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Revista Brazilian Times # 86
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DHS afirma que agentes de imigração não estarão em locais de votação nas eleições de meio de mandato

Com o pleito se aproximando, o compromisso público de que agentes de imigração não estarão presentes nos locais de votação busca reduzir tensões e reforçar a confiança no processo eleitoral — embora o debate político em torno da condução das eleições continue intenso em todo o país.


Uma autoridade do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, sigla em inglês) afirmou a administradores eleitorais estaduais que agentes de imigração não serão posicionados em locais de votação durante as eleições de meio de mandato de novembro. A declaração busca afastar temores levantados por líderes democratas sobre possível interferência federal no processo eleitoral.

A garantia foi dada por Heather Honey, que atua como subsecretária assistente adjunta para integridade eleitoral no DHS, durante uma teleconferência realizada na quarta-feira com secretários de Estado de diversos estados. Segundo comunicado divulgado pelo secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, Honey afirmou que “qualquer sugestão de que o ICE estará presente em qualquer local de votação simplesmente não é verdadeira”.

A informação foi confirmada por porta-vozes do gabinete do secretário de Estado do Oregon, Tobias Read, e também mencionada pelo secretário de Estado do Kentucky, Michael Adams, republicano, que publicou em rede social que o compromisso partiu do próprio DHS. O Departamento de Segurança Interna não respondeu a pedidos formais de comentário sobre o teor da conversa.

A videoconferência contou ainda com representantes do FBI, da Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA, do Serviço Postal e de outras agências federais. Em anos anteriores, encontros desse tipo costumam ser rotineiros, com foco na coordenação técnica e logística das eleições.

Neste ano, porém, o ambiente é considerado mais sensível. Secretários de Estado democratas têm demonstrado preocupação com decisões recentes da administração do presidente Donald Trump que, segundo eles, podem afetar a confiança no processo eleitoral.

O Departamento de Justiça moveu ações judiciais buscando acesso detalhado a dados de eleitores sem detalhar publicamente os motivos. Paralelamente, Trump voltou a sustentar alegações já desmentidas de que a eleição de 2020 foi marcada por fraude generalizada e incentivou investigações sobre o pleito.

Neste mês, o FBI realizou uma operação em um escritório eleitoral do condado de Fulton, na Geórgia — reduto democrata que inclui a cidade de Atlanta — para apreender cédulas e registros de votação de 2020, ação que reacendeu o debate sobre o papel do governo federal na fiscalização eleitoral.

Questionamentos sobre segurança e autonomia dos estados

Durante a ligação, secretários democratas questionaram Honey sobre cortes no financiamento federal destinado à segurança eleitoral, sobre a campanha do governo para identificar possíveis votos de não cidadãos — prática ilegal e considerada rara — e sobre o temor de que agentes federais possam comparecer a locais de votação.

A Casa Branca já havia minimizado essas preocupações, ressaltando que não houve interrupções nas eleições anteriores, nas quais candidatos democratas obtiveram bons resultados. Em audiência no Congresso este mês, os chefes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da Customs and Border Protection responderam negativamente quando perguntados se participavam de ações para vigiar locais de votação.

A presença de Heather Honey na reunião também chamou atenção por seu histórico de apoio a alegações infundadas de fraude na eleição de 2020. Para alguns participantes, o episódio ilustra o novo contexto enfrentado por autoridades eleitorais estaduais.

A Constituição dos Estados Unidos estabelece que a organização das eleições é responsabilidade dos estados, e, na maioria deles, essa atribuição recai sobre o secretário de Estado eleito.

Líderes democratas e organizações da sociedade civil afirmam estar monitorando atentamente qualquer movimento que possa comprometer a integridade das eleições de meio de mandato. Já aliados do governo defendem que as medidas adotadas visam garantir transparência e cumprimento das leis eleitorais.

Com o pleito se aproximando, o compromisso público de que agentes de imigração não estarão presentes nos locais de votação busca reduzir tensões e reforçar a confiança no processo eleitoral — embora o debate político em torno da condução das eleições continue intenso em todo o país.

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