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Revista Brazilian Times # 86
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Agentes de imigração são acusados de deixar “cartas da morte” após detenções no Colorado

Agentes do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) são alvo de críticas e pedidos de investigação após denúncias de que teriam deixado cartas de baralho do tipo Ás de Espadas, conhecidas como “death cards”, em veículos de imigrantes detidos durante abordagens de trânsito no estado do Colorado. As informações foram reveladas pelo site The Intercept.

Agentes do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) são alvo de críticas e pedidos de investigação após denúncias de que teriam deixado cartas de baralho do tipo Ás de Espadas, conhecidas como “death cards”, em veículos de imigrantes detidos durante abordagens de trânsito no estado do Colorado. As informações foram reveladas pelo site The Intercept.

Segundo a reportagem, as cartas eram personalizadas com a identificação do “ICE Denver Field Office” e teriam sido deixadas nos carros após a remoção dos ocupantes, para que familiares encontrassem o material posteriormente. O gesto foi interpretado por organizações de direitos civis como ato de intimidação psicológica contra comunidades imigrantes.

O Ás de Espadas carrega um forte simbolismo histórico. Durante a Guerra do Vietnã, soldados dos Estados Unidos utilizavam a carta como instrumento de guerra psicológica, deixando-a em vilarejos ou sobre corpos após operações militares, como forma de transmitir a mensagem de que a morte havia chegado — e poderia retornar a qualquer momento.

Nos Estados Unidos, o mesmo símbolo passou a ser apropriado, ao longo das décadas, por grupos supremacistas brancos, sendo usado para intimidar pessoas negras, latinas e outras minorias raciais. Por esse motivo, o uso da carta em operações migratórias provocou reação imediata de ativistas, autoridades locais e parlamentares.

Após a divulgação do caso, legisladores democratas do Colorado encaminharam uma carta ao Department of Homeland Security (DHS) solicitando a abertura de uma investigação independente. No documento, os parlamentares afirmam que, se confirmada, a prática representa “uma violação grave dos padrões profissionais e éticos esperados de agentes federais” e pode aprofundar o medo e a desconfiança de comunidades imigrantes em relação às autoridades.

O DHS informou, por meio de nota, que não endossa qualquer forma de intimidação e que o ICE iniciou uma apuração interna para esclarecer os fatos. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre possíveis responsabilizações ou sanções disciplinares.

Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes afirmam que episódios como esse agravam o trauma das famílias afetadas por detenções e reforçam a percepção de que as operações migratórias têm sido conduzidas de forma cada vez mais agressiva. Para líderes comunitários, o caso ultrapassa a esfera administrativa e levanta preocupações sérias sobre direitos civis e abuso de autoridade.

O ICE não comentou diretamente o simbolismo das cartas nem confirmou quantos casos estariam sob investigação. Enquanto isso, o episódio segue alimentando o debate nacional sobre os limites das ações de fiscalização migratória e o impacto dessas operações sobre comunidades vulneráveis.

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