Para opositores, a estratégia gera medo, enfraquece a colaboração com a polícia e afeta diretamente comunidades que contribuem para a economia e para a vida social dos Estados Unidos.
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Parcerias entre polícias locais e ICE crescem mais de 70% na Pensilvânia
O número de agências policiais locais da Pensilvânia que firmaram acordos para colaborar com o serviço de imigração dos Estados Unidos registrou um crescimento expressivo nos últimos meses. Dados recentes mostram que as parcerias com o Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) aumentaram mais de 70% desde o fim do ano passado, intensificando a atuação das autoridades na identificação e detenção de imigrantes em situação irregular.
Atualmente, 78 departamentos de polícia municipais, escritórios de xerifes e cartórios de constables na Pensilvânia participam oficialmente do programa, contra 45 registrados anteriormente. A grande maioria aderiu ao modelo conhecido como “Task Force”, considerado o mais abrangente entre os mecanismos de cooperação previstos pela seção 287(g) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA.
Esse modelo permite que policiais locais atuem como extensões do ICE durante abordagens rotineiras, incluindo fiscalizações de trânsito e outras ações do cotidiano policial.
Desde a posse do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025, foram registradas 225 prisões relacionadas à imigração na Pensilvânia por meio dessas parcerias. O pico mensal ocorreu em fevereiro, com 67 detenções.
Em nível nacional, o programa já resultou em 19.918 prisões no mesmo período.
Os números indicam uma forte aceleração em comparação com o governo de Joe Biden. No último ano da gestão democrata, a média mensal de prisões por meio do programa era de 261 em todo o país. Sob Trump, essa média saltou para 1.422 por mês — um aumento de mais de cinco vezes.
Criado em 1996, o programa 287(g) autoriza agências estaduais e locais a colaborar com o ICE na identificação, prisão e deportação de imigrantes sem status legal.
O ICE afirma que o programa fortalece a segurança pública e amplia a capacidade operacional da agência, que conta com cerca de 21 mil funcionários em todo o país.
Já críticos argumentam que a medida compromete a confiança entre comunidades imigrantes e autoridades locais.
Miguel Andrade, porta-voz da Pennsylvania Immigration Coalition, afirmou que transformar policiais locais em agentes de imigração faz com que vítimas e testemunhas deixem de denunciar crimes por medo de serem presas.
Segundo ele, o impacto também atinge a economia local, que depende fortemente da mão de obra imigrante em setores como agricultura, restaurantes e construção civil.
A expansão do programa também está relacionada a incentivos financeiros oferecidos pelo governo federal.
Desde setembro, o ICE passou a reembolsar departamentos participantes em até 25% do salário e benefícios de cada agente treinado. Além disso, as agências podem receber bônus trimestrais de até US$ 1.000 por policial participante.
No caso dos constables da Pensilvânia — agentes eleitos que são remunerados por tarefa realizada — os acordos com o ICE representam uma nova fonte de renda.
Nova Jersey segue caminho oposto
Enquanto a Pensilvânia amplia a colaboração, o estado vizinho de Nova Jersey adotou posição contrária.
Em março, a governadora Mikie Sherrill sancionou uma lei que proíbe oficialmente a cooperação entre autoridades locais e o ICE.
Na Pensilvânia, porém, não existe legislação semelhante.
Alguns condados recuam
Apesar do crescimento geral, algumas autoridades locais têm se afastado do programa.
Em janeiro, o xerife do Condado de Bucks, Danny Ceisler, encerrou a parceria com o ICE, alegando preocupações com a segurança pública e a confiança da comunidade imigrante.
“Os imigrantes são nossos vizinhos, nossos amigos e contribuintes. Eles merecem a proteção das forças de segurança desta comunidade”, declarou.
Debate continua
O avanço das parcerias entre polícias locais e o ICE reforça o debate sobre os limites da atuação das autoridades municipais na fiscalização imigratória.
Para defensores do programa, a cooperação amplia a capacidade de retirar criminosos das ruas. Para opositores, a estratégia gera medo, enfraquece a colaboração com a polícia e afeta diretamente comunidades que contribuem para a economia e para a vida social dos Estados Unidos.




