Até que a morte nos separe tornou-se uma das frases mais repetidas nas cerimônias de casamento, embora não esteja registrada dessa forma nas Sagradas Escrituras. O juramento é feito diante do altar, cercado por testemunhas, enquanto duas pessoas prometem permanecer juntas na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até o fim da vida. Depois da celebração, seguem a festa, os brindes, as viagens e o início de uma nova rotina compartilhada.
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Coluna Debora Corsi: Até Que a Morte Nos Separe
Até que a morte nos separe tornou-se uma das frases mais repetidas nas cerimônias de casamento, embora não esteja registrada dessa forma nas Sagradas Escrituras. O juramento é feito diante do altar, cercado por testemunhas, enquanto duas pessoas prometem permanecer juntas na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até o fim da vida. Depois da celebração, seguem a festa, os brindes, as viagens e o início de uma nova rotina compartilhada.
Com o passar do tempo, porém, a convivência revela diferenças antes imperceptíveis. Costumes familiares distintos entram em conflito, hábitos se chocam e defeitos, antes toleráveis, passam a incomodar. Em muitos casos, o amadurecimento do relacionamento permite que o casal encontre equilíbrio. Em outros, a relação se transforma em um espaço de tensão, controle e violência.
O crescimento dos casos de feminicídio no Brasil, nos Estados Unidos e em diversos países evidencia uma realidade alarmante. O que poderia terminar em separação pacífica, diálogo ou distanciamento saudável, muitas vezes termina em tragédia. Há quem transforme afeto em posse e convivência em domínio. Quando o outro deixa de corresponder às expectativas ou decide partir, a reação não é aceitação, mas eliminação.
Depois da violência, permanecem os filhos, os pais e os amigos tentando compreender o incompreensível. A frase “até que a morte nos separe”, então, assume um significado cruel e distorcido. A morte, que deveria ser consequência natural do ciclo da vida, passa a ser antecipada pela intolerância, pelo egoísmo e pela incapacidade de aceitar o fim de uma relação.
Diante desse cenário, torna-se indispensável refletir sobre os sinais que antecedem relações abusivas. Pequenos gestos de controle, imposições injustas, ciúmes excessivos e tentativas de anular a individualidade do outro não devem ser ignorados. Muitas vezes, aquilo que parece insignificante no início evolui para comportamentos agressivos e perigosos.
A expressão “até que a morte nos separe” jamais deveria ser interpretada como autorização para posse ou domínio. O sentido do compromisso está na lealdade, no respeito, na amizade e na parceria. E, quando o relacionamento chega ao fim, o mínimo esperado é que permaneça a dignidade entre ambas as partes.
A sociedade precisa discutir com seriedade a escalada da violência dentro dos relacionamentos. Pais devem observar com atenção as relações afetivas dos filhos, e cada pessoa, antes de unir a própria vida à de alguém, precisa avaliar se existe respeito suficiente para sustentar essa convivência. Afinal, nenhum juramento de amor pode servir de justificativa para transformar o fim de uma relação em sentença de morte.
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