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Revista Brazilian Times # 84
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Brasileira é acusada de desviar joias avaliadas em até US$ 20 milhões nos EUA e no Brasil

Enquanto as investigações prosseguem, empresários do setor aguardam a recuperação das peças e o ressarcimento dos prejuízos causados pelo caso, que ganhou repercussão internacional e mobiliza autoridades dos dois países.


Uma brasileira com cidadania norte-americana está no centro de uma investigação que envolve o suposto desvio de centenas de joias de alto valor nos Estados Unidos e no Brasil. Camila Dias Briote é acusada por empresários do setor de joias de receber peças em consignação para revenda, mas não efetuar os pagamentos nem devolver os itens aos proprietários.
Segundo as informações, o prejuízo total pode chegar a US$ 20 milhões — o equivalente a cerca de R$ 100 milhões na cotação atual. O caso está sendo apurado por autoridades brasileiras e norte-americanas, incluindo o FBI.

De acordo com as denúncias, Camila construía uma relação de confiança com joalheiros e comerciantes de pedras preciosas, apresentando-se como representante de grandes empresas e lojas renomadas. No início, ela realizava os pagamentos normalmente, o que aumentava sua credibilidade no mercado. Com o passar do tempo, porém, teria deixado de quitar os valores devidos e de devolver as joias recebidas.

Uma das vítimas afirmou ter entregue cerca de 50 peças, avaliadas em aproximadamente US$ 500 mil. Outra relatou que recebeu um cheque sem fundos como pagamento por duas joias, enquanto outras oito permaneceram sem qualquer compensação financeira.

O advogado André Barbieri, que representa algumas das supostas vítimas, afirmou que apenas um de seus clientes contabiliza prejuízo de US$ 7 milhões. Já o advogado Arthur Migliari explicou que o suposto esquema seguia um padrão recorrente: Camila recebia as joias, revendia os produtos e ficava com o dinheiro das transações.

As investigações revelaram ainda que parte das peças foi entregue a casas de penhor no sul da Flórida, região onde Camila possui imóvel. Relatório do FBI obtido pela emissora aponta que centenas de joias foram localizadas nesses estabelecimentos, muitas delas ainda com etiquetas originais dos fornecedores.

Entre os casos citados, está o de um colar de turmalinas avaliado em cerca de US$ 120 mil, que teria sido penhorado por apenas US$ 6 mil.

Uma empresária de São Paulo relatou ter enviado aproximadamente 100 joias para serem comercializadas em uma feira nos Hamptons, em Nova York. Segundo ela, após descontada a comissão, Camila deveria repassar cerca de US$ 600 mil, mas depositou somente US$ 200 mil e não devolveu o restante das peças.

As vítimas afirmam que, diante das cobranças, Camila apresentava diversas justificativas para o atraso nos pagamentos, incluindo problemas pessoais e dificuldades administrativas. O inquérito também reúne mensagens e áudios em que ela promete regularizar os valores pendentes.

Além do caso envolvendo joias, Camila já responde no Brasil, desde 2024, a outro inquérito por estelionato relacionado à negociação de bolsas de luxo, com prejuízo superior a R$ 4 milhões.
Em nota enviada à TV Globo, a defesa informou que representa Camila exclusivamente no Brasil e afirmou que não há mandado de prisão nem conhecimento de processos em andamento no exterior. Os advogados sustentam que as acusações carecem de respaldo jurídico e que a situação envolve, na visão da defesa, uma disputa de natureza estritamente comercial.

Enquanto as investigações prosseguem, empresários do setor aguardam a recuperação das peças e o ressarcimento dos prejuízos causados pelo caso, que ganhou repercussão internacional e mobiliza autoridades dos dois países.

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