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Revista Brazilian Times # 83
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Cidadão americano relata ter sido detido três vezes por agentes de imigração nos EUA: “Não me sinto livre”

O caso é acompanhado pelo juiz federal Jeffrey U. Beaverstock, indicado pelo presidente Donald Trump. Até o momento, não há previsão para a decisão judicial.

Um cidadão americano nascido na Flórida afirmou em tribunal ter sido detido repetidas vezes por agentes federais de imigração nos Estados Unidos, mesmo apresentando documentos oficiais que comprovavam sua cidadania. O caso ganhou repercussão após o trabalhador processar o governo federal alegando violações de direitos civis durante operações conduzidas pelo serviço de imigração no estado do Alabama.

Leo Garcia Venegas, descendente de hispânicos e morador do Alabama há 12 anos, afirmou possuir certidão de nascimento americana, cartão do Seguro Social e uma carteira REAL ID emitida pelo estado. Ainda assim, segundo seu depoimento, nada disso impediu que ele fosse abordado e detido três vezes ao longo do último ano por agentes de imigração.
Durante audiência realizada em Mobile, Alabama, Venegas relatou que foi imobilizado, teve mãos e pés algemados e chegou a ser acusado de mentir sobre seu status migratório. Em todas as ocasiões, ele acabou liberado sem acusações formais.

“Eles podem aparecer de repente e te deter sem que você tenha feito nada”, declarou Venegas por meio de intérprete ao relembrar operações realizadas em canteiros de obras residenciais onde trabalhava na construção de fundações de casas para grandes construtoras americanas. “Agora eu não me sinto livre para dirigir, trabalhar ou até ir ao mercado”, afirmou.

O trabalhador entrou com uma ação judicial em setembro de 2025 tentando impedir que agentes de imigração continuem realizando operações sem mandado judicial em obras da região sul do Alabama. Segundo a ação, os agentes estariam detendo trabalhadores preventivamente, inclusive após a apresentação de provas claras de cidadania americana ou residência legal.

A terceira detenção ocorreu em 2 de maio deste ano, quando agentes abordaram um veículo pertencente ao irmão de Venegas, que estava em situação migratória irregular e acabou deportado posteriormente. Mesmo estando em frente à própria residência, Venegas também foi levado para averiguação.

Outro homem ouvido pela Justiça, Gehovani Alvirde-Ruiz, relatou experiência semelhante. Apesar de possuir green card e número do Seguro Social, ele afirmou que agentes alegaram que seus documentos “eram as melhores falsificações que já tinham visto” e questionaram onde eles teriam sido comprados.

“Eu fiquei preocupado em ser deportado e perder meu green card. É uma sensação de impotência”, declarou.

Durante a audiência, Philip Lavoie, agente especial responsável pelas operações de imigração na região, afirmou que as ações em canteiros de obras aconteciam após denúncias recebidas por autoridades e admitiu que os agentes não possuíam mandados judiciais nem estavam procurando indivíduos específicos.

Segundo ele, os agentes entendem que não existe expectativa razoável de privacidade em locais de construção abertos. Lavoie também afirmou que Venegas foi detido tanto para averiguação migratória quanto por questões de segurança durante a operação. Ele reconheceu ainda que nenhum trabalhador branco ou negro foi detido nas ações mencionadas no processo.

Representando o governo, o procurador federal Sam Ladd Jr. argumentou que não houve violação da Quarta Emenda da Constituição americana, que protege cidadãos contra buscas e apreensões indevidas. Segundo ele, “um breve período de detenção não é irrazoável nessas circunstâncias”.

Já os advogados de Venegas afirmam que o caso levanta questionamentos sobre a validade e reconhecimento dos próprios documentos emitidos pelo governo americano. A defesa destacou que carteiras REAL ID possuem códigos de barras que podem ser rapidamente verificados digitalmente em aeroportos, bares e outros estabelecimentos.

“O fato de a própria agência responsável pelo sistema não conseguir verificar esses documentos tão rapidamente quanto um segurança de bar é algo grave”, argumentou o advogado Jared McClain, do Institute for Justice.

O caso é acompanhado pelo juiz federal Jeffrey U. Beaverstock, indicado pelo presidente Donald Trump. Até o momento, não há previsão para a decisão judicial.

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