O debate evidencia divergências significativas sobre o perfil das pessoas alvo das ações de imigração no estado e levanta questionamentos sobre a transparência e a comunicação pública em torno das políticas de fiscalização migratória nos Estados Unidos.
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Quase metade dos imigrantes detidos pelo ICE em Massachusetts não tinha antecedentes criminais, aponta relatório
Um novo levantamento indica que quase metade das pessoas detidas por agentes de imigração em Massachusetts desde 2025 não possuía condenações criminais nem acusações em aberto. Os dados, divulgados pelo Deportation Data Project, mostram que cerca de 45% das prisões realizadas no período envolveram indivíduos sem histórico criminal.
O número contrasta com informações frequentemente apresentadas pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês), que afirma que aproximadamente 70% das detenções envolvem pessoas com condenações ou acusações. Segundo o relatório independente, no entanto, esse percentual seria de 54%.
De acordo com o estudo, mais de 7 mil pessoas foram detidas por agentes do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) em Massachusetts ao longo de 2025 e início de 2026. Entre elas, 3.220 foram classificadas como “outros infratores de imigração”, enquanto mais de 1.300 eram considerados “criminosos condenados” e 2.453 tinham acusações pendentes. Em 49 casos, o status não foi informado.
A diretora-executiva da Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy (MIRA), Liz Sweet, afirmou que os dados refletem uma tendência crescente de fiscalização no estado, inclusive em locais como tribunais. Segundo ela, operações direcionadas frequentemente acabam resultando na detenção de outras pessoas que não eram o alvo principal.
“Vemos muitas ações nas ruas em que o ICE busca um indivíduo específico, mas acaba abordando e detendo outras pessoas. Uma vez detidas, elas passam a enfrentar processos de deportação, independentemente de terem ou não histórico criminal”, afirmou Sweet.
O relatório também destaca o peso das chamadas “prisões colaterais” — quando indivíduos são detidos durante operações direcionadas a terceiros. Mais de 75% dessas detenções envolveram pessoas sem condenações ou acusações criminais.
Em resposta, o DHS contestou a metodologia do estudo e reiterou sua posição. Em nota, um porta-voz afirmou que os dados foram “selecionados de forma parcial” para sustentar uma narrativa equivocada. Segundo o departamento, muitos dos indivíduos classificados como “não criminosos” podem estar envolvidos em atividades graves, como terrorismo, abuso de direitos humanos ou atuação em gangues, mas não possuem registros criminais nos Estados Unidos.
O órgão também reforçou que considera a entrada irregular no país como um crime, argumento utilizado para justificar a inclusão desses casos nas estatísticas oficiais.
O Deportation Data Project, por sua vez, afirma que suas informações são obtidas por meio de solicitações formais de registros ao governo ou a partir de dados divulgados pelas próprias autoridades, defendendo a confiabilidade do levantamento.
O debate evidencia divergências significativas sobre o perfil das pessoas alvo das ações de imigração no estado e levanta questionamentos sobre a transparência e a comunicação pública em torno das políticas de fiscalização migratória nos Estados Unidos.
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