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Revista Brazilian Times # 84
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Aumento nos casos de falsos agentes do ICE espalha medo entre comunidades imigrantes nos EUA

“Eu praticamente não durmo pensando que eles podem voltar”, disse. “Sou grato a Deus por ainda estar vivo.”


Uma investigação conduzida pela rede norte-americana de notícias Telemundo revelou um aumento alarmante de criminosos que se passam por agentes de imigração nos Estados Unidos para roubar, intimidar, sequestrar e até cometer abusos sexuais contra imigrantes. O fenômeno, segundo a reportagem, se intensificou desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca e o endurecimento das operações imigratórias no país.

De acordo com o levantamento, ao menos 31 casos envolvendo falsos agentes federais foram registrados apenas em 2025 — um número muito superior à média anual de pouco mais de cinco ocorrências identificadas na última década. Ao todo, a investigação documentou 84 episódios entre 2014 e 2025 em que criminosos fingiram ser agentes do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), da Patrulha de Fronteira (CBP) ou do Departamento de Segurança Interna (DHS).

A maioria dos casos recentes envolveu homens armados que utilizavam roupas táticas, coletes e máscaras para simular operações imigratórias reais. Segundo a reportagem, 84% das ocorrências registradas em 2025 foram protagonizadas por suspeitos que afirmavam ser agentes do ICE.

Entre os episódios mais violentos está o relato de um imigrante mexicano que vive na Carolina do Norte. Ele afirmou que criminosos invadiram a residência onde morava com outros imigrantes no mesmo dia da posse presidencial de Trump, em 20 de janeiro de 2025. Um dos homens teria arrombado a porta gritando “ICE! ICE!”, enquanto o grupo roubava dinheiro sob ameaça de armas.

“Levantei as mãos e ele perguntou onde estava o dinheiro. Foi naquele momento que percebi que não era o ICE nem a polícia”, relatou a vítima à Telemundo. O homem contou ainda que um dos imigrantes teve a cabeça aberta com a coronha de uma arma e precisou levar mais de dez pontos. Os criminosos também apontaram armas para um bebê durante a ação.

A investigação aponta que o nível de violência nesses crimes também aumentou. Entre 2014 e 2024, cerca de 23% dos casos registrados envolviam violência física. Em 2025, esse índice subiu para 38%. Os episódios incluem roubos, espancamentos, intimidações, estupros e falsas “operações migratórias” realizadas por grupos armados.

Documentos internos obtidos pela reportagem mostram que até o FBI emitiu alertas sobre o crescimento desse tipo de crime. Em um boletim de segurança divulgado em outubro, a agência federal afirmou que criminosos estariam “aproveitando a maior exposição pública do ICE” para atingir comunidades vulneráveis.

Especialistas ouvidos pela Telemundo afirmam que imigrantes se tornaram alvos fáceis por medo da deportação, dificuldade com o idioma inglês e receio de denunciar os crimes às autoridades.
“Se uma pessoa indocumentada é assaltada ou agredida neste ambiente político, provavelmente não vai procurar a polícia”, afirmou a deputada democrata Laura Friedman. “É muito possível que isso esteja acontecendo em uma escala ainda maior do que imaginamos.”

A situação também reacendeu críticas ao uso de máscaras por agentes federais durante operações migratórias. Organizações de direitos civis afirmam que a prática dificulta que imigrantes consigam diferenciar agentes reais de criminosos.

Segundo a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), os Estados Unidos nunca enfrentaram um cenário em que homens mascarados realizassem operações migratórias em larga escala, criando um ambiente propício para imitações criminosas.

Em resposta às críticas, o ICE afirma que seus agentes utilizam máscaras para evitar perseguições, ameaças e exposição de dados pessoais na internet. O Departamento de Segurança Interna informou que ameaças contra agentes aumentaram mais de 8.000% nos últimos meses.

Apesar disso, autoridades locais e especialistas alertam que o medo crescente nas comunidades imigrantes pode comprometer investigações criminais e até a segurança pública.

“Quando vítimas têm medo de chamar a polícia, criminosos acabam ficando soltos”, afirmou o promotor da Filadélfia, Larry Krasner.

Enquanto isso, muitas vítimas seguem vivendo sob constante temor. Um dos imigrantes entrevistados pela investigação afirmou que quase não sai mais de casa desde o ataque sofrido na Carolina do Norte.

“Eu praticamente não durmo pensando que eles podem voltar”, disse. “Sou grato a Deus por ainda estar vivo.”

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