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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Coluna Debora Corsi: O Peso Invisível

Tornar a vida mais leve é uma necessidade, não um luxo. Nem tudo o que se carrega precisa seguir até o final da jornada. Muitas pessoas caminham com “mochilas” pesadas nas costas e, quando param para analisar, percebem que esse peso existe porque, em algum momento, faltou coragem para compartilhar responsabilidades.

Tornar a vida mais leve é uma necessidade, não um luxo. Nem tudo o que se carrega precisa seguir até o final da jornada. Muitas pessoas caminham com “mochilas” pesadas nas costas e, quando param para analisar, percebem que esse peso existe porque, em algum momento, faltou coragem para compartilhar responsabilidades.

Dentro de um lar, por exemplo, é essencial que uma mãe sobrecarregada divida as tarefas com os filhos, de acordo com a idade de cada um. Já não é possível assumir tudo sozinha e, ao final do dia, encontrar-se completamente esgotada. Muitos relacionamentos se desgastam exatamente assim. Há mulheres que já não conseguem dar atenção ao marido à noite, não por falta de amor, mas por absoluta exaustão física e emocional.

O inverso também ocorre. O homem que se refugia no trabalho, acumula horas extras e não compartilha com a esposa as pressões do dia a dia. No final, o resultado costuma ser previsível, um relacionamento fragilizado, por vezes, partido.

É necessário refletir sobre o que se está carregando. Aprender a dizer não ao que não é essencial, sem dor e sem culpa, é um exercício de maturidade emocional. Não se deve continuar levando pesos que já não pertencem à própria história. As expectativas se frustram com frequência, e a organização do tempo precisa respeitar o que é humanamente possível realizar.

O ser humano não é máquina. Necessita de descanso, de lazer, de atenção, de afeto. Muitas pessoas trabalham intensamente, mantêm agendas cheias e correm em busca de acumular bens, mas não percebem que estão reduzindo a qualidade de vida. Esse excesso pode, inclusive, resultar em doenças provocadas pelo trabalho exagerado e pela ausência de cuidado emocional.

Nem tudo o que se carrega precisa chegar até o final da caminhada, mas, para isso, é necessária uma postura ativa. É a atitude que permite mudar a rota. Não é saudável que, ao final de cada dia, além do esgotamento, ainda se dependa de medicação apenas para alcançar tranquilidade. O descanso é uma necessidade humana básica.

Uma história ilustra bem essa reflexão. Um homem participou de um desafio com amigos. Cada um deveria colocar cinquenta grãos de feijão dentro de cada sapato e subir uma montanha. No dia seguinte, todos iniciaram a subida com rapidez. No meio do caminho, muitos pararam por causa da dor nos pés; outros seguiram lentamente. Um deles, porém, destacou-se. Chegou ao topo com mais facilidade. Questionado sobre como conseguiu, respondeu: “Pediram cinquenta grãos de feijão nos sapatos, mas não disseram que precisavam estar crus. Eu os cozinhei”.

A vida também pode ser conduzida com mais sabedoria. As regras nem sempre precisam ser vividas de forma rígida e dolorosa. É possível “cozinhar os próprios grãos de feijão”, tornando a caminhada menos sofrida. Quando há um espinho no pé, a atitude sensata é parar e removê-lo. O mesmo princípio se aplica aos pesos emocionais e às situações que ferem e desgastam.

Não é prudente carregar “mochilas” desnecessariamente pesadas. Tampouco faz sentido insistir em caminhos mais difíceis quando há alternativas mais equilibradas. O que é peso inútil precisa ser descartado. Nem tudo o que está nas mãos de alguém foi feito para ser sustentado por tempo indeterminado.

Delegar é sinal de equilíbrio, não de fraqueza. O ser humano foi criado para viver, e viver não se resume a trabalhar, pagar contas e simplesmente envelhecer. Viver é um ato intencional. É aproveitar os momentos, valorizar a família, caminhar à beira-mar, descansar em casa, permitir-se pausas sem culpa.

A existência não se resume ao trabalho nem ao dinheiro. Viver bem é diferente de apenas acumular bens. É possível estar de bem com a vida, e essa escolha começa pelo que se decide carregar.

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