Senadores e deputados cobram investigação sobre efeitos físicos e psicológicos de ações do ICE e CBP em comunidades americanas
Publicidade
Mais de 55 parlamentares pressionam governo federal dos EUA sobre impactos de operações migratórias violentas em crianças
Da redação
Um grupo de mais de 55 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta oficial ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) cobrando esclarecimentos sobre os impactos de operações migratórias consideradas violentas na saúde e no desenvolvimento de crianças. A iniciativa foi liderada pelos senadores Alex Padilla e Adam Schiff, com apoio de nomes como Elizabeth Warren, Angela Alsobrooks e o deputado Mike Quigley.
No documento encaminhado ao secretário do HHS, Robert F. Kennedy Jr., os legisladores expressam “grave preocupação” com a exposição de menores a ações conduzidas por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da U.S. Customs and Border Protection (CBP).
Segundo o grupo, a intensificação das operações durante o governo do presidente Donald Trump tem colocado crianças — cidadãs americanas e imigrantes — em situações de risco físico e trauma psicológico duradouro.
Operações em escolas e espaços infantis
Os parlamentares afirmam que, após a revogação da política que restringia ações migratórias em “locais sensíveis” — como escolas, creches e hospitais —, operações passaram a ocorrer nesses ambientes.
Relatos citados na carta mencionam:
-
Ações em escolas e centros de educação infantil
-
Operações em bairros residenciais com uso de gás lacrimogêneo
-
Abordagens com táticas consideradas “militarizadas”
-
Prisões durante eventos familiares, incluindo festas infantis
Para os congressistas, mesmo quando crianças não são o alvo direto, a exposição às ações pode gerar consequências emocionais severas.
“Operações que tratam crianças como danos colaterais ameaçam sua saúde física e mental e violam obrigações básicas de proteção infantil”, escreveram.
Casos relatados em diferentes estados
O documento reúne episódios que, segundo os parlamentares, ilustram o impacto das operações:
-
Minnesota: um menino de 5 anos foi detido por mais de uma semana após ser levado com o pai para um centro no Texas.
-
Massachusetts: um homem sofreu uma convulsão durante a tentativa de detenção de sua esposa, enquanto o filho pequeno chorava ao lado.
-
Illinois: uma professora de creche foi detida diante dos alunos; em outro caso, agentes usaram gás lacrimogêneo próximo a uma escola em Chicago.
-
Texas: uma festa de aniversário infantil terminou com 47 pessoas detidas, incluindo nove menores.
Efeitos na educação e na saúde
Os legisladores afirmam que as operações têm provocado reflexos diretos no cotidiano infantil:
Educação
-
Queda na frequência escolar
-
Aumento de ausências em creches
-
Redução no desempenho acadêmico
-
Cancelamento de aulas em alguns distritos
Saúde
-
Diminuição nas consultas médicas desde janeiro de 2025
-
Crianças com medo de sair de casa para atividades físicas
-
Relatos de ansiedade e choro em consultas pediátricas
-
Possíveis atrasos em diagnósticos e vacinação
Um médico citado no documento relatou “ganho de peso anormal” em crianças que evitam atividades externas por medo de encontrar agentes migratórios.
Pedido formal de investigação
Na carta, os parlamentares solicitam que o HHS forneça dados e estudos sobre:
-
Impactos psicológicos e comportamentais das operações.
-
Efeitos da detenção ou deportação de responsáveis.
-
Consequências na frequência escolar e acesso à saúde.
-
Redução na participação em programas sociais infantis.
O grupo fixou prazo para resposta até 18 de fevereiro de 2026.
Pressão política crescente
O senador Padilla tem se destacado como uma das vozes mais críticas às políticas migratórias recentes, incluindo ações de deportação em massa e operações federais em grandes cidades americanas.
No ano anterior, ele também apresentou, ao lado de outros parlamentares, um projeto para ampliar a responsabilização civil de agentes federais por violações de direitos constitucionais — independentemente do status migratório das vítimas.
A mobilização no Congresso intensifica o debate nacional sobre os limites das operações de imigração e seus efeitos colaterais em populações vulneráveis, especialmente crianças, colocando pressão sobre o governo federal para apresentar dados, justificativas e possíveis medidas de mitigação.




