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Última Edição #4370

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
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Brasileira que já cruzou 157 Países, agora encara o maior desafio do planeta, entrar na Coreia do Norte

Enquanto a maioria das pessoas sonha com Paris, Nova York ou as Cataratas do Niágara, a brasileira Silvia Tate decidiu ir na direção oposta. Literalmente. Depois de visitar mais de 157 países, explorar zonas de guerra, caminhar por Chernobyl, encarar vulcões ativos e atravessar fronteiras onde o turismo não chega, ela agora se prepara para o que considera a missão mais complexa da sua vida: tentar entrar na Coreia do Norte, um dos países mais fechados, controlados e enigmáticos do mundo.

Enquanto a maioria das pessoas sonha com Paris, Nova York ou as Cataratas do Niágara, a brasileira Silvia Tate decidiu ir na direção oposta. Literalmente. Depois de visitar mais de 157 países, explorar zonas de guerra, caminhar por Chernobyl, encarar vulcões ativos e atravessar fronteiras onde o turismo não chega, ela agora se prepara para o que considera a missão mais complexa da sua vida: tentar entrar na Coreia do Norte, um dos países mais fechados, controlados e enigmáticos do mundo.

Mas a história de Sílvia não é sobre carimbos no passaporte. É sobre atravessar limites, externos e internos.

Silvia conta que sua relação com o mundo mudou no momento em que deixou de colecionar monumentos e passou a buscar conexões humanas. “Entendi que barreiras culturais e desafios logísticos não são obstáculos, mas parte do propósito. Não viajo apenas para ver lugares, mas para compreender realidades.”

Para ela, estar onde a história aconteceu e não apenas onde ela é contada, transforma imagens distantes em experiências vivas. E quanto mais ela conhece, mais sua curiosidade cresce.

Essa busca a levou a lugares emocionalmente intensos. Questionada sobre qual destino mais a marcou, Silvia evita escolher um só. “Cada lugar tem sua própria alma. Um me ensinou resiliência, outro desapego, outro mostrou a força da natureza. Escolher apenas um seria como eleger uma página favorita de um livro fascinante.”

Ela confessa, inclusive, que chora ao chegar e chora ao partir, tamanha a conexão que cria com cada território.

O luxo que não cabe em hotéis

O que Silvia busca hoje em uma viagem está muito distante do turismo convencional. “Meu luxo não é o conforto de um hotel, mas o privilégio de acessar realidades fora dos guias, que poucos se atrevem a testemunhar.”

Ela quer entender como povos se reconstruíram após guerras, como preservam sua identidade no isolamento e como a vida insiste em florescer mesmo em cenários caóticos. Sua meta é uma só: a verdade nua de cada cultura, sem filtros!

Coreia do Norte: o destino impossível

Se existe um “chefão final” para viajantes, Silvia acredita que ele atende pelo nome de Coreia do Norte. “Lá, o conceito de viagem é totalmente ressignificado. Você deixa de ser viajante para se tornar espectador de uma narrativa controlada.”

Em um mundo hiperconectado, entrar em um país onde não há internet, comunicação livre ou autonomia pessoal provoca um choque psicológico profundo. Para alguém que constrói suas experiências a partir de conexões humanas, o desafio é ainda maior. “Como as palavras são milimetricamente vigiadas, você precisa aprender a ler o que as pessoas dizem apenas com o olhar.”

O que mais a atrai nesse cenário? Justamente o que afasta quase todo mundo. “Enquanto a maioria vê barreiras, eu vejo oportunidade de compreender realidades que poucos conhecem.”

‘Atestado de insanidade’ e risadas nervosas

Quando Silvia conta seus planos, a reação é quase sempre a mesma. “‘Silvinha, agora sim você assinou o atestado de insanidade mental!’”, ela diz, rindo.

Ela leva na esportiva. Para Silvia, esse espanto coletivo só reforça o quanto o país é misterioso e, por isso, irresistível.

Medo, vigilância e silêncio

Apesar do sorriso fácil, Silvia não romantiza os riscos. Ela sabe que qualquer gesto pode ser interpretado, que há vigilância constante e protocolos rígidos. “Qualquer descuido pode ter consequências catastróficas.”

Ainda assim, desistir nunca foi uma opção. A viagem estava planejada para 2020, mas foi interrompida pelo fechamento das fronteiras. Em vez de esfriar o sonho, a pausa o fortaleceu. “Algumas viagens não acontecem quando queremos, mas quando estamos prontos. Meu limite é claro e inegociável e coragem não é imprudência. É saber até onde ir e quando recuar.”

Burocracia, exceções e controle absoluto

Hoje, a Coreia do Norte segue fechada para o turismo tradicional. A entrada de estrangeiros ocorre apenas em situações extremamente específicas, por meio de uma única agência autorizada, com roteiros pré-aprovados e vigilância total.

No caso de Silvia, a oportunidade surgiu por uma exceção raríssima: a participação em uma maratona internacional, que permitirá a entrada de cerca de 500 pessoas, após isso, o país deve se fechar novamente. “É uma exceção, não uma viagem turística comum.”

Dentro do país, tudo é controlado: deslocamento, comunicação, fotos, comportamento. “Meu papel ali é apenas de uma observadora disciplinada.”

A preparação que vai além da mala

Nada nessa viagem permite improviso. Silvia precisou adaptar documentos, rotas, prazos e, principalmente, sua postura. “Não há espaço para opiniões ou autonomia. É uma viagem que exige preparação mental, respeito absoluto às regras e atenção a cada detalhe.”

Ela admite que nunca precisou de tanto preparo emocional e psicológico. “Você precisa lidar com silêncio, controle absoluto e nenhuma liberdade de expressão ou escolha.”

O que ela espera trazer de volta

Se conseguir entrar, Silvia não promete revelações bombásticas nem verdades definitivas. “Provavelmente voltarei com mais perguntas do que respostas.”

E é exatamente isso que a move. Observar, aprender e tentar compreender o que o isolamento esconde. “Estou prestes a cruzar a fronteira mais intensa da minha metamorfose geográfica ; será um mergulho no desconhecido,onde a única certeza é que a versão de mim que retorna jamais será a mesma que partiu”

Esta é a primeira parte de uma história que ainda será escrita do outro lado da fronteira.
Na volta de Silvia, uma nova matéria revelará o que ela viveu, sentiu e testemunhou dentro de um dos países mais misteriosos do planeta.

Para acompanhar todas as aventuras de Silvia, siga-a nas redes sociais através do @silvia.aroundtheworld

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