Santos Dumont além de aviador um grande fazendeiro e pecuarista
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Museu Cabangu é reinaugurado e resgata a história de Santos Dumont em seu local de nascimento
A história de Santos Dumont ganha um novo capítulo com a reinauguração do Museu Cabangu, localizado no município de Santos Dumont, em Minas Gerais. A cerimônia de reabertura aconteceu no dia 22 de março, com programação a partir das 10h. Após um período de reorganização institucional e melhorias estruturais, o museu reabre suas portas com novas exposições, melhorias no atendimento ao visitante e um compromisso renovado com a preservação da memória de Alberto Santos Dumont, um dos maiores nomes da história brasileira.
O espaço ocupa a Fazenda Cabangu, local onde Santos Dumont nasceu em 1873. A história de sua presença ali começa antes mesmo de seu nascimento. Seu pai, o engenheiro Henrique Dumont, foi chamado para trabalhar na construção da ferrovia que atravessava a região, considerada uma obra complexa para a engenharia da época. Foi durante esse período que a família se instalou na propriedade onde o futuro inventor viria ao mundo.
Mais tarde, Santos Dumont se tornaria conhecido mundialmente como o pioneiro que realizou, em 1906, um dos voos mais emblemáticos da história da aviação com o 14-Bis, em Paris. Contudo, Cabangu revela um lado menos conhecido do inventor. Ali ele também viveu como homem do campo, desenvolvendo atividades rurais e mantendo uma profunda conexão com a natureza. De acordo com os registros preservados no museu, o inventor mantinha correspondências com o caseiro da fazenda, João Mendes, dando instruções sobre o cuidado com animais, plantações e estruturas da propriedade, evidenciando seu cotidiano como pecuarista e fazendeiro.
Esse aspecto humano e rural de Santos Dumont é uma das narrativas que o museu pretende destacar em sua nova fase. Entre os itens mais valiosos do acervo estão cartas escritas de próprio punho pelo inventor, nas quais ele orientava o funcionamento da fazenda durante suas viagens. Há também objetos históricos, como uma edição comemorativa do famoso relógio Cartier criado especialmente para ele, considerado um marco na popularização do relógio de pulso.
Por trás do trabalho de revitalização do Museu de Cabangu, está o gestor cultural Tiago Guimarães, que assumiu a direção da Fundação Casa de Cabangu em 2025 após uma intervenção institucional. Músico e professor de saxofone, bacharelando em história e pós graduando em Patrimônio, Restauro e Preservação do Intangível, Guimarães possui mais de duas décadas em sala de aula, atuando em Centros Musicais e também em Conservatório Estadual, do estado de Minas Gerais e, desde 2012, desenvolve projetos culturais por meio da associação AMA – Ação em Movimentos Artísticos.
Antes mesmo de assumir a gestão do museu, Tiago já havia liderado importantes iniciativas culturais na cidade, como projetos de música popular brasileira, festivais gastronômicos, eventos literários e mostras de cinema ao ar livre. Um de seus projetos mais emblemáticos foi a restauração da antiga estação ferroviária da cidade, transformada em um centro cultural após seis anos de trabalho.
Agora à frente da Fundação Casa de Cabangu, Guimarães lidera uma nova fase para o museu, baseada em uma gestão compartilhada. O espaço funciona por meio de uma parceria tripartite entre a fundação, a prefeitura municipal e a Aeronáutica, que contribui com a preservação ambiental e segurança da área.
Entre as novidades da reinauguração estão a reorganização do acervo, novas salas temáticas, melhorias na infraestrutura para visitantes e a utilização de tecnologia para aproximar o público da história. Um dos destaques é a apresentação de cartas históricas de Santos Dumont narradas por meio de inteligência artificial, recriando a voz do inventor a partir de registros históricos.
Para Tiago Guimarães, o principal objetivo desta nova fase é tornar o Museu de Cabangu mais reconhecido e acessível ao público. “O mundo conhece Santos Dumont como aviador, mas aqui queremos apresentar também o homem do campo, o fazendeiro que encontrou neste lugar a tranquilidade que não tinha nas grandes cidades”, explica.
A reinauguração do Museu Cabangu representa, portanto, mais do que a reabertura de um espaço cultural. É um convite para redescobrir a história de um brasileiro que mudou o curso da tecnologia mundial, mas que também encontrou, nas montanhas de Minas Gerais, um refúgio simples e silencioso.
Serviço
Museu Cabangu – Fundação Casa de Cabangu
Santos Dumont – Minas Gerais, Brasil
Reinauguração: dia 22 de março de 2026
Funcionamento: quarta a domingo, das 9h às 17h
Instagram: @museucabangu
Site: fundacaocasadecabangu.com.br
Conheça também:
https://amasd.org/
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