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Edição MA 4391

Última Edição #4391

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Poema de Joanna New York em homenagem a Junior Pena emociona comunidade brasileira nos EUA

Segundo Joanna, a inspiração surgiu a partir de uma passagem bíblica que a levou a refletir sobre comportamentos humanos que, apesar da passagem do tempo, permanecem atuais.

A cantora e instrumentista Joanna New York, reconhecida por sua trajetória artística e pelo forte vínculo com a comunidade brasileira nos Estados Unidos, voltou a sensibilizar o público ao escrever um poema em homenagem a Junior Pena. Vencedora de diversos prêmios ao longo da carreira — incluindo o Prêmio As Notáveis 2025 — a artista compartilhou um texto marcado por emoção, reflexão e espiritualidade.

Segundo Joanna, a inspiração surgiu a partir de uma passagem bíblica que a levou a refletir sobre comportamentos humanos que, apesar da passagem do tempo, permanecem atuais. No poema, ela traça um paralelo entre julgamentos históricos e situações vividas nos dias de hoje, destacando como atitudes de condenação pública e moral ainda se repetem na sociedade contemporânea.

O texto ganha contornos ainda mais sensíveis por ter sido escrito pouco tempo após a artista enfrentar um câncer de cólon, diagnosticado no ano passado. A experiência pessoal com a fragilidade da vida e os desafios da superação reforçou o tom intimista e verdadeiro da homenagem.

Inspirada no caso de Junior Pena, Joanna aborda, em versos, a dor de ser imigrante e de ver anos de esforço e trabalho serem diminuídos, desmoralizados ou até humilhados — muitas vezes por pessoas que, em algum momento, foram acolhidas ou ajudadas. O poema também expõe sentimentos humanos complexos, como ódio, rancor e mágoa, além da inquietante constatação de que, por vezes, há quem encontre satisfação na queda do outro.

A obra ainda provoca reflexão ao lembrar que, mesmo após séculos de evolução social, continuam presentes os julgamentos precipitados e as condenações coletivas. Para a artista, nem sempre as escolhas feitas pelo “povo” são justas — muitas vezes são guiadas por narrativas, conveniências ou pela convicção equivocada de que se está fazendo o certo.

A homenagem repercutiu entre brasileiros que vivem no exterior, reforçando o papel da arte como instrumento de empatia, denúncia e reflexão social. O poema de Joanna New York não apenas reverencia Junior Pena, mas também lança um olhar profundo sobre dignidade, pertencimento e humanidade em tempos de polarização e julgamentos públicos.

Poema Inspirado no Caso Júnior Pena – Jesus e Barrabás

Naquele dia, o céu parecia pesado.

Não havia trovões, mas havia silêncio.

O silêncio mais cruel de todos: o da escolha.

 

De um lado, Jesus.

O homem que curou sem cobrar.

Que tocou os intocáveis.

Que deu pão, abrigo, esperança.

Que chorou com quem chorava

e ensinou que amar era maior que julgar.

 

Do outro lado, Barrabás.

Um nome marcado pela violência,

pela dor que destrói em vez de curar.

 

E então veio a pergunta que atravessa os séculos:

“Quem vocês querem que eu solte?”

 

Jesus não foi condenado apenas pela cruz.

Foi condenado pela ingratidão.

Pela memória curta.

Pelo coração endurecido.

 

Pilatos lavou as mãos.

Mas o povo sujou as suas.

Porque Jesus poderia ter sido liberto.

Ele deveria ter sido liberto.

Mas a multidão escolheu Barrabás.

 

Ali, naquele pátio, os valores se inverteram.

O bem virou ameaça.

A verdade virou incômodo.

O amor virou fraqueza.

 

É assim até hoje.

 

As pessoas esquecem.

Esquecem quando precisaram de um prato de comida.

Quando bateram à porta pedindo abrigo.

Quando estenderam a mão por socorro —

e alguém estendeu a sua.

 

A ajuda de ontem não vale nada hoje.

A gratidão tem prazo curto.

O favor vira poeira na memória.

 

Hoje, as costas se viram.

O olhar vira desprezo.

O perdão é negado

— por crenças, por rótulos, por política, por orgulho.

 

Não há empatia.

Não há amor no coração.

Há crueldade disfarçada de opinião.

 

As pessoas se alegram com a queda do outro.

Sentem prazer na desgraça alheia.

Riem da dor que não é delas

e chamam isso de justiça.

 

Mas há algo que esquecemos…

não sabemos o dia de amanhã.

 

Hoje você aponta o dedo.

Amanhã pode ser você no centro da praça.

Hoje você escolhe.

Amanhã pode ser o escolhido — ou o rejeitado.

 

A sua história pode se parecer com a de Jesus e Barrabás.

Porque a vida muda de lado rápido.

E o mundo não tem misericórdia

quando decide virar as costas.

 

E então eu te pergunto, sem gritos, sem multidão:

como você se sentiria

se escolhessem o outro no seu lugar?

 

Se esquecessem tudo o que você fez.

Se anulassem sua dor.

Se negassem perdão.

Se se alegrassem com a sua queda.

 

O povo gritou por Barrabás ontem.

E continua gritando hoje.

Toda vez que escolhe o ódio em vez do amor.

Toda vez que condena quem fez o bem.

Toda vez que lava as mãos diante da injustiça.

 

Jesus foi crucificado uma vez na cruz.

Mas é crucificado todos os dias

nos corações frios,

nas escolhas sem compaixão,

na ausência de humanidade.

 

E a pergunta ainda ecoa, atravessando o tempo, atravessando a alma:

 

Quem você escolhe quando ninguém está olhando?

E mais ainda…

quem você espera que escolham quando for a sua vez ?

 

Joanna New York

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