Durante sua audiência de confirmação no Senado, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou que pretendia conduzir a política de deportação em massa do presidente Donald Trump de forma menos exposta publicamente e longe das manchetes.
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Plano de deportação em massa do governo Trump passa por mudanças estratégicas
Durante sua audiência de confirmação no Senado, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou que pretendia conduzir a política de deportação em massa do presidente Donald Trump de forma menos exposta publicamente e longe das manchetes.
A mudança de postura já é percebida em comparação aos primeiros meses da atual gestão. Saíram de cena episódios amplamente divulgados nas redes sociais, como confrontos envolvendo o então chefe da Patrulha da Fronteira, Greg Bovino, e manifestantes.
Enquanto a ex-secretária Kristi Noem participou de operações do ICE em New York logo no início de sua gestão, Mullin adotou uma abordagem diferente e priorizou agendas institucionais, como visitas à North Carolina para acompanhar ações de recuperação após furacões.
No ano passado, o governo Trump intensificou operações de imigração principalmente em cidades administradas por democratas, promovendo grandes ações policiais e aumentando o número de prisões. A estratégia gerou protestos, confrontos com autoridades e forte repercussão nacional, especialmente após a morte de dois cidadãos americanos em Minneapolis.
Desde então, pesquisas indicam uma queda no apoio popular às ações mais agressivas de fiscalização imigratória. Além disso, o governo deixou de anunciar grandes operações públicas em cidades americanas, o que levantou dúvidas sobre possíveis mudanças na estratégia.
Apesar disso, Mullin afirma que a política de imigração segue ativa.
“Continuamos aplicando as leis de imigração. Seguimos deportando imigrantes indocumentados que não deveriam estar aqui e perseguindo os piores infratores, mas de maneira mais discreta”, declarou o secretário em entrevista.
Dados obtidos pela Associated Press mostram que o número de detenções feitas pelo ICE caiu nos últimos meses. A população sob custódia imigratória também diminuiu, passando de aproximadamente 72 mil pessoas em janeiro para cerca de 58 mil nesta semana.
Mesmo com a redução nas detenções, o governo mantém metas ambiciosas. Documentos orçamentários do ICE apontam que a agência pretende deportar até 1 milhão de pessoas durante este e o próximo ano fiscal. Para comparação, cerca de 442 mil deportações foram registradas no ano passado.
O Departamento de Segurança Interna recebeu mais de US$ 170 bilhões em recursos aprovados pelo Congresso para reforçar a política imigratória da administração Trump.
A meta do governo é ampliar a capacidade de detenção para cerca de 100 mil pessoas ainda neste ano fiscal, mais que o dobro da média diária registrada no ano passado. Como parte desse plano, o governo já adquiriu 11 armazéns em diferentes regiões do país para expandir os centros de detenção.
Setores conservadores ligados à política migratória defendem que endurecer as condições de vida para imigrantes em situação irregular seria uma forma de incentivar a chamada “auto deportação”.
Nos últimos meses, o governo Trump também implementou medidas para dificultar a permanência de imigrantes sem status legal, incluindo restrições ao acesso à habitação pública, compartilhamento de informações do Medicaid com o ICE e exigências de registro federal para imigrantes indocumentados.
Mesmo diante das mudanças na forma de atuação, a Casa Branca continua sob pressão de aliados políticos e grupos conservadores para manter firme sua política de deportações em massa.
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