factíveis, e torna-se ainda mais interessante quando colocamos mistérios, mas sempre focados nos fatos reais e inéditos.

– Qual é o seu processo de pesquisa para criar cenários e personagens históricos em seus romances?

Quase todo mundo quer escrever um livro, mas não é simples e fácil. Começar é um dos piores momentos, mas depois é muito prazeroso, principalmente quando a gente engrena na busca e pesquisa e vai navegando. Nos dois livros, me pautei por algum conhecimento que tinha, mas também o interesse em buscar mais fatos dos momentos, um sobre o governo Vargas de 1950 a 1954 e outros fatos que antecederam o golpe dado em 1964.

– “A Revelação” mistura política e história. O que você acredita que os leitores podem aprender sobre a política brasileira através desse livro?

Acho que podem aprender muito. Além de contar fatos inéditos, eu esclareço e detalho fatos importantes. Esta época dos anos 50 é riquíssima na política. Infelizmente, acho que as pessoas leem cada vez menos e desconhecem os fatos.

– Como a sua experiência como jornalista influencia a sua escrita como romancista?

Eu não sou jornalista de formação, sou economista. Para definir a influência para virar escritor, eu diria que é o fato de ser um historiador amador, pois adoro a história e sempre estudei muito, não só do Brasil, mas do mundo e de outros países.

– Você tem um personagem favorito entre os que criou? Por quê?

Acho que não, ambos no fundo são um pouco de mim… rsrsrs, a idiossincrasia faz parte. Muitas histórias que estes personagens vivem são coisas que vivi pessoalmente, claro que mudando a época, pois nos anos 50 e 60 era muito novo.

– Como você vê a relação entre literatura e política no Brasil contemporâneo?

A história contada pela literatura, na verdade, é a política no tempo e no passado. Acho que as biografias de políticos, fatos existentes que marcaram a humanidade e sociedade, exemplos de fracassos e vitórias são ótimos para reflexão e análise.

– O que você espera que os leitores levem de mais importante de “Bastidores de 1964”?

Quando resolvi escrever o livro, eu tinha elementos suficientes para saber que 1964 foi um contragolpe e no livro conto tudo e tenho provas, com fatos e fontes. São fatos pouco explorados e desconhecidos da maioria. Além disso, demonizam demais a Revolução de 1964. Não que não tenha tido muitos erros e problemas.

Vou te dar um “spoiler” do meu livro, mostrando o final dele com fatos elencados que mostram minha tese do contragolpe. Mas no livro tem muitos detalhes, fotos, datas, personagens e todos com fontes. Consegui reunir provas, fatos e documentos que mostram o ambiente de sedição embalado principalmente pela Guerra Fria. Havia apoio, suporte e recursos externos para ambos os lados e muitos interlocutores civis e militares da época dizem que Brizola preparava seu levante para o dia primeiro de maio de 1964. Ainda acredito que podem surgir mais provas desta ilação, assim como estão aparecendo diversos documentos da época, seja do lado da URSS ou dos EUA. Mourão sabia do perigo chamado Brizola e se antecipou. O golpe era questão de tempo para ambos os lados e as forças que poderiam sacramentá-lo.

– Você planeja escrever mais livros que misturam história e ficção? Quais são os próximos projetos?

Eu escrevi um livro na Pandemia. Um guia básico sobre a história e a evolução da economia, inspirado no estilo do livro O mundo de Sofia de Jostein Gaarder (Norueguês). Um diálogo entre o avô e o neto Pedro contando as passagens e curiosidades da economia ao longo do tempo. Uma narrativa simples, sem aprofundamento em termos técnicos e científicos, explora de forma mundana e simples alguns conceitos da economia e a presença dela em nossas vidas. Aborda fatos interessantes pouco conhecidos e curiosidades como as bolhas mundiais, os avanços da economia e a importância no desenvolvimento e evolução da humanidade, as grandes epidemias e flagelos da humanidade no contexto da economia. Como sempre buscando fatos inéditos e pouco conhecidos, alguns até engraçados e divertidos. Devo lançar em 2026.

– Como você acredita que a literatura pode contribuir para a compreensão da história e da política brasileira?*

Existem muitos livros que contam nossa história. Eu sugeriria conhecer a biografia de políticos brasileiros, a começar por D. Pedro II, o maior homem público de nossa história. Conhecer a biografia de políticos passados mostra o nível atual em que vivemos e cabe cada vez mais reflexão. Todas as biografias contam fatos importantes que notabilizaram os biografados, mas mais importante é conhecer a seriedade, a formação intelectual e cultura de políticos do passado e comparar aos atuais. Eu fico muito triste e não consigo ver saída para sair deste fundo do poço para o qual estamos indo, cada vez mais.

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