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Revista Brazilian Times # 83
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Cooperação com o ICE: Levantamento mostra condados de NY que colaboram com agências federais de imigração

Assim, o grau de cooperação entre condados de Nova York e o ICE permanece dinâmico — refletindo o embate nacional mais amplo sobre imigração, autonomia local e aplicação das leis federais.


Um levantamento atualizado sobre políticas migratórias locais revelou um panorama detalhado da cooperação entre condados do estado de Nova York e o Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), evidenciando profundas diferenças regionais na forma como autoridades locais se relacionam com a fiscalização federal de imigração.

O estudo analisa acordos operacionais, compartilhamento de informações, cumprimento de pedidos de detenção migratória e participação em programas federais, destacando que o estado apresenta um modelo fragmentado — com condados que apoiam ativamente a atuação do ICE e outros que impõem restrições severas.

De acordo com os dados mais recentes do levantamento, a cooperação formal ou operacional com o ICE permanece concentrada principalmente em condados do interior e de perfil mais conservador.

Entre os que mantêm algum nível de colaboração estão:

  • Nassau
  • Suffolk
  • Erie
  • Monroe
  • Onondaga
  • Oneida
  • Rensselaer
  • Saratoga
  • Niagara
  • Chautauqua

Nessas jurisdições, as autoridades locais podem:

  • Notificar o ICE sobre a liberação de detentos estrangeiros;
  • Cumprir pedidos de detenção migratória (detainers);
  • Manter acordos de cooperação carcerária;
  • Integrar forças-tarefa com agências federais.

Em alguns casos, cadeias locais também firmam contratos para abrigar detidos sob custódia migratória.

Em contraste, grandes centros urbanos e condados mais populosos seguem políticas conhecidas como “sanctuary” (santuário), que limitam ou proíbem a cooperação com a imigração federal sem ordem judicial.

Entre os principais estão:

  • New York City
  • Albany
  • Ithaca
  • Rochester
  • Buffalo

Nessas localidades:

  • Detentos não são mantidos apenas por solicitação administrativa do ICE;
  • O compartilhamento de dados migratórios é restrito;
  • A cooperação exige mandado judicial;
  • Órgãos locais evitam participação em ações de fiscalização civil migratória.

 

Programa 287(g) e outros acordos

Parte da cooperação identificada ocorre por meio do programa federal 287(g), que permite que agentes locais recebam treinamento para executar funções limitadas de imigração sob supervisão federal.

Embora o programa tenha perdido força em estados como Nova York ao longo dos anos, acordos carcerários e de notificação ainda mantêm a colaboração ativa em determinadas regiões.

Especialistas apontam que o “mapa da cooperação” cria realidades distintas para imigrantes dentro do mesmo estado. Enquanto em algumas regiões a interação com a polícia local dificilmente resulta em contato com autoridades migratórias, em outras há maior probabilidade de encaminhamento ao sistema federal.

Organizações de direitos civis criticam a cooperação ampliada, alegando:

  • Risco de perfilamento racial;
  • Redução da confiança comunitária na polícia;
  • Impactos na denúncia de crimes.

Já defensores argumentam que a integração entre condados e autoridades federais fortalece a segurança pública e facilita a remoção de estrangeiros com antecedentes criminais.

O levantamento ressalta que políticas locais continuam em transformação, influenciadas por mudanças administrativas, decisões judiciais e pressões políticas.

Assim, o grau de cooperação entre condados de Nova York e o ICE permanece dinâmico — refletindo o embate nacional mais amplo sobre imigração, autonomia local e aplicação das leis federais.

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