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Revista Brazilian Times # 83
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Plano do DHS para retirar agentes de aeroportos em “cidades santuário” gera temor de caos nas viagens internacionais

Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos ou planejam viagens internacionais, a proposta ainda permanece no campo das discussões políticas

Uma proposta em análise pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) tem provocado forte reação da indústria aérea e preocupação entre passageiros e autoridades locais. O plano prevê a retirada de agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) de aeroportos localizados em chamadas “cidades santuário”, medida que poderia comprometer o processamento de voos internacionais e gerar atrasos ou cancelamentos em grandes centros aeroportuários do país.

A ideia foi mencionada pelo secretário do DHS, Markwayne Mullin, que afirma estudar formas de redistribuir agentes federais para áreas consideradas prioritárias na fiscalização imigratória. Segundo ele, cidades que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração estariam dificultando operações do governo e exigindo uma nova estratégia de alocação de recursos.

Entre os aeroportos que poderiam ser afetados estão importantes portas de entrada internacionais em cidades como Nova York, Los Angeles, Chicago e San Francisco — locais que movimentam milhões de passageiros por ano e concentram grande parte do tráfego aéreo internacional dos Estados Unidos. Sem agentes do CBP, passageiros e cargas internacionais não poderiam ser processados normalmente, o que criaria impacto direto nas operações aéreas.

A possibilidade gerou críticas imediatas de entidades do setor de turismo e aviação. Grupos como Airlines for America e U.S. Travel alertaram que a medida poderia causar prejuízos econômicos significativos, afetar cadeias logísticas e dificultar o deslocamento de turistas e viajantes de negócios. As organizações afirmam que grandes aeroportos não possuem substitutos imediatos capazes de absorver um eventual redirecionamento de voos internacionais.

O próprio secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, demonstrou reservas em relação à proposta. Em audiência no Congresso, ele afirmou que o transporte aéreo não deveria ser interrompido por divergências políticas entre governos locais e federais. Especialistas em transporte também alertam que retirar agentes federais de hubs internacionais poderia provocar um cenário de forte congestionamento e desorganização operacional.

Até o momento, o DHS não anunciou uma decisão oficial nem apresentou cronograma para implementação da medida. Analistas jurídicos avaliam que qualquer tentativa de suspender o processamento internacional em aeroportos de cidades santuário provavelmente enfrentaria contestação judicial, já que governos locais e especialistas questionam a legalidade de usar operações aeroportuárias como instrumento de pressão política.

Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos ou planejam viagens internacionais, a proposta ainda permanece no campo das discussões políticas. No entanto, o debate já acendeu um alerta no setor aéreo e levanta dúvidas sobre possíveis impactos em voos, conexões e no fluxo de visitantes em um momento em que o país também se prepara para grandes eventos internacionais.

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